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Dona da TIM pode ser vendida por US$ 12 bilhões a fundo dos EUA

·3 min de leitura

O fundo de investimentos KKR apresentou neste domingo (21) uma proposta de US$ 12,2 bilhões para a compra da Telecom Italia, dona da TIM Brasil. A proposta foi encarada como amigável pela empresa de telecom e ainda depende de uma auditoria que deve durar quatro semanas, bem como do aval do governo italiano, para ser concretizada. Desde já, porém, este deve ser o assunto da semana no noticiário econômico.

Um dos motivos para isso é que estamos falando da maior aquisição de uma empresa privada europeia da história. Caso o valor ofertado pela KKR seja concretizado, o fundo de private equity estaria oferecendo um ganho de 45% sobre cada ação da Telecom Italia, na comparação com o fechamento do pregão de sexta (19), levando o valor da operadora a US$ 12,03 bilhões.

A negociação ainda está em andamento e, como dito, não deve ser concluída em 2021. Por outro lado, os olhos já se voltam para a TIM Brasil, com analistas de mercado apontando que a operação brasileira deve ser vendida após a conclusão e aprovação da compra da Telecom Italia pela KKR. De acordo com apuração do Valor junto à Ativa Investimentos, o motivo para isso seria o interesse dos principais acionistas da empresa italiana, com um movimento que também deve demorar para acontecer.

Por enquanto, o quadro de diretores da Telecom Italia não deu sinais positivos nem negativos quanto à aquisição, mas ela já está fazendo bem às ações, que apresentam alta de 29,8% já no pregão desta segunda (22) na Bolsa de Valores de Milão. Boas notícias, também, no Brasil, com os papéis da TIM abrindo as negociações em alta de 4,5%, um reflexo direto da notícia internacional.

Hoje, a KKR já é detentora de 37,5% das ações da Telecom Italia, mas agora pretende assumir o controle da companhia como um todo. Uma das ideias para essa nova gestão seria separar os negócios de redes e os setores corporativos dos negócios voltados aos consumidores, como forma de agregar mais valor às ofertas e potencializar a performance das adquiridas. Isso vale especialmente para uma companhia que vem apresentando resultados abaixo do esperado e já alertou acionistas sobre quedas no rendimento para os próximos trimestres.

<em>Operação brasileira da TIM faz parte de negócio internacional, com analistas apostando em uma venda posterior da porção nacional da empresa (Imagem: Divulgação/TIM)</em>
Operação brasileira da TIM faz parte de negócio internacional, com analistas apostando em uma venda posterior da porção nacional da empresa (Imagem: Divulgação/TIM)

Por outro lado, não estamos falando de um campo exatamente fértil, com a Telecom Italia já tendo sido fruto de batalhas entre fundos de investimentos e até operadoras estrangeiras, que brigaram ao longo dos últimos anos pelo controle da empresa. Entre os envolvidos em disputas recentes estiveram a Telefónica, da Espanha, e a AT&T, também dos EUA; a oferta da KKR também chamou a atenção de outros fundos de investimento, com nomes como CVC e Advent não confirmando nem negando estarem dispostos a fazerem uma oferta.

“Bons olhos”

Além da guerra corporativa, outro ponto focal da possível aquisição da Telecom Italia pela KKR é a aprovação governamental, que já disse enxergar a proposta como uma boa notícia. Em comunicado oficial, o departamento do tesouro italiano disse que a notícia é positiva para o país e que, apesar de cautelas recentes quanto à compra de companhias locais por estrangeiros, avaliaria a questão com cuidado.

Mais do que isso, a compra teria soado como interessante para os projetos de expansão da rede de telefonia na Itália, parte de um plano de recuperação econômica do país. Desde já, entretanto, o governo disse não estar disposto a abrir mão de infraestruturas estratégicas, como redes primárias e cabos de alta densidade, mas disse que acompanhia as negociações de perto.

Um caminho para lidar com a questão, de acordo com o Financial Times, seria a separação da Telecom Italia em duas empresas, com os negócios relacionados a infraestruturas essenciais sendo passados ao controle de empresas estatais italianas. Tais questões também devem fazer parte das conversas que devem acontecer ao longo das próximas semanas, enquanto a própria operadora também realiza suas auditorias e discussões sobre o assunto.

Fonte: Canaltech

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