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Divórcios da pandemia: “Ele perdeu o brilho nos olhos e convivência ficou impossível”

Priscila Carvalho
·5 minuto de leitura
Segurando a Onda - Os casais que se separam na pandemia (Arte: Ferilustra/Yahoo Brasil)
Segurando a Onda - Os casais que se separam na pandemia (Arte: Ferilustra/Yahoo Brasil)

“Ele surtou”. É como *Marina B, 36 anos, define a reação do ex-namorado na quarentena que começou em março de 2020 e segue no Brasil, que possui recordes de mortes por conta covid-19. A publicitária conta que o casal já estava junto há pouco mais de três anos e resolveu dividir o mesmo apartamento no meio da pandemia.

Como sempre se davam bem, os dois achavam que conviver e dar apoio um para o outro seria fundamental diante do isolamento. Porém, para a surpresa de Marina, o ex-companheiro começou a ter ataques de fúria. “Ele não lidou bem com o fato de não poder ver os pais e familiares por conta da covid. Começou a ficar muito agressivo e quebrou várias coisas dentro de casa. Fiquei muito assustada com aquilo”, relata. O texto faz parte do projeto editorial "Segurando a Onda".

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A situação só piorava e os surtos eram constantes. “A gente começou a se desentender muito e a convivência ficou cada vez mais difícil.” Segundo ela, a pandemia só agravou e deixou bem claro que os dois não “funcionavam” mais.

Marina relembra ainda que ele tinha muito medo de ficar doente, não saía de casa e os problemas psicológicos que nunca foram tratados só pioraram. “Ele já tinha tido outros surtos, mas acho que sofria sozinho. Ele perdeu o brilho nos olhos e a convivência começou a ficar impossível.” Naquela época, ele chegou a procurar ajuda psicológica, mas as crises não melhoraram.

Fim da relação

A publicitária conta que percebeu que o casal era feliz diante dos bons momentos, mas na hora de ficar o tempo todo junto, com dificuldades, a situação era diferente. “Hoje, vejo que nós já tínhamos problemas como namorados e ficar junto o tempo todo deixou isso claro. A gente se dava bem, porque ia em restaurante, cinema, bar. Mas morar junto mostrou que já tínhamos diferenças”, relembra.

Em julho do ano passado, depois de inúmeras brigas, ela resolveu dar um ponto final na relação e os dois decidiram que o término ia ser a melhor escolha. “Foi muito difícil para ambos, porque ele teve que sair, procurar apartamento e eu ainda tive que ficar sozinha”, desabafa.

Na época, para encarar o luto do relacionamento, ela mergulhou de cara no trabalho e usava remédios para dormir. “O fim do namoro me dói menos hoje, mas antes ficava frustrada.” Além disso, ela também se afastou das redes sociais para tentar não se machucar diante da felicidade dos outros.

Começou e terminou na pandemia

O dançarino Rodrigo Aguiar, 28 anos, encarou uma separação na pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)
O dançarino Rodrigo Aguiar, 28 anos, encarou uma separação na pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Durante dois meses, o dançarino Rodrigo Aguiar, 28 anos, tentou manter um relacionamento à distância com o namorado. Mas, devido à pandemia, os encontros estavam cada vez mais difíceis. “A gente se conheceu pelo Instagram em outubro e teve o primeiro encontro no Rio de Janeiro e engatamos um namoro”, diz.

Como Rodrigo era de Goiás e o ex-companheiro de Minas Gerais, eles se viam uma vez por semana. Mas a pandemia agravou a convivência e o que antes era visitas constantes foram ficando mais espaçadas.

Outro problema eram as discussões frequentes e que estavam desgastando o relacionamento, já que eles ficavam muito em casa, começavam a brigar e ficar cada vez mais com ciúme um do outro. “Nós dois trabalhávamos com eventos e por causa da pandemia, não tínhamos mais o que fazer. Acho que se estivéssemos o tempo todo trabalhando, a gente ia manter a cabeça ocupada, não ia ficar pensando besteira e querendo brigar”, afirma.

Até quando se encontravam, as discussões ocorriam. “Estava tudo fechado e não tinha muito para onde sair, então era só nós dentro de casa. Bem ruim.”

Depois de vários desentendimentos, ambos decidiram terminar o namoro. “Tirei um peso das costas e foi melhor assim”, conta. Ele acredita ainda que se não fosse a pandemia e as dificuldades de encontro, a relação teria tomado outro rumo.

Como encarar o término nessa fase

Os divórcios da pandemia (Arte: Ferilustra/Yahoo Brasil)
Os divórcios da pandemia (Arte: Ferilustra/Yahoo Brasil)

Assim como encarar a perda de alguém, os relacionamentos também passam por diversas fases de luto.

No começo, é mais difícil aceitar e muitas vezes vem acompanhado do sentimento de negação. “A pessoa vai ficar com raiva, pensar que fez algo errado e ainda ter sentimentos de culpa, o que é super normal. Por isso é bom encarar e refletir sobre esse momento”, reforça Andrea Valente, professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

A especialista ainda pondera que é muito comum alguns casais emendarem uma relação na outra, sem ter tempo de processar o término anterior e buscando um consolo em um novo parceiro. Segundo Valente, isso não é o mais indicado e só gera falsas sensações.

Outro erro bem comum é se apegar somente às coisas boas do relacionamento. Valente reforça que se houve um motivo para o término, tente focar nisso. “Por mais que existam lembranças boas, é fundamental pensar porque a decisão de acabar foi tomada, justamente para não cair no erro de uma reconciliação que não existe mais.”

Ellen Moraes Senra, psicóloga clínica e especialista em terapia cognitivo comportamental, explica que a pandemia pode, sim, piorar a convivência de um casal, porém, ela não é a única culpada. “O que acontece muitas vezes é que o relacionamento já estava ruim e desgastado, e por isso provoca o término mais rápido. Muitas vezes só o casal que não quer ver”, alerta.

Para ambas, ao tentar sair desse ciclo de forma saudável, é fundamental ter em mente que isso vai passar e, caso não consiga sair disso sozinho, procure ajuda de um profissional de psicoterapia. Além disso, é importante focar nas coisas que o fazem conviver bem com aqueles sentimentos como assistir sua série preferida, cuidar da autoestima, fazer coisas sozinho.

*nome trocado a pedido da fonte