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Doria faz aceno dentro e fora do PSDB, mas Leite rejeita ter protagonismo

·8 min de leitura
***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  09-10-2018, O candidato ao governo de SP João Dória (PSDB) cumprimenta o candidato ao governo do RS Eduardo Leite durante reunião da executiva do partido, na sede do PSDB em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 09-10-2018, O candidato ao governo de SP João Dória (PSDB) cumprimenta o candidato ao governo do RS Eduardo Leite durante reunião da executiva do partido, na sede do PSDB em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHPRESS) - Após vencer acirradas prévias e ser indicado candidato à Presidência em 2022 pelo PSDB, o governador João Doria (SP) fez dois movimentos visando apoio para a disputa do Planalto.

Primeiro, convidou o rival Eduardo Leite (RS) para integrar o comando de sua campanha, "em uma posição de protagonismo", diz o paulista. Segundo, marcou conversas com nomes da chamada terceira via para discutir alianças e estratégias.

"Queremos uma posição integradora, agregadora", afirmou Doria à Folha de S.Paulo. Ele teve 53,99% dos 28.765 votos nas prévias, ante 44,66% do governador gaúcho e 1,35% do ex-prefeito manauara Arthur Virgílio. O processo foi tumultuado por falha no aplicativo de votação e acusações mútuas de jogadas sujas.

Em relação a Leite, com quem teve uma disputa dura, o paulista disse que combinou de conversar na volta de sua viagem a Nova York, onde vai liderar uma missão empresarial de 1º a 5 de dezembro. "Será como for mais confortável para ele", afirmou.

Leite, porém, já deu sinais de que buscará manter alguma distância do vencedor das prévias. Em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que não se vê coordenando a campanha de Doria.

"Permaneço no PSDB, mas não me vejo coordenando uma campanha presidencial, pois serei governador até o último dia do meu mandato e não imagino poder coordenar algo desta dimensão nacional estando focado nos problemas e soluções do meu estado."

Reforçando a avaliação de aliados do gaúcho de que a união em torno de Doria é tarefa muito difícil, Leite fez questão de sugerir que o protagonismo seja dado a alguém afinado com o paulista.

"Penso que deve haver uma sinergia entre candidato e coordenador que seja maior do que o simples fato de estarem no mesmo partido. Imagino que o governador Doria busque alguém afinado com sua forma de pensar e fazer política, para além de uma visão meramente partidária", afirmou.

A reunião que Doria disse combinar com Leite visa reduzir danos, dado que as altercações nos bastidores foram dignas de uma campanha presidencial. O gaúcho foi apadrinhado por dois adversários figadais de Doria, o deputado Aécio Neves (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE), e a prioridade de aliados do paulista é vê-lo no barco.

Isso não garante a unificação do partido em si. Em mais um ruído de expectativas, Leite disse que ainda não existe nenhuma reunião marcada.

Questionado sobre como seria lidar com Aécio, que deve permanecer no PSDB, Doria disse neste domingo, sem entrar na bola dividida, que "desejamos o apoio de todos os mineiros, não só de um".

Na visão dos aliados de Doria, Aécio apoiou Leite visando ver o partido sem candidato em 2022, para concentrar o PSDB no Congresso -hoje a bancada tucana na Câmara vota majoritariamente com o governo Bolsonaro. O mineiro nega isso, e diz que Leite seria o melhor nome para agregar forças.

Acerca dos colegas de terceira via, Doria não quis nomear, mas já conversou com alguns dos candidatos e com presidentes de partidos potencialmente aliados na noite de sábado (27), após ter sua indicação confirmada.

Historicamente, esse tipo de união beira o impossível no Brasil, e mesmo os ensaios de diálogo entre atores desse campo até aqui não foram muito frutíferos.

A partir da segunda semana de dezembro, pretende "conversar com todos", citando aí a senadora Simone Tebet (MDB-MS), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos).

Em relação ao último, Doria o viu agitar a bolsa de apostas da terceira via desde que sua candidatura virou uma realidade. O tucano é diplomático. "Ele é meu amigo, e entendo que ele deva fazer parte de uma frente em 2022. Ele não deve ser alijado de protagonismo, assim como os outros."

No momento, o tucano não fala sobre o X da questão: quem deveria ser cabeça de chapa numa eventual união. Para aliados do paulista, Moro age como candidato, mas evita declarar-se abertamente como tal. Eles e políticos de outras siglas consideram que ainda é cedo para avaliar o que irá acontecer.

Com o movimento em duas frentes, Doria busca amenizar a principal crítica que lhe é feita: a de que seria obstinado demais pela ideia de ser presidente, apesar de ter grande rejeição tanto em São Paulo quanto em pesquisas qualitativas em outras praças eleitorais.

Na conversa com a reportagem, o governador lançou um aceno até ao seu maior desafeto em casa, o ex-governador Geraldo Alckmin, que ele já havia citado em seu discurso de vitória no sábado.

Padrinho de sua entrada na política, quando acabou por apoiá-lo na disputa da prefeitura paulistana em 2016, o tucano acusa Doria de traição por ter cogitado disputar a Presidência em 2018.

