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Doença de Haff | Xixi preto pode ser um alerta para sua saúde; entenda!

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

Na Bahia, uma doença pouco conhecida — associada ao consumo de peixes e responsável por deixar o xixi "preto" — já faz mais de uma dezena de pacientes. Na última sexta-feira (13), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) confirmou o décimo terceiro caso da Doença de Haff diagnosticado desde o início do ano. De acordo com a pasta, o novo registro foi identificado na região metropolitana de Salvador, especificamente, na cidade de Dias D’Ávila.

De acordo com a Sesab, o paciente está internado em um hospital privado na capital do estado. No entanto, não foram divulgadas informações sobre seu estado de saúde. Um dia antes, na quinta-feira (12), três outros casos foram confirmados em Camaçari, outra cidade localizada na região metropolitana de Salvador. Também não há detalhes sobre o estado de saúde desses pacientes.

Doença de Haff é conhecida por deixar o xixi preto e está associada ao consumo de peixes (Imagem: Reprodução/ Ulrike Leone/ Pixabay)
Doença de Haff é conhecida por deixar o xixi preto e está associada ao consumo de peixes (Imagem: Reprodução/ Ulrike Leone/ Pixabay)

Afinal, o que é a Doença de Haff?

Descrita pela primeira vez no ano de 1924, por médicos da região de Königsberg Haff — onde está localizada atualmente a cidade russa de Kaliningrado —, as causas da Doença de Haff ainda são um mistério para a ciência. Isso porque são poucos detalhes conhecidos dessa doença, exceto uma súbita condição de rigidez muscular e a urina escura. Outro fato é associação ao consumo de peixes — na maioria dos casos, de água doce.

"Devido à ausência de febre e pelo rápido início dos sintomas após ingestão de peixe cozido, acredita-se que a doença de Haff seja causada por uma toxina. Foram propostas diversas etiologias tóxicas para a doença, no entanto, nenhuma foi confirmada", explicam pesquisadores do Hospital São Lucas Copacabana, no Rio de Janeiro, em artigo publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Entre as possibilidades, essa toxina pode vir do próprio corpo do peixe — ideia menos provável —, ter sido consumida pelo peixe ou o peixe ainda pode ter sido contaminado pelo ambiente.

Em comunicado, o Centro Informação Estratégica em Vigilância em Saúde da Bahia (CIEVS) explica: "A Doença de Haff é uma síndrome de rabdomiólise (ruptura de células musculares) sem explicação, e se caracteriza por ocorrência súbita de extrema dor e rigidez muscular, dor torácica, falta de ar, dormência e perda de força em todo o corpo, além da urina cor de café, associada a elevação sérica de da enzima CPK, associada a ingestão de pescados. A doença pode evoluir rapidamente com insuficiência renal e, se não adequadamente tratada, levar ao óbito".

O que fazer em casa de suspeita?

Segundo as orientações divulgadas pela Sesab, em caso de suspeita e aparecimento dos primeiros sintomas, o paciente deve buscar uma unidade de saúde imediatamente. Além disso, a recomendação é que a pessoa identifique outros indivíduos que possam ter consumido o mesmo peixe ou crustáceo para captação de outros possíveis novos casos da doença. Também é fundamental ingerir água e manter o corpo hidratado.

Casos da Doença de Haff são identificados na Bahia e estão associados ao consumo de peixes (Imagem: Reprodução/ Gerhard G./ Pixabay )
Casos da Doença de Haff são identificados na Bahia e estão associados ao consumo de peixes (Imagem: Reprodução/ Gerhard G./ Pixabay )

Quanto aos profissionais de saúde, a secretaria indica que médicos observem a cor da urina do paciente com um sinal de alerta e o desenvolvimento de rabdomiólise, pois neste caso, o paciente deve ser rapidamente hidratado durante 48 a 72 horas. Além disso, há exames específicos que auxiliam na verificação da doença.

Alerta na Bahia para a Doença de Haff

Diante dos últimos casos da Doença de Haff, a Sesab emitiu um alerta sobre a condição. “Nós estamos emitindo alerta para os profissionais de saúde para ficarem atentos às pessoas com esses sintomas. Com esse alerta é possível que comecem a procurar outros casos suspeitos. Toda vez que você emite alertas, as pessoas prestam mais atenção e os médicos devem estar atentos e notificar”, comentou o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas Boas.

Segundo levantamento do G1, em 2017, vários casos da doença também foram registrados na Bahia. Na época, os médicos concluíram, por exclusão, que os pacientes estavam com a Doença de Haff. Curiosamente, o consumo teria sido de peixes de água salgada, até então uma exceção para a doença, como o olho de boi (Seriola spp) e badejo (Mycteroperca spp). Atualmente, a nova onda de casos tem relação com os peixes de água salgada, também.

No ano de 2018, um surto de 27 casos da Doença de Haff ocorreu durante quatro meses no Norte do Amazonas. Na época, os casos estavam envolvidos com o consumo de peixes de água doce, como o pacu-manteiga (Mylossoma duriventre), o tambaqui (Colossoma macropomum) e a pirapitinga (Piaractus brachypomus). Em outras partes do mundo, a doença é mais relacionada com este tipo de consumo.

Para ler o relato de caso da Doença de Haff, publicado anteriormente pelos pesquisadores do Rio de Janeiro, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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