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Dólar comercial atinge maior patamar desde 2016. Entenda a valorização da moeda frente ao real

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Por Fernanda Santos

O dólar comercial subiu novamente frente ao real nessa terça-feira (8) e fechou o dia cotado a R$3,569, com alta de 0,45%. Na véspera, a moeda americana avançou 0,82%, alcançando seu maior patamar desde junho de 2016. Entre fevereiro e abril, a alta do dólar sobre o real chegou a 10%.

Expectativas sobre os juros dos Estados Unidos, comportamento do euro e incertezas eleitorais no Brasil são as principais explicações para a recente valorização da moeda americana. O Yahoo conversou com especialistas para entender melhor essas causas. Confira.

  • Aumento dos juros dos Estados Unidos

O Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) sinalizou recentemente que a taxa de juros americana, hoje entre 1,5% e 1,75%, deve passar por dois aumentos ainda em 2018. Algumas autoridades monetárias acreditam que serão três os reajustes para cima.

Para Mauro Rochlin, professor de MBA da FGV, o aumento dos juros deverá vir como forma de controlar uma já prevista alta da inflação. “Em primeiro lugar, temos a reforma fiscal do governo Trump que aumentou o déficit fiscal americano, ou seja, o gasto público. Com esse impulso, o crescimento dos Estados Unidos será acelerado, elevando também a inflação”.

A guerra comercial com a China e o fim do acordo nuclear com o Irã também devem contribuir. “Os Estados Unidos vão voltar a embargar comercialmente os iranianos e o petróleo é o principal produto de exportação. Isso vai reduzir a oferta de petróleo no mercado internacional e a tendência do preço é aumentar, pressionando a inflação americana”, explica.

E por que o dólar sobe?

A taxa de juros de um país (Selic, aqui no Brasil) determina basicamente quanto o governo paga aos investidores que emprestam dinheiro à União por meio da compra de títulos públicos.

Com o aumento dos juros dos Estados Unidos, investidores do mundo todo serão atraídos pela melhora nos rendimentos. Mas para comprar títulos do governo norte-americano, antes é preciso comprar dólares. “Quando os aplicadores se desfazem das suas moedas e adquirem dólares, o dólar fica valorizado em relação às outras moedas”, explica o professor da FGV.

Em outras palavras, o dinheiro dos investidores sai de países como o Brasil e migra para os Estados Unidos. Esse movimento de venda do real, no caso, e compra massiva de dólar faz o preço da moeda americana subir.

Mas se os juros brasileiros estão hoje em 6,5%, enquanto os americanos chegam a 3% no longo prazo, por que investir no Brasil não é mais vantajoso?

Por causa da segurança. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e, portanto, a mais segura. Por isso, um aumento dos juros por lá tornará os títulos do governo americano mais atraentes na comparação com títulos de outros países, ainda que haja juros mais altos no mercado.

  • A influência do Euro

O especialista em Forex (Foreign Exchange) Leonardo Hermoso explica que o Euro também tem papel fundamental na alta do dólar. Isso porque no mercado mundial de câmbio, onde trilhões de dólares são negociados todos os dias, as operações são feitas em pares de moedas – ou seja, compro uma moeda e vendo outra (ou vice-versa) em operações de curto prazo, levando em conta as oscilações de preço do mercado.

A principal moeda negociada junto ao dólar é o euro. “O euro é a contraparte do dólar. Basicamente, o dinheiro dos investidores ou vai para o mercado europeu ou vai para o mercado americano”, explica.

Recentemente, a União Europeia anunciou que pretende manter suas taxas de juros pelos próximos meses – o que derruba ainda mais a atratividade do euro perante o dólar já forte. Investidores do mercado de câmbio começaram, então, a encerrar suas posições de venda do dólar para começar um movimento mais lucrativo: comprar dólar e vender euro. Esse cenário também faz o preço do dólar subir.

  • As incertezas eleitorais no Brasil

Por fim, o ambiente interno brasileiro também está influenciando na alta do dólar. Os investidores temem que o próximo presidente do país não dê sequência às reformas fiscais em curso no Congresso, como a reforma da Previdência.

“Não se tem clareza se o candidato vencedor estará ou não comprometido com o ajuste fiscal e essa dúvida pressiona o câmbio, pois os agentes econômicos brasileiros ficam receosos da capacidade de adimplência do governo brasileiro”, afirma Mauro Rochlin.

A falta de ajustes poderia comprometer as contas do governo e, por consequência, sua capacidade de cumprir a dívida com seus investidores. Por isso, o dólar é tido como porto-seguro na comparação com o real, uma vez que o governo norte-americano é um pagador mais confiável que o brasileiro.