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Powell vê batalha do Fed contra inflação por "algum tempo" e alerta para dor econômica

Chair do Fed, Jerome Powell

Por Howard Schneider e Ann Saphir

(Reuters) - A economia dos Estados Unidos precisará de uma política monetária apertada "por algum tempo" antes que a inflação fique sob controle, disse o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, nesta sexta-feira, em declarações alertando sobre crescimento mais lento, mercado de trabalho mais fraco e "alguma dor" para famílias e empresas.

"Reduzir a inflação provavelmente exigirá um período sustentado de crescimento abaixo da tendência. Além disso, muito provavelmente haverá algum abrandamento das condições do mercado de trabalho. Embora a taxa de juros mais alta, o crescimento mais lento e as condições mais brandas do mercado de trabalho reduzam a inflação, também trarão alguns problemas para famílias e empresas", afirmou Powell em comentários preparados para a conferência de bancos centrais de Jackson Hole, em Wyoming.

"Esses são os custos infelizes de reduzir a inflação. Mas falhar em restaurar a estabilidade de preços significaria uma dor muito maior."

À medida que essa dor aumenta, disse Powell, as pessoas não devem esperar que o Fed recue rapidamente até que o problema da inflação esteja resolvido.

Alguns investidores projetam que o Fed mudará seu curso se o desemprego aumentar muito rápido, com alguns até prevendo cortes de juros no ano que vem, uma perspectiva que as autoridades contestaram nas últimas semanas.

Pelo contrário, alguns formuladores de política monetária indicaram que mesmo uma recessão não os dissuadiria de continuar o aperto caso os preços não voltem de forma convincente à meta de 2% do Fed. Powell não deu qualquer indicação nesta sexta-feira de até onde os juros podem subir, apenas disse o Fed fará o que for necessário.

"O histórico adverte fortemente contra o afrouxamento prematuro da política monetária", disse Powell. "Devemos continuar até que o trabalho seja feito. A história mostra que os custos para o emprego de reduzir a inflação costumam aumentar quando há atraso."

Ressaltando a mesma mensagem, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse à Bloomberg TV que, uma vez que a taxa básica de juros do banco central esteja entre 100 a 125 pontos-base acima da faixa atual de 2,25% a 2,50%, "devemos ficar lá por muito tempo".

Os mercados de títulos pareceram levar a sério os comentários que sinalizam uma trajetória de custos dos empréstimos mais elevados por mais tempo, com operadores reforçando apostas em um terceiro incremento consecutivo de 0,75 ponto percentual na reunião de política monetária de 20 a 21 de setembro, e precificando expectativas de que a taxa de juros de referência chegará ao intervalo de 3,75% a 4,00% no próximo mês de março.

O reconhecimento franco de Powell da dor que está por vir para as famílias "pegou os investidores de surpresa e consolida o quanto vão levar a sério o aumento da taxa de juros para combater a inflação", disse Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercado do Carson Group. "A esperança de uma guinada 'dovish' (flexível a alta dos preços) foi esmagada, pelo menos por enquanto."

Mas os juros futuros continuaram a refletir as expectativas para esse pivô no final do próximo ano, e veem um corte da taxa básica pelo Fed em cerca de 0,40 ponto percentual até o final de 2023.

DADOS

Powell não deu pistas sobre o que o Fed pode fazer em sua próxima reunião, em setembro, exceto para dizer que dependeria da "totalidade" dos dados naquele momento.

Dados recentes mostraram algum declínio na inflação, com o índice de preços PCE --observado de perto pelo Fed-- desacelerando a alta em julho para 6,3% na base anual, de 6,8% em junho.

Mas "a melhora de um único mês fica muito aquém do que o Comitê (Federal de Mercado Aberto, Fomc) precisará ver antes de estarmos confiantes de que a inflação está caindo", disse Powell.

A decisão de quanto subir os juros "vai depender da totalidade dos dados recebidos e da evolução do cenário", disse Powell, com mais relatórios de emprego e inflação por vir.

O Fed tornou-se cada vez mais aberto sobre a chance de que sua política monetária possa levar a um aumento na taxa de desemprego nos EUA, atualmente em 3,5%, um nível que não é superado há mais de 50 anos.

Para conter a inflação, porém, as autoridades do Fed disseram que precisam conter a demanda por bens e serviços e, para isso, precisam elevar os custos dos empréstimos e tornar mais caro o financiamento de casas, carros e investimentos empresariais. À medida que o processo avança, como já começou a acontecer, principalmente no mercado imobiliário, as empresas podem ajustar seus planos de contratação ou até recorrer a demissões.