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Dow Jones chega aos 28 mil pontos pela 1ª vez em dia de recordes em NY

Victor Rezende

Com a ajuda de dados do varejo americano, sinais de melhora nas relações comerciais do país com a China elevaram o otimismo dos investidores O dia foi de novas máximas históricas para os três principais indicadores acionários de Nova York, com o Dow Jones ultrapassando a marca psicológica dos 28 mil pontos pela primeira vez. As relações comerciais entre Estados Unidos e China novamente deram o tom dos negócios e fizeram com que os investidores fossem às compras, com destaque para empresas de saúde e as gigantes de tecnologia.

O resultado acima do esperado das vendas do comércio varejista ajudou os negócios, embora analistas apontem para uma perda de fôlego do consumo americano.

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o índice Dow Jones encerrou o dia em alta de 0,80%, em 28.004,89 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,68%, para 3.117,57 pontos. Já o índice eletrônico Nasdaq fechou o pregão em 8.540,83 pontos, com alta de 0,73%.

Imagem Valor Econômico

O otimismo dos investidores em torno das negociações comerciais sino-americanas voltou a dar as caras em Nova York, diante de novos comentários de autoridades dos EUA. Ainda na quinta-feira à noite, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que os negociadores estão “chegando perto” de um pacto definitivo. Já o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, afirmou nesta sexta que estão sendo acertados os últimos detalhes do acordo “fase 1”.

A perspectiva de que as negociações resultem em um acordo falaram mais alto até mesmo do que indicadores da economia americana divulgados ao longo do dia. Em outubro, a produção industrial dos EUA exibiu um recuo de 0,8% em relação a setembro, frustrando as estimativas dos agentes, que esperavam queda de 0,4%. Parte do declínio, contudo, veio da greve dos trabalhadores da General Motors, que reduziu a produção de veículos e peças em 7,1% na mesma base comparativa.

Já as vendas no varejo superaram ligeiramente o consenso do mercado (+0,2%) ao subirem 0,3% na passagem de setembro para outubro. No entanto, para a economista-chefe da Grant Thornton, Diane Swonk, a recuperação nas vendas do comércio varejista “é mais fraca do que aparenta”. Em relatório, Diane nota que “os preços mais altos da bomba de gasolina e as tarifas comerciais afetaram os gastos dos consumidores” e pontua que os bancos também restringiram os padrões de crédito.

Não por acaso, após a divulgação dos indicadores, a distrital de Nova York do Fed revisou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 0,7% para 0,4%, em base anualizada. Já o medidor do PIB do Fed de Atlanta cortou sua projeção de expansão anualizada da economia entre outubro e dezembro de 1,0% para 0,3%.

Na tentativa de driblar um enfraquecimento da economia e diante das eleições presidenciais que se aproximam, o presidente Donald Trump disse que pretende promover um novo corte de impostos para a classe média, cujo plano será submetido a uma Câmara dos Deputados comandada pelos republicanos. Os comentários de Trump foram feitos durante a assinatura de um decreto sobre o sistema de saúde americano, nesta sexta.

O subíndice de saúde do S&P 500 exibiu forte valorização ao subir 2,21%, para 1.126,74 pontos, com apoio das ações da UnitedHealth (+5,30%, a US$ 269,40). Entre as giant techs, a Alphabet, controladora do Google, viu sua ação avançar 1,86%, para US$ 1.333,54, enquanto a Apple terminou o dia com alta de 1,19%, a US$ 265,76.

“As ações podem continuar a tendência de alta neste período de fim de ano sazonalmente forte, após avanços na frente comercial e geopolítica. No entanto, a volatilidade nos mercados se mostra branda, e a história nos diz que as coisas não permanecerão calmas para sempre”, dizem estrategistas da LPL Financial em relatório. Considerado o “medidor de medo” de Wall Street, o índice VIX, que mede a volatilidade das opções sobre ações do S&P 500, fechou em queda de 7,59%, aos 12,06 pontos.

Nesse sentido, a equipe de estratégia da LPL recomenda que os investidores “considerem se preparar para a volatilidade periódica”. Maior corretora independente dos EUA, a LPL vê o nível de 3.030 pontos sendo um suporte para o S&P 500, enquanto a média móvel de 200 dias está em 2.907 pontos.