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Dor e desespero: como eram feitas as cirurgias antes de existir anestesia?

·6 minuto de leitura

Nos dias de hoje, é relativamente "fácil" passar por uma cirurgia. A ciência e a medicina evoluíram o suficiente para que um paciente passe por esses procedimentos desacordado, quando necessário, e sem sentir dor. Porém, houve momentos no passado em que nada disso existia. Então, como eram feitas as operações sem anestesia?

Na era vitoriana, precisar de uma operação era praticamente o mesmo que uma sentença de morte, tamanho o choque da experiência. Um dos cirurgiões mais conhecidos da época, Robert Liston, já removeu uma perna em cerca de 25 segundos, por exemplo, uma vez que os procedimentos acabavam sendo bastante rápidos para não prolongar a dor e o desespero, reduzindo então o trauma.

Além de ser conhecido por ser rápido, Liston também ficou famoso por realizar cirurgias bem-sucedidas na mesma proporção em que eram intensas. Para a pessoa resistir à operação, os pacientes eram segurados em bancos de madeira por pessoas que trabalhavam como assistentes e que ajudavam ainda com os instrumentos de corte, suturas e curativos. Assistir a uma cirurgia era como presenciar um show de horrores, com pessoas gritando, chorando e suplicando, enquanto o médico ignorava o sofrimento e tentava finalizar o procedimento o mais rápido possível.

<em>Imagem: Reprodução/teksomolika/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/teksomolika/Freepik

Na época, não se falava sobre as vantagens das cirurgias rápidas, mas fato é que elas acabavam minimizando a exposição do organismo a micróbios e diferentes infecções. A parte ruim, no entanto, acabava superando, já que os movimentos do corte eram tão rápidos que poderiam provocar acidentes. Liston, inclusive, foi vítima de um deles: ele cortou os dedos acidentalmente e morreu de infecção, assim como o seu assistente.

Experiências com anestesias

No início do século 19, as cirurgias aconteciam apenas em último caso, como em situações de fratura exposta, por exemplo. Tudo isso acontecia muito antes de os médicos terem informações concretas sobre infecções, o que as causavam, entre outras condições que podem levar o paciente à morte em sala de cirurgia.

Quando descobriram drogas que induzem ao sono, então, as coisas ficaram mais tranquilas e um pouco mais seguras. A primeira vez em que houve uma tentativa bem-sucedida de usar um indutor do sono antes das operações aconteceu em 1846. William Morton, dentista, sintetizou éter a partir de uma mistura de álcool e ácido sulfúrico antes de fazer a remoção de dentes de um paciente.

A técnica do éter começou a ser usada em outros pacientes, mas ela também contava com grandes desvantagens, como em relação aos efeitos colaterais. Muitos pacientes acabavam tossindo muito e vomitando, correndo risco de vida, uma vez que é uma substância altamente inflamável, irritante e explosiva.

Depois do éter, veio outro experimento: clorofórmio. James Simpson, professor de obstetrícia da Escócia, colocava algumas gotas do líquido em lenços para os pacientes inalarem e ficarem inconscientes. Os problemas começaram a surgir quando algumas pessoas acabavam morrendo devido a essa inalação, e as mortes aconteciam pela dosagem errada da substância, que ninguém conseguia acertar.

Evolução

Stephanie Snow, uma historiadora da medicina da Universidade de Manchester, e também autora de livros sobre a história da anestesia, diz que na década de 1850 havia muita discussão sobre o uso dos anestésicos. Ela conta que o pioneiro da saúde pública da era vitoriana, John Snow, que inclusive é o bisavô de seu sogro, descobriu como administrar o clorofórmio sem ser de forma fatal, gerando apenas a inconsciência e não os riscos de morte. Para chegar nisso, ele conduziu testes em animais.

O uso de anestésicos para evitar que o paciente sentisse dor durante um procedimento cirúrgico se tornou uma questão a ser debatida. Na época, muitos médicos consideravam a dor essencial para saber se o paciente está vivo ou que estava lutando pela sobrevivência. "A dor era considerada uma função vital, então se você operar alguém, a dor vai ser como um estimulante para o corpo continuar passando pelo estresse da operação, conta Stephanie, dizendo ainda que John argumentava que a dor extrema também era um risco à sobrevivência.

<em>Imagem: Reprodução/Matías Ramos/Unsplash</em>
Imagem: Reprodução/Matías Ramos/Unsplash

Em 1853, John Snow usou clorofórmio na Rainha Victória para o nascimento do seu oitavo filho, alegando que a dor do parto era como a dor de uma cirurgia, e que as mães deveriam poder escolher entre sentir dor ou não. Até 1860, então, o uso do clorofórmio já era comum, com os pacientes recusando cirurgias se não fossem sedados. Esse uso acabou possibilitando o aumento da duração das cirurgias, assim como a exploração de novos procedimentos. Porém, com o pouco entendimento sobre assepsia, muitos pacientes morreram por infecção secundária.

No início do século 20, começaram a surgir os primeiros anestésicos locais derivados de opioides como a cocaína, e então os médicos começavam a se especializar como anestesistas. Em relação à anestesia geral, ainda eram usados o éter e o clorofórmio, muitas vezes combinados. O clorofórmio parou de ser usado, então, na década de 1930, com estudos mostrando que ele não era tão seguro quanto o éter.

E somente após a Segunda Guerra Mundial, junto às armas nucleares, surgiram as drogas e gases que são utilizados nas salas de cirurgia hoje. William Harrop-Griffiths, presidente do conselho de qualidade e pesquisa do Royal College of Anaesthetists, conta que os anestésicos usados hoje ainda são um tipo de éter, mas com uma adição química de flúor para deixar de ser inflamável e explosivo. Além da evolução das anestesias, os médicos descobriram novas maneiras de controlar a respiração dos pacientes durante a cirurgia, como a intubação durante um bloqueio geral.

Anestesia hoje

Hoje, os equipamentos usados por anestesistas permitem também o monitoramento do pulso, pressão arterial, oxigênio e dióxido de carbono. Há diferentes técnicas que permitem anestesiar apenas um pequeno local ou uma região maior, inervada por ramos mais abrangentes.

Alguns exemplos são as anestesias infiltrativas locais e de nervos periféricos (usadas, por exemplo, numa cirurgia de pé); as anestesias regionais, que compreendem os bloqueios peridurais e raquidianos (usadas em uma cesariana e em cirurgias em que se deseja bloquear membros inferiores e/ou abdomen); e a anestesia geral, usada para procedimentos mais invasivos e que, inclusive, pode ser inalada ou injetável por meio intravenoso. Além disso tudo, existem os sedativos, que funcionam como calmantes e induzem ao sono. Eles podem estar ou não associados a um anestésico.

Mesmo com todos esses progressos e com as cirurgias deixando de ser o sinônimo de brutalidade, os anestésicos ainda podem trazer algum risco, ainda que em probabilidades pequenas, com injeções dolorosas, iatrogenias (que podem levar a paralisias temporárias ou danos aos nervos, que podem durar dias ou até meses) ou ainda pessoas acordando na mesa de operação, por exemplo, além de choque anafilático. Por isso a profissão de anestesista se tornou tão importante no ramo da medicina.

Fonte: Canaltech

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