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Dona do Kwai mira no Baidu com plataforma de buscas com enfoque em vídeos

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A Kuaishou, empresa criadora da rede social Kwai, lançou um sistema de buscas voltado para o mercado da China no começo do ano. Agora, a Kuaishou Search optou por criar uma campanha na TV com o slogan “Respond to Every Lifestyle with Your Own Lifestyle" (Respondendo cada vivência com outras vivências, em tradução livre) e rivalizar com serviços já estabelecidos no mercado, como o Baidu.

A estratégia chama a atenção porque aplica recursos em uma mídia tão tradicional quanto à TV e aposta em uma ideia diferente dos mecanismos tradicionais. O serviço de pesquisas é orientado para entregar conteúdo de pessoas para pessoas, com um ideário bem similar a uma rede social e voltado para vídeos, porém com a experiência de um sistrema de buscas.

Kuaishou Search é um sistema de buscas voltado para vídeos e com um estilo diferente do tradicional (Imagem: Reprodução/36KR)
Kuaishou Search é um sistema de buscas voltado para vídeos e com um estilo diferente do tradicional (Imagem: Reprodução/36KR)

Em agosto, o número médio de pesquisas diárias na plataforma ultrapassou 300 milhões. Nos últimos dois meses, o volume de pesquisas testemunhou um aumento mensal de 31%, com enfoque para três categorias em especial: luxo, serviços virtuais e alimentação. De abril a setembro, o consumo médio diário de anúncios relacionados a serviços de pesquisa da Kuaishou cresceram 260%, enquanto a receita da companhia dobrou.

O que explica esse sucesso repentino e inesperado?

Parte desse sucesso se deve à forma diferenciada de abordagem utilizada pela companhia, que estimula a participação ativa dos usuários, incentiva conteúdos diversificados e foca em atributos sociais. A ideia é que as próprias pessoas produzam o buscador por intermédio da correspondência entre perguntas e respostas.

A empresa decidiu promover um programa de criadores voltado especialmente para finanças, economia, alta tecnologia, conhecimento automotivo e agricultura. A ideia foi reunir pessoas reconhecidas em diversas áreas do conhecimento da sociedade para produzir conteúdos de qualidade que respondessem a questões bem específicas.

É um modelo já feito pelo Baidu Know para enriquecer a base de conhecimento das informações das buscas com a promoção de perguntas e respostas, ao melhor estilo Yahoo Respostas. A diferença aqui é o foco nos vídeos, o que faz do Kuaishou um mecanismo único.

Busca por vídeos

A ideia agora é tentar aumentar o impacto dos vídeos curtos nessa soma, que já experimentou crescimento de 68,7% no último mês. Esse formato deve ajudar a mudar o comportamento de busca do modelo tradicional em texto e sites para algo voltado ao setor audiovisual. Segundo a companhia, hoje as pessoas estão acostumadas com a passividade do algoritmo de entrega de conteúdo, mas que isso não deve durar muito tempo.

A pesquisa é focada em vídeos curtos do Kwai (Imagem: Reprodução/36KR)
A pesquisa é focada em vídeos curtos do Kwai (Imagem: Reprodução/36KR)

O buscador, então, deve oferecer metodologias para o usuário encontrar o vídeo curto de sua preferência, não somente pesquisando pelo nome de usuário em uma rede social, mas ao descrevê-lo em uma ferramenta capaz de fazer a localização. Pesquisa realizada pela Aurora Mobile revelou que 68,7% dos usuários pesquisam através de plataformas de vídeo curtos, atrás apenas dos 71,5% que utilizam as plataformas de pesquisa independentes, como o Google e o Bing, para fazer suas buscas.

A ByteDance, dona do TikTok, também possui projetos no campo de busca de conteúdo, com busca in-app e busca na web independente. A empresa investiu em uma plataforma chinesa semelhante à Wikipedia, no intuito de enfrentar a Baidu na temática de buscas na internet.

Com uma vida cada vez mais agitada, as pessoas preferem perder 30 segundos em um vídeo rápido do que cinco minutos em uma leitura de site ou blog. É nesse fenômeno que a Kuaishou Search aposta para criar uma imensa "videopedia". Se der certo na China, é provável que o "buscador Kwai" desembarque em outras regiões do mundo, caso contrário o jeito é se contentar com o Google, que anunciou recentemente a intenção de publicar os vídeos curtos nos resultados.

Fonte: Canaltech

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