Mercado abrirá em 9 h 17 min
  • BOVESPA

    108.941,68
    -160,32 (-0,15%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.599,38
    -909,02 (-1,73%)
     
  • PETROLEO CRU

    85,98
    +0,84 (+0,99%)
     
  • OURO

    1.836,40
    +4,60 (+0,25%)
     
  • BTC-USD

    35.568,77
    +342,99 (+0,97%)
     
  • CMC Crypto 200

    821,02
    +578,34 (+238,31%)
     
  • S&P500

    4.397,94
    -84,79 (-1,89%)
     
  • DOW JONES

    34.265,37
    -450,03 (-1,30%)
     
  • FTSE

    7.494,13
    -90,88 (-1,20%)
     
  • HANG SENG

    24.692,93
    -272,62 (-1,09%)
     
  • NIKKEI

    27.355,23
    -167,03 (-0,61%)
     
  • NASDAQ

    14.545,75
    +119,25 (+0,83%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1790
    -0,0110 (-0,18%)
     

Doria terá desafio de manter partido unido e aplacar debandada de deputados

·3 min de leitura

SÃO PAULO — Escolhido pré-candidato à Presidência da República do PSDB neste sábado, o governador de São Paulo, João Doria, terá como primeiro desafio manter o seu partido unido. Desde que Doria se transformou na principal liderança política da legenda em 2019, os embates do ninho tucano, historicamente travados apenas nos bastidores, se tornaram públicos.

Ao longo dos últimos três anos, o governador paulista colecionou bate-bocas, principalmente com o deputado Aécio Neves (MG), que, apesar do desgaste dos últimos anos após ser citado em investigações sobre corrupção, ainda tem grande poder de influência sobre a bancada do PSDB na Câmara.

O risco mais iminente é o de uma debandada na janela para troca partidária em março, que poderia reduzir drasticamente a bancada tucana, atualmente com 33 deputados. Alguns deles mantêm vínculos com o presidente Jair Bolsonaro e já anunciaram a intenção de mudar de sigla.

Além de evitar a deserção dos parlamentares, Doria terá também que refazer as pontes com Eduardo Leite. O governador gaúcho avalia que o seu colega paulista apelou para o jogo sujo durante as prévias e vinha revelando a pessoas próximas que, em caso de derrota, buscaria uma jornada de estudos no exterior.

Também pegou mal a declaração dada por Leite no meio da semana, de que a campanha de Doria estaria comprando votos de correligionários e fazendo pressão junto a administrações tucanas para garantir apoio de comissionados.

Para Doria, o engajamento de Leite seria essencial para atrair um eleitorado jovem e identificado com pautas identitárias (o gaúcho revelou em julho que é homossexual).

O governo de São Paulo ainda vai precisar trabalhar duro para atrair partidos aliados para o seu projeto presidencial. Apesar de ter uma base de apoio de 13 partidos em São Paulo, Doria é visto como uma liderança que não segue os rituais tradicionais da política e, por isso, também coleciona embates com nomes de outras siglas. Neste ano, por exemplo, se estranhou, com ACM Neto, presidente do DEM e futuro secretário-geral do União Brasil, no episódio da filiação do vice-governador Rodrigo Garcia ao PSDB.

— Tem o desafio interno no PSDB e o desafio eleitoral. O interno é unificar o partido. O Doria ganhou a prévia por causa de São Paulo, por conta da máquina, mas o restante do partido tem muita resistência a ele — analisa o cientista político Carlos Mel, professor do Insper.

Aos 63 anos, Doria é um novato na política. Antes de se apresentar nas urnas, fez uma bem-sucedida carreira no mundo empresarial nas áreas de comunicação, marketing e eventos. Em 2018, declarou ter um patrimônio de R$ 189 milhões. Sua primeira disputa eleitoral foi em 2016, quando se elegeu prefeito de São Paulo no primeiro turno. Um ano e três meses depois, renunciou para concorrer ao governo, sendo eleito no segundo turno numa disputa apertada contra Márcio França (PSB).

No pleito de 2018, vinculou de forma ostensiva a sua campanha a de Jair Bolsonaro, o que desagradou setores do PSDB.

Outro desafio em sua pré-candidatura a presidente será reduzir a rejeição que enfrenta em seu estado para poder se mostrar competitivo nas pesquisas até a metade do próximo ano. Pesquisa do Datafolha divulgada em setembro mostra que 38% dos paulistas reprovam a sua gestão, enquanto 24% classificam o governo como ótimo ou bom. Outros 28% avaliam como regular.

Se uma mudança nesse quadro não ocorrer, o tucano pode ver os partidos de centro e centro-direita migrarem para uma outra candidatura que represente a terceira via. É unânime entre os tucanos que Doria só terá chance numa disputa nacional se largar com um bom percentual de votos no estado que governa.

— Na questão da vacina, ele fez tudo certo, mas não foi suficiente para mudar as pesquisas de intenção de voto em relação a ele. Era para estar em outra condição. Mas não está porque, ao longo de sua curta carreira política, se mostrou um político muito ansioso, muito competitivo — acrescenta Melo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos