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#Verificamos: Trump não disse que imprensa brasileira ‘teme’ candidatura de um militar

Agência Lupa
·3 minutos de leitura
Trump não disse que imprensa brasileira ‘teme’ candidatura de um militar - Foto: Reprodução
Trump não disse que imprensa brasileira ‘teme’ candidatura de um militar - Foto: Reprodução

por ÍTALO RÔMANY

Circula nas redes sociais uma fala atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil. Segundo a publicação, o republicano disse que a imprensa brasileira “teme” mais a candidatura de um militar, em referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), do que a de um condenado por corrupção. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Trump não disse que imprensa brasileira ‘teme’ candidatura de um militar - Foto: Reprodução
Trump não disse que imprensa brasileira ‘teme’ candidatura de um militar - Foto: Reprodução

“A imprensa brasileira teme mais a candidatura de um militar do que a de um condenado por corrupção. Isso soa-me muito suspeito”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 13h do dia 21 de setembro de 2020, tinha mais de 1,2 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há registros que Donald Trump tenha feito tal afirmação. Na conta oficial do presidente americano no Twitter, não há nenhuma citação igual ou similar à apresentada na publicação. Não é possível encontrar, tampouco, registros dessa declaração na imprensa.

O post que circula nas redes sociais foi publicado originalmente em 2018, mas voltou a ser compartilhado em setembro de 2020. Originalmente, a imagem foi publicada em uma página de apoio a Bolsonaro, ainda durante as eleições presidenciais. Naquele ano, Trump fez ao menos uma menção ao presidente brasileiro na sua conta pessoal, mas somente depois da votação. Em 29 de outubro, um dia após o segundo turno, Trump publicou um tuíte no qual parabenizava a vitória do brasileiro. “Concordamos que o Brasil e os Estados Unidos trabalharão juntos nas áreas comercial, militar e tudo mais!”, afirmou.

A frase falsamente atribuída a Trump foi listada como uma das peças de desinformação identificadas no grupo Apoiadores de Jair de Bolsonaro, durante as eleições de 2018, por uma monografia do Curso de Comunicação Social, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “[O post fazia] referência a então possibilidade do ex-presidente Lula ser candidato. Assim, infere-se que a estratégia de tais fake news (FAA3 e FAA4) ao associar a imagem do capitão reformado com a do presidente americano foram manifestar a ideia que Bolsonaro é um político que simboliza a expansão do modelo neoliberal”.

Críticas ao Brasil

No início de junho deste ano, Trump criticou as políticas tomadas pelo Brasil no combate à pandemia da Covid-19. Na ocasião, o presidente americano havia dito que os EUA teriam até dois milhões de mortos se tivessem seguido o mesmo caminho da Suécia no enfrentamento ao coronavírus. E citou o Brasil como exemplo de país com problemas. “Se você olhar para o Brasil, eles estão passando por grandes dificuldades. A propósito, eles vivem citando o exemplo da Suécia. A Suécia está passando por um momento terrível. Se tivéssemos feito isso, teríamos perdido um milhão, um milhão e meio, talvez até dois milhões ou mais de vidas”.

Em agosto, durante entrevista ao Axios, na HBO, Trump voltou a criticar o Brasil. “Se você assiste às fake news na televisão, eles nem falam sobre isso, mas você sabe, existem outros 188 países que estão sofrendo proporcionalmente muito mais do que nós, tão ruins quanto nós… Neste momento a Espanha está tendo um grande aumento, e há um tremendo problema no mundo. Você olha para Moscou, olha o que está acontecendo com Moscou, olhe para o Brasil, olha o que está acontecendo nestes países”.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés