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Dubai tenta recuperar o luxo apesar do coronavírus

Por Dana MOUKHALLATI
O Burj Khalifa de Dubai, o arranha-céu mais alto do mundo, de 828 metros, em 5 de junho de 2020

Apesar da distância de segurança e das medidas para prevenir o coronavírus, Dubai tenta recuperar o luxo em seus restaurantes e shopping centers, embora agora os pratos sejam de papel.

Em um conhecido restaurante de Dubai, os garçons andam pelas mesas a uma boa distância um do outro, servindo vinho em copos plásticos e bifes em pratos de papel.

"Na próxima vez, vocês podem trazer seus próprios talheres", diz a um casal um garçom do estabelecimento, conhecido por oferecer uma experiência gastronômica única.

O mais conhecido dos sete membros da federação dos Emirados Árabes Unidos, Dubai está gradualmente voltando ao normal, mas, com as restrições em vigor, o ambiente não é o mesmo de antes.

"O luxo não é mais tão luxuoso", disse uma sueca de 31 anos à AFP. "Não acho que as coisas voltarão ao normal logo", acredita.

Com poucos recursos petrolíferos em comparação com seus vizinhos, Dubai se orgulha de ter a economia mais diversificada do Golfo, assim como de sua reputação de centro financeiro, comercial e turístico.

A cidade é conhecida por seus gigantescos shoppings, restaurantes de luxo, boates e complexos hoteleiros cinco estrelas, todos muito afetados pela crise da saúde.

Os hábitos terão de mudar, diz Karen Young, pesquisadora do American Enterprise Institute, sobre maneiras de viajar, consumir e se divertir.

"É um bom momento para explorar coisas novas. Restaurantes e boates cheios não estão mais na moda, mas chefs em domicílio, sim", disse à AFP.

"Não podemos esperar um retorno à normalidade tão cedo. A recuperação precisará se reinventar", assegura.

Apesar do levantamento de parte das restrições, é obrigatório o uso de máscara na rua, e o toque de recolher noturno permanece em vigor.

Os habitantes podem ir à praia, jantar em restaurantes e fazer compras em shopping centers que agora podem operar com 100% da capacidade.

As águas da Fonte de Dubai - uma das atrações mais populares da cidade - ganham vida com o som da música, ao lado do Burj Khalifa, o arranha-céu mais alto do mundo.

- Turismo em queda -

O turismo é um setor essencial da economia do emirado, que recebeu mais de 16 milhões de visitantes em 2019.

Antes da pandemia paralisar o tráfego aéreo global, as autoridades previam 20 milhões de turistas este ano.

Segundo a consultoria STR Global, 30% dos empregos na indústria hoteleira de Dubai provavelmente serão perdidos nos últimos meses, até que a demanda se recupere.

"Haverá muito menos viagens em grupo", disse o chefe do Departamento de Turismo de Dubai, Hilal Al Marri, à agência Bloomberg em abril.

"Isso realmente afeta o setor de hotelaria e turismo e suas receitas, então os desafios terão que ser enfrentados", destacou.

Hotéis e resorts de luxo operam com capacidade reduzida, e muitos deles dão descontos aos residentes locais para compensar a ausência de turistas estrangeiros.

Já seus bares à beira da piscina, que atraem jovens no verão, de calor sufocante, permanecem fechados até novo aviso.

Alguns clientes continuam cautelosos, apesar dos cuidados adotados pelos estabelecimentos para criar um ambiente seguro para seus usuários.

"Penso duas vezes antes de sair para gastar, especialmente se for ao custo da minha saúde", diz a expatriada sueca.