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Documentação, credores e conselheiros. Cruzeiro terá dificuldades para vender imóvel

Conselho deliberativo do Cruzeiro vai votar sobre venda de imóvel do clube (Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Superintendente de relações institucionais e governamentais do Cruzeiro, o deputado estadual Léo Portela, praticamente deu um ultimato aos conselheiros sobre a venda da Sede Campestre 2, um imóvel do clube localizado no Bairro Santa Branca, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Na visão do político e agora dirigente, ou a Raposa desfaz desse patrimônio, para quitar a dívida com o Al-Wahda, dos Emirados Árabes, pelo empréstimo do volante Denílson, ou pode ser rebaixada para a Série C do Campeonato Brasileiro. No entanto, a tarefa não será das mais fáceis.

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A pressão feita por Léo Portela tem como alvo os conselheiros do Cruzeiro. Está marcada para 3 de agosto uma reunião para que seja aprovada ou não da venda do imóvel. O local é subutilizado, servindo basicamente como estacionamento da Sede Campestre, que é um clube social do Cruzeiro. E é no conselho deliberativo que acontece o primeiro problema, por interpretações diferentes do estatuto do clube.

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No entendimento da gestão atual, é necessária a aprovação de 90% dos conselheiros presentes na reunião, o que não seria um grande problema para conseguir essa aprovação. No entanto, uma ala de conselheiros tem outra interpretação, de que na verdade é preciso o aval de 90% de todo o conselho, o que tornaria a venda praticamente inviável. Em tempos de pandemia causada pelo coronavírus, dificilmente o Cruzeiro conseguiria quórum suficiente, considerando que quase 70% dos membros do conselho estão no grupo de risco da doença, acima dos 60 anos.

A eleição de Sérgio Rodrigues para presidente do clube é um exemplo. No fim de maio, já durante a pandemia, 351 conselheiros escolheram o novo mandatário. Como o Cruzeiro tem mais 400 conselheiros, o número da eleição passada seria insuficiente para atingir 90% do total.

Em março, a Fifa determinou que o Cruzeiro tinha até 16 de maio para quitar a dívida com o Al-Wahda, no valor de 850 mil euros (cerca de R$ 5,3 milhões), mas o clube mineiro não pagou e por isso vai começar a Série B com seis pontos negativos. Uma nova data será estipulada pela entidade máxima do futebol para que o pagamento seja feito. Caso não cumpra o segundo prazo, o Cruzeiro será rebaixado. É daí que vem a urgência para levantar recursos.

De acordo com especialistas, o terreno em questão está avaliado em R$ 7 milhões. Caso a venda seja aprovada no conselho e a Raposa consiga o valor integral, a quantia seria mais do que suficiente para quitar o débito com os árabes. Mas é aí que aparece outro problema para a diretoria resolver. O clube acumulou dívidas nos últimos anos, tanto que o balanço financeiro da temporada passada apontou déficit de R$ 394 milhões, algo nunca visto no futebol brasileiro.

A simples possibilidade de o Cruzeiro negociar um imóvel fez com que alguns credores já se movimentassem. E a diretoria executiva sabe que terá de enfrentar algumas disputas na Justiça para evitar que a o dinheiro seja bloqueado, em caso de negociação do patrimônio.

Para completar, a situação da Campestre 2 não é regular. Neste momento, o Cruzeiro não conseguiria fazer a venda, mesmo que autorizado. O clube já trabalha para regularizar toda a documentação, inclusive com a quitação de impostos atrasados. O custo desse processo ficará entre R$ 70 mil e R$ 100 mil. A situação irregular não é exclusividade da Campestre 2, os demais imóveis do clube estão em condições semelhantes.

Veja mais sobre futebol mineiro no Blog de Victor Martins

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