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Dois jovens são mortos em ataque a tiros na periferia de SP

Brayam (à esq.) e Felipe conversavam com amigos quando foram baleados | Foto: Arquivo pessoal

Por Arthur Stabile

Dois jovens morreram em um ataque a tiros na noite desta terça-feira (18/3) em Cidade Tiradentes, bairro no extremo leste da cidade de São Paulo. Eles estavam em um bar quando foram atacados.

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas conversavam com amigos por volta de 22h15, na rua Apóstolo Tiago Maior, quando quatro homens em duas motos passaram pelo local e, sem qualquer aviso, os garupas começaram a atirar em direção ao grupo. Na sequência, fugiram. No registro da ocorrência não há maiores detalhes sobre os veículos utilizados pelos criminosos.

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Os disparos atingiram Brayam Ferreira dos Santos, 16 anos, que é negro, e Felipe Santos Miranda, 18. Ambos foram socorridos para o Pronto Socorro Santa Marcelina, no mesmo bairro, mas não resistiram aos ferimentos.

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) é responsável pela investigação do caso. Inicialmente, os policiais encaram o crime como duplo homicídio qualificado pela impossibilidade de defesa das vítimas.

A reportagem questionou a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), administrada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), sobre os ataques, mas não obteve resposta até o momento.

Ponte tentou contatar o 49º DP (São Mateus), responsável pelo registro da ocorrência, para obter informações, mas o delegado estava em investigação nas ruas, segundo um dos agentes, que informou não saber detalhes do caso.

Os crimes geraram apreensão nos moradores do bairro e em quem trabalha na Cidade Tiradentes. Há o temor de novos ataques. “Toma cuidado vocês na rua, hein?! Está moiado [perigoso]”, alerta um homem em um áudio de Whatsapp enviado em um grupo de moradores do bairro.

Uma mulher que trabalha em Tiradentes também destaca a sensação de medo. “É tudo muito nebuloso. Eles mandaram o recado que vão fazer novamente e é aleatório. Não é uma cobrança direcionada, sei lá, alguém que está devendo… Estão andando, veem alguém, acham suspeito e estão atirando”, desabafa. “É uma forma de extermínio”.

Em conversa com a Ponte, uma outra mulher, que pediu anonimato, explicou que ao menos três ataques ocorreram na noite de quarta-feira (19/1). “São muitas informações, geram até boatos. A conversa entre os jovens é que terá mais [ataques]. Além do problema do vírus [pandemia que tem feito as pessoas ficarem em casa], a partir das 20h ninguém sai de casa por medo”.

A reportagem questionou a Secretaria de Segurança Pública de SP sobre o andamento das investigações do caso, mas, até a publicação, não havia retorno.