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Doria anuncia que SP vai produzir vacina contra coronavírus

Eulina Oliveira e Ana Paula Machado

Segundo o governador, os testes clínicos começam em julho com a participação de 9 mil voluntários O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quinta-feira que o Estado de São Paulo vai produzir a vacina contra o novo coronavírus, por meio de parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech. “Hoje é um dia histórico para a ciência no Brasil e em São Paulo”, escreveu Doria, pelo Twitter. "Esta vacina é uma das que estão em estágio mais avançado em todo o mundo"

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Na coletiva de imprensa no início desta tarde, o governador explicou que o Instituto Butantan assinou acordo de cooperação com a farmacêutica chinesa para o início dos testes em fase 3 da vacina. Segundo Doria, os testes clínicos começam em julho com a participação de 9 mil voluntários.

“Mais de 100 vacinas estão em desenvolvimento no mundo, mas apenas dez estão em fase final. Essa vacina da Sinovac é das mais avançadas e, se os estudos indicarem a eficácia no primeiro semestre de 2021, ou seja, até junho de 2021, poderemos imunizar milhões de brasileiros”, disse o governador.

De acordo com o governador, pelo acordo haverá transferência de tecnologia para o Butantan e o instituto será o responsável pela produção da vacina.

“Essa vacina será distribuída ao SUS (Sistema único de Saúde) e terá a possibilidade de imunizar milhares de brasileiros. Ela já foi testada em mais de mil pessoas na China nas fases 1 e 2 e, agora, o Brasil entra na fase 3 com 9 mil pessoas. Isso permite que São Paulo esteja entre os principais estudos do mundo na luta contra contra o coronavírus”, disse Doria.

O Instituto Butantan irá investir R$ 85 milhões nos testes. Segundo o diretor do órgão, Dimas Covas, esses recursos fazem parte do orçamento da entidade. “Não é certeza de que a vacina vai funcionar, por isso temos que ter as evidências de que ela funciona. Até então se mostrou efetiva, agora é o teste para valer, vamos saber a real proteção e se é efetiva. Se tudo der certo, vamos estar com a vacina na mão”, disse Covas.

Segundo ele, o Butantan, desde o início da pandemia, vem conversando com farmacêuticas para uma parceria. A escolha pela Sinovac foi em razão da tecnologia usada no desenvolvimento da vacina — a mesma que o Butantan já domina.

“Butantan faz parte dessa rede internacional de produção de vacinas, está em nosso DNA. Essa parceria é uma das melhores neste momento, mas estamos conversando com a AstraZeneca também e com outras empresas, mas a tecnologia que a AstraZeneca utiliza não a dominamos. Essa usada pela Sinovac é o nosso dia a dia, é a que utilizamos”, afirmou Dimas.

O diretor do Butantan ressaltou que essa vacina usa o vírus atenuado, em um processo já usado pelo instituto para a produção de outras vacinas. “Dando tudo certo, no primeiro momento a vacina será importada da China e depois, no segundo momento será produzida pelo Butantan. O instituto tem a capacidade industrial para a produção. O que precisamos é da vacina aprovada. Hoje, produzimos 1 milhão de vacinas contra a gripe por dia, escala industrial nós temos.”