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Doria destaca isolamento social e anuncia repasse a municípios

André Guilherme Vieira

“Não pensem que é uma gripezinha ou resfriadinho, porque não é”, afirmou o governador O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), deu ênfase, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, à necessidade de manutenção das medidas de isolamento das pessoas como forma de conter o avanço do novo coronavírus. Trata-se de uma diretriz oposta à do presidente Jair Bolsonaro, que pede flexibilização das medidas.

“Não minimizem a crise, não pensem que é uma gripezinha ou resfriadinho, porque não é”, afirmou, referindo-se às formas como Bolsonaro chamou a covid-19 em seu pronunciamento em cadeia nacional, na terça-feira à noite. “Sigam as orientações corretas dos profissionais de saúde e dos governos [estaduais] que estão atuando corretamente.”

Com a palavra, o secretário de Saúde, José Henrique Germann, reforçou o apelo por isolamento social e mencionou as estatísticas de óbitos e doentes no Estado. Até agora, 48 pessoas morreram por causa da covid-19 em São Paulo, oito a mais do que na quarta-feira. Outras 84 estão internadas em estado grave em UTIs.

“A epidemia vem crescendo. As medidas de restrição de mobilidade estão sendo suficientes ou colaborando efetivamente”, disse. “Estamos fazendo distanciamento social; o próximo passo pode ser isolamento social ou domiciliar. Se for preciso, será o uso do ‘lockdown’ e o uso da força policial para manter as pessoas em casa”, completou.

Valor

Doria anunciou um repasse de R$ 218 milhões para ajudar 80 municípios do Estado no combate à pandemia. O dinheiro só poderá ser usado com essa finalidade, ressaltou. As cidades contempladas, com depósitos no dia 3 de abril, são as que têm mais de 100 mil habitantes, exceto a capital.

Na sexta-feira, disse o governador, será realizada uma entrevista coletiva no Pacaembu com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), para anunciar o repasse que o Estado fará à cidade. Na próxima segunda, prosseguiu, serão anunciadas as ajudas aos municípios com menos de 100 mil habitantes.

O governador também afirmou que pessoas com mais de 60 anos circulando pelas ruas serão abordadas por agentes policiais e da guarda civil municipal e orientadas a retornar para suas casas. “Já falei com o prefeito Bruno Covas que esta perspectiva é real. Pessoas circulando na rua, idosas, poderão ser abordadas por policiais ou guarda civil, os orientando para ir para suas casas”, disse Doria.

Segundo ele, não está descartada a adoção de “ação mais forte” para garantir que pessoas com mais de 60 anos não circulem na via pública.

“Dado o fato de que algumas pessoas, ou por teimosia, ou falta de informação, ou porque algum parente falou que estamos enfrentando uma gripezinha... Na verdade, estamos diante de uma crise grave e, se houver necessidade de uma ação ainda mais forte nos a adotaremos”, afimou, sem especificar o que seria tal ação.

A diretora do centro de vigilância epidemiológica de São Paulo, Helena Sato, afirmou que as pessoas precisam alertar vizinhos e amigos que ainda estão indo às ruas para que permaneçam em casa. “A literatura internacional mostra que os casos vão aumentando. Então, neste momento a vacina que temos é convencer amigos e vizinhos a ficar em casa”.

Segundo Sato, é importante que as pessoas se vacinem contra o vírus Influenza. “Não podemos deixar de vacinar as pessoas contra o vírus Influenza, porque as complicações do influenza são a pneumonia e a internação hospitalar, que são dois complicadores no meio de uma pandemia.”