Agora, Doria fechou a porta para uma candidatura de Alckmin ao governo estadual pelo PSDB ao filiar o seu vice, Rodrigo Garcia, ao partido. O tucano cumpriu o acordo com Garcia, que era do DEM, de lançá-lo à sua sucessão em 2022. Assim, Alckmin indicou que está deixando o PSDB, provavelmente para o PSD.

"Eu dedico muito respeito a ele, tem todo o espaço para continuar no PSDB se quiser. Ele poderia ser candidato ao Senado, se houver entendimento com o senador José Serra. A posição é dele [Serra], mas, se ele preferir ser o candidato a deputado federal mais votado do PSDB-SP, seria uma possibilidade", disse Doria.

Ausente da equação está José Aníbal, o suplente de Serra que ocupa o cargo até dezembro devido aos problemas de saúde do titular. O hoje senador dirigiu a comissão que cuidou das prévias e, ao fim, apoiou Leite, virando alvo do entorno do governador. Serra, por sua vez, apoiou Doria.

Esta foi a terceira vitória de Doria em prévias contra o establishment do partido. Em 2016, ele se viabilizou contra o desejo da cúpula da sigla para disputar a Prefeitura de São Paulo. O mesmo ocorreu em 2018, quando ele de forma criticada deixou a cadeira municipal para buscar o Palácio dos Bandeirantes.

"Isso mostra que o PSDB não tem dono. Toda prévia é difícil. Em 2016, havia bons candidatos. Agora, temos de construir a candidatura, somando apoios. Não será uma candidatura do PSDB, ou do João Doria", disse.

Questionado sobre o motivo da resistência a seu nome, tanto dentro de seu partido como entre políticos da mesma faixa de frequência, Doria sai pela tangente. "É natural na política."

Além desses dois passos iniciais, o tucano já vem estruturando um programa em linhas gerais. Ele mistura vitrines de sua gestão, como a Coronavac ou a saúde financeira e um pacote de R$ 50 bilhões em investimentos, com a artilharia dupla contra o presidente Jair Bolsonaro (hoje sem partido, mas rumo ao PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um resumo dessa retórica pôde ser visto no discurso do sábado. Tendo se aliado a Bolsonaro no segundo turno de 2018, o tucano virou o maior rival do presidente nos estados. Já seu antipetismo é mais antigo, remontando ao tempo em que encabeçava o grupo empresarial Lide.

Na economia, Doria desenha genericamente uma gestão liberal, para retomar capacidade de investimento social e em infraestrutura, com foco em privatizações e concessões. Seu principal conselheiro é o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que ocupa a secretaria estadual da área e deve ser candidato a senador pelo PSD-GO.

ALIADOS DE EDUARDO LEITE

Após a derrota para João Doria no PSDB, aliados de Eduardo Leite mantêm o discurso de buscar a união do partido, mas na prática duvidam dessa possibilidade.

Leite reconheceu a derrota, desejou sorte a Doria e mirou suas críticas na polarização entre Bolsonaro e Lula. A regra no seu entorno é manter esse tom de colaboração.

Nos bastidores, porém, tucanos que apoiaram Leite mostram pouca disposição em caminhar com o governador paulista em 2022.

Aliados do gaúcho defendem que o processo de votação seja alvo de checagem, sobretudo depois da pane no aplicativo original, que paralisou as prévias no domingo (21), e das suspeitas de ataque hacker. Mas uma recontagem ou a contestação do resultado estão, por ora, fora do radar a não ser que haja fatos novos a partir das investigações no sistema de votação. Doria está, na visão dos rivais internos, legitimado pelas prévias.

Leite afirmou à Folha não considerar ser candidato à reeleição no RS -o governador afirma ser contra a possibilidade de reeleição.

Em relação ao compromisso de não deixar o PSDB, no entanto, aliados veem espaço para volta atrás -o governador gaúcho poderia ser candidato ao Planalto por outra sigla, incentivam.

O placar apertado e as trocas de acusações durante as prévias não facilitam a reunificação da legenda.

O risco de debandada no partido não é descartado, sobretudo no entorno dos principais apoiadores de Leite e rivais de Doria -Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Em São Paulo, tucanos pró-Leite afirmam que o ex-governador paulista poderia liderar uma migração significativa se trabalhar para isso.

Já o risco de esfacelamento da bancada tucana é minimizado entre os deputados --Aécio já indicou que seguiria no PSDB mesmo se Doria vencesse. O mineiro tem influência sobre a ala bolsonarista dos deputados federais tucanos, que não é benquista entre aliados de Doria, principalmente depois que o governador se tornou um dos principais adversários do presidente.

O presidente do PSDB de Minas Gerais, deputado Paulo Abi-Ackel, afirma que uma debandada não é cogitada.

"Nós somos o PSDB, obtivemos quase metade dos votos do partido tendo como únicas armas o discurso do Eduardo e a esperança de um novo caminho para o PSDB. Perdemos as prévias mas não o nosso compromisso com o Brasil nem com o partido. Estaremos todos no PSDB", disse.

"Temos que reconhecer a derrota e parabenizar, mas a recomposição depende mais dos vencedores do que dos vencidos", afirma o prefeito de Santo André (SP), Paulo Serra, e um dos coordenadores da campanha de Leite.

Unificar o partido, na opinião de Serra, "é a única maneira que o PSDB tem para disputar para valer a eleição".

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