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Documentário aponta trabalho escravo brasileiro em produção de ursinhos de gelatina

Pixabay

Um documentário veiculado nesta semana na Alemanha liga a fabricante de ursinhos de gelatina Haribo à utilização de trabalho escravo no Brasil. O vídeo mostra as condições precárias a que é sujeita a produção de ingredientes das balas, chamadas pelos alemães de “gummibärchen”, além de outros produtos. De acordo com os autores do documentário, a extração da cera de carnaúba, realizada em território brasileiro, é comprada em fazendas onde os trabalhadores recebem até R$ 40 por dia, depois de ficarem longas horas sob o sol, sem nenhum tipo de proteção e utilizando equipamentos pesados. Além disso, a planta possui espinhos que podem cortar essas pessoas.

Ainda segundo o documentário, os trabalhadores são forçados a dormir em contêineres ou mesmo ao ar livre, não possuem banheiros e nem água potável. Em alguns casos, são menores de idade que executam o serviço. “Os trabalhadores são tratados como objetos, pior que animais. Fico imaginando como os pais dessas crianças se sentiriam se elas soubessem que essas balas têm o DNA do trabalho escravo”, afirma Sergio Carvalho, funcionário do Ministério do Trabalho em Fortaleza.

AP Photo/Markus Schreiber

Cera de carnaúba

Utilizada pela Haribo para impedir que as balas de gelatina se grudem, a cera de carnaúba também está presente em óleos automotivos, fio dental e ceras para sapatos. A exportação desse produto seria responsável por lucros de US$ 118 milhões por ano.

Maus tratos

O vídeo denuncia ainda os maus tratos a porcos, em fazendas no norte da Alemanha, que vendem peles dos animais que acabam se tornando gelatina. Em alguns locais, os porcos foram flagrados com feridas abertas, em meio a excrementos, moscas e vermes.

Questionada, a Haribo afirmou que não sabia das violações, mas que pretende abordar o problema com os fornecedores. “Somos uma empresa que quer levar alegria para crianças e adultos. Não podemos aceitar o desrespeito a normas sociais e éticas”, declara.