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Documentário usa psicologia familiar para traçar identidade cultural da Ucrânia em guerra

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Logo depois da implosão da União Soviética e da aparição da Rússia e da Ucrânia como países separados, uma senhora ucraniana, moradora da Crimeia, conta ter entrado num táxi e informado seu destino falando em russo. O motorista, patriota indignado, disse que não a levaria se ela não falasse em ucraniano.

Outra discorre sem culpa alguma sobre uma tola idiossincrasia. "Sou capaz de esfolar o primeiro russo que me aparecer na frente, mas, na hora de falar e de pensar, minhas palavras estão todas estruturadas em russo." As duas personagens são reais e interpretam a si mesmas no documentário "Relações Próximas", de Vitali Manski, ele próprio na tela como parte do enredo.

O filme esteve na programação da última edição do festival É Tudo Verdade.

Manski nasceu e viveu até os 18 anos na cidade ucraniana de Lviv, oeste do país. Ele a deixou para estudar cinema em Moscou. Tornou-se cidadão russo e rodou 17 filmes a partir de 1990. Em 2015 voltou a Lviv para visitar a mãe.

Ele é agora, coisa bizarra, um cidadão de nacionalidade estrangeira e se depara com dificuldades da primeira versão de um conflito bélico na Ucrânia. E não é uma questão retórica. A Rússia anexou a Crimeia e patrocinou uma guerra civil em que províncias do leste tentam se separar de Kiev e aderir de mala e cuia ao regime de Moscou.

É um cenário parecido ao da atual deflagração, que no entanto é bem mais sangrenta, porque os russos invadiram a Ucrânia com o projeto de destruí-la materialmente e inviabilizá-la em termos demográficos.

Permitir que os relógios recuem em seis anos para entender a atual guerra foi um estratagema involuntário durante o qual Manski se debateu com suas raízes culturais, para entender um ódio mútuo (russos/ucranianos) que no passado o comunismo escondia por debaixo da fraternidade proletária.

O diretor entrevista só amigos e parentes, para que se obtenha um retrato cultural em que a psicologia familiar é mais importante que a geopolítica. A ideia foi construir um espaço de palavra sem autocensura.

Enquanto descasca legumes, a mãe de Lanski filosofa sobre a guerra. "Toda resposta leva a uma nova pergunta, e tudo isso é muito complicado." Sem querer ela enuncia a ideia de circularidade que estará presente ao longo de todo o documentário.

A identidade cultural percorre esse círculo. Ela é ao mesmo tempo austro-húngara, letã, polonesa e russa. Um camponês diz não ter certeza se um dia encontrou alguém etnicamente não misturado. Uma cidade como Sebastopol, diz o narrador, reúne ao mesmo pé o cosmopolitanismo de comerciantes judeus e intelectuais que escrevem em russo.

Ao desorganizar a produção, a guerra dolarizou a economia. Em Odessa --e estamos na Ucrânia-- dois operários que reformavam o apartamento da irmã do cineasta desapareceram por um ano. E reapareceram para trabalhar por US$ 45 semanais. É barato, diz o cunhado de Manski. Os mercenários que combatem ao lado dos separatistas ganham US$ 1.200 por mês, e os oficiais, até US$ 4.200. Uma tia do cineasta discute com a filha quantos dólares reservar no orçamento para interurbanos.

Enquanto assistem da mesa de um café a passagem do enterro de um dignitário, duas jovens bem-vestidas e maquiadas relatam uma anedota familiar. O pai de uma delas ligou para o mecânico e pediu a ele que trocasse o óleo do carro. O homem, ao celular, atendeu na trincheira. Virou soldado separatista pró-Rússia. Mas como é que deixam um combatente falar ao celular? Acontece.

Há um soldado na família do cineasta. Ou melhor, um jovem que é convocado pelo Exército ucraniano. Sua mãe acreditou por alguns momentos que ele passaria por um campo de treinamento. Alguém sugere, no entanto, que o aprendizado do recruta será o combate. Surgem então informações alarmistas. Uma tia se refere às covas com 300 soldados que jamais serão declarados. É por desorganização e para não fazer alarde.

Estamos na capital, Kiev. Um antigo ônibus desativado funciona como bilheteria para, por US$ 8, vender ingressos para uma excursão à residência particular do ex-presidente Viktor Ianukovitch --então exilado na Rússia, depois de flertar com a entrada da Ucrânia na União Europeia.

Os jardins e o palácio são esplendorosos, estilo Versalhes, "com 800 empregados", os salões revestidos por um piso de madeiras raras. Há um dolorido contraste entre esse luxo e o despojamento dos bairros residenciais construídos durante o comunismo, blocos acinzentados e sem atrativos arquitetônicos.

Por meio deles, a Ucrânia é um país desprovido de charme ou beleza, sem flores nos jardins ou estátuas que quebrem a monotonia da paisagem pobre. Uma pobreza de padrão europeu, que os mísseis russos agora transformam em ruínas.

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