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Dívidas ou experiência: qual lição ficou da sua Black Friday?

É preciso ter planejamento para não se enroscar em dívidas em promoções como Black Friday (Getty Images)

Qual foi o resultado da Black Friday 2019 nas suas finanças? Você conseguiu economizar com boas ofertas? Ou não se planejou nada, foi pego por todas as promoções de produtos que provavelmente nem precisava e caiu no endividamento? Ou ainda pior: se afundou ainda mais nas dívidas que já tinha? Infelizmente, esses tipos de promoções são verdadeiras armadilhas para quem não controla os gastos. Mas podem se transformar em uma boa oportunidade para dar uma “virada” nas contas.

Agora pode ter batido aquele remorso, e você está pensando no tanto de dinheiro gasto quando não podia, mas nada adianta “chorar sobre o leite derramado”. Em meio à culpa, vejo muitas pessoas usando o sentimento como justificativa para uma paralisação ao invés de se verem desafiadas para começar a agir de forma mais consciente. Mudança de hábito é algo doloroso e, assim como uma dieta, começa com pequenos passos rumo a uma vida mais saudável. 

Gosto de fazer esse paralelo porque cuidar melhor do dinheiro é mesmo como uma reeducação alimentar. Não dá para tomar atitudes radicais que não se sustentam. O ideal é ir mudando aos poucos até atingir uma rotina que seja adequada para seu estilo de vida. E tudo bem. Estar endividado em uma cultura que ainda não aprendeu a poupar e que engatinha na educação financeira é normal. O que não dá é para continuarmos nesse caminho.

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Eu acredito que duas crenças fortes e, de certa forma, contrárias dessa cultura precisam ser urgentemente combatidas. Se, por um lado, consumo não necessariamente traz felicidade, a privação também não é sinônimo de saúde financeira. O equilíbrio é a chave dessa e de todas as outras balanças que temos na vida. O ideal é que você tenha consciência das escolhas financeiras que está fazendo e, com isso, saiba arcar com suas consequências. Vamos aos principais conselhos:

Em primeiro lugar, a palavra de ordem é o planejamento. Não dá para sair gastando sem saber o quanto tem e descobrir, na metade do mês, que não há suficiente para o restante. Precisamos ter conhecimento sobre cada item que compramos ou que faz parte de nossas despesas diárias. O jeito é anotar mesmo e se organizar.

Passando dessa fase, a próxima ação é priorizar. Só depois de se inteirar sobre suas despesas você entenderá quais são suas prioridades. A partir delas, você saberá o que pode ser motivo de gasto para você. Afinal, de que vale um planejamento financeiro se não para que você se concentre naquilo que dá valor e te faz feliz? Nem sempre, no entanto, esse prazer está ligado a dinheiro. Se pensar com cuidado, tenho certeza que pouco dessa lista terá relação com gastos da última Black Friday.

Por último, e não menos importante, é o ato de poupar. Vivemos em um país em que esse conceito ainda é muito distorcido, e só agora começa a ser esclarecido para alguns. Faz parte da boa saúde financeira guardar um pouco para emergências e para o amanhã. A maioria dos ditos “imprevistos”, na verdade, brotam quase todo mês. Além deles, é preciso se resguardar para situações ainda mais desafiadoras da vida como desemprego, doