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Doria responde ao afago de Bolsonaro a China e chama embaixador para coletiva

João Conrado Kneipp
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João Doria, (PSDB) Governor of São Paulo, during a press conference on measures to combat the Coronavirus, (COVID-19) on Thursday, November 12, 2020 at the Palácio dos Bandeirantes in Sao Paulo, Brazil. During the press conference João Doria spoke about the São Paulo F1 GP and the Usina São Paulo concession contract, in Rio Pinheiros. (Photo: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)
Na “coletiva surpresa”, Doria fez questão de destacar que as tratativas para liberação dos insumos chineses foram conduzida pelo Butantan e pelo governo de SP. (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), agiu rápido para responder ao afago na China feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um novo capítulo disputa política na vacinação contra Covid-19.

Horas após Bolsonaro agradecer a “sensibilidade” do governo chinês na liberação dos insumos para fabricação da Coronavac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e o laboratório Sinovac Biotech, Doria convocou, de última hora, uma coletiva de imprensa com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

Na “coletiva surpresa”, realizada em horário fora do habitual e sem aviso prévio nas redes sociais do governo paulista, Doria fez questão de destacar que as tratativas para liberação dos insumos chineses foram conduzida pelo Butantan e pelo governo de São Paulo.

“Todo o relacionamento cultivado com a China, com a Sinovac, com o governo chinês para as liberações sempre foram conduzidos pelo governo de São Paulo e pelo Butantan. Nunca houve nenhuma interferência, nenhuma relação, principalmente para ajudar, por parte do governo federal”, afirmou.

No encontro, o embaixador chinês afirmou que os entraves até agora eram de “ordem técnica, e não política”. “As vacinas são para salvar a vida do povo e não um instrumento político”, destacou Wanming, na coletiva.

A chegada dos insumos ao país está prevista para o dia 3 de fevereiro.

O governador também relembrou as críticas feitas por Bolsonaro, por seus filhos e seus seguidores à CoronaVac e lamentou que o presidente esteja, segundo ele, tentando “surfar na onda” da CoronaVac.

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O Brasil começou a vacinação emergencial contra Covid-19 com a CoronaVac, vacina que o presidente chegou a ironizar e minimizar a sua eficácia.

“Chegamos até a vacina apesar de todas as manifestações contrárias do governo federal, todas as manifestações desvairosas (sic) e do presidente da República e de seus filhos com relação à China. Sobre a vacina da China ou vacina do Doria, ou ‘vachina’ como costumam dizer”, relembrou Doria.

“É preciso repor a verdade. Surfar sobre algo que não é verdadeiro não é boa conduta. Por esta razão é que nós colocamos aqui o embaixador da China para participar com vocês e para a reunião que teve conosco”, completou.

BOLSONARO AGRADECE CHINA APÓS LIBERAÇÃO DE INSUMOS

Na segunda-feira (25), Bolsonaro foi às redes sociais para agradecer a "sensibilidade" do governo chinês. na liberação dos insumos para o Brasil.

Após a postagem de Bolsonaro, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, respondeu também por meio de rede social que a "China está junto com o Brasil na luta contra a pandemia e continuará a ajudar o Brasil neste combate dentro do seu alcance".

Em vídeo publicado também em uma rede social após o presidente, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a continuidade do recebimento dos insumos para a fabricação de vacinas pelo Instituto Butantan "voltou à normalidade" graças à ação diplomática do governo federal com o governo chinês.