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Dossiê mostra 16 casos de racismo institucional em restaurantes do Mcdonald’s no Brasil

Alma Preta
·3 minuto de leitura
Segundo os funcionários, todos menores de 18 anos, além de ofensas racistas, a cor da pele e a aparência física eram determinantes na distribuição das funções e dos postos de trabalho; crimes foram denunciados ao Ministério Público do Trabalho.Foto: Rafael Milan Torres
Segundo os funcionários, todos menores de 18 anos, além de ofensas racistas, a cor da pele e a aparência física eram determinantes na distribuição das funções e dos postos de trabalho; crimes foram denunciados ao Ministério Público do Trabalho.Foto: Rafael Milan Torres

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

Ofensas como “neguinho burro”, “cabelo ruim”, “feia, burra, cabelo duro”, “odeio você”, “babuina”, “coisa de nego”, “saci” e “macaca” foram relatadas por funcionários do Mcdonald’s em depoimentos sobre denúncias de racismo institucional. As vítimas, todas menores de 18 anos, também contam que a cor da pele e a aparência física eram determinantes na distribuição das funções e dos postos de trabalho. Os brancos ficavam nos caixas e quiosques, enquanto negros, gordos e LGBTs ficavam em postos afastados da visão do público.

As informações foram reveladas por um dossiê elaborado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Geral do Trabalhadores (UGT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comércio e Serviços (Contracts). O documento mostra 16 casos de racismo institucional ocorridos em restaurantes do Mcdonald's de quatro estados diferentes. Os dados sobre as vítimas e os locais de trabalho foram mantidos em sigilo para preservar os trabalhadores.

O dossiê, de 33 páginas, detalha que os casos de racismo na rede de fast food foram registrados nos últimos dois anos e recomenda que o Ministério Público do Trabalho crie uma força-tarefa para aprofundar as investigações em todo os restaurantes do Mcdonald’s no Brasil. O documento afirma que “o problema não é apenas estrutural, advinda de uma perversa ordenação social, mas também institucional, decorrente de provável negligência administrativa e fiscalizatória da empresa”.

A denúncia foi encaminhada à presidente da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades (COORDIGUALDADE), Adriane Reis de Araújo. A coordenadoria faz parte da Procuradoria Regional do Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

A proibição de discriminação no ambiente de trabalho foi instituída na Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1958, em Genebra, na Suíça, e ratificada como lei no Brasil em 1969, dez anos antes da inauguração da primeira loja do Mcdonald's no Brasil, em 1979.

Atualmente, a rede de fast food Mcdonald’s possui 36 mil lojas no mundo todo e é uma das marcas mais conhecidas do planeta. No Brasil, são cerca de 950 lojas, cuja franquia chega a custar R$ 2,6 milhões, além de empregar mais de 40 mil funcionários. Nove em cada dez trabalhadores da empresa no país têm menos de 25 anos de idade.

Após a divulgação do dossiê sobre racismo institucional, sindicalistas e funcionários fizeram um protesto contra o racismo em frente a uma loja da rede, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

O que diz o McDonald’s?

O Alma Preta procurou a diretoria de comunicação do McDonald’s no Brasil para saber o posicionamento da empresa diante das denúncias de racismo. Em nota, a rede de fast food informou que “está prestando as informações necessárias ao Ministério Público do Trabalho para elucidar a questão”.

A empresa também afirmou que “reitera o seu total compromisso com a promoção de um ambiente de trabalho inclusivo e de respeito” e que “não tolera nenhuma prática de assédio ou discriminação”.

Segundo a nota, a rede promove periodicamente treinamentos baseados em seu Código de Conduta, para comunicar e conscientizar funcionários sobre seus valores corporativos em relação à diversidade e forma de ser.

“Mantém, ainda, um canal de ouvidoria para denúncias, aberto a todos os empregados, e trata com confidencialidade e rigor as questões que recebe. Internamente, realiza campanhas de comunicação sobre o tema, impulsionadas pelas ações de seu Comitê de Diversidade e Inclusão, criado há dois anos. Maior geradora de primeiro emprego no Brasil, a Arcos Dorados entende sua responsabilidade em continuar evoluindo, a partir de iniciativas que incentivem, valorizem e incluam mais as pessoas, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os seus funcionários”, diz o comunicado, enviado à reportagem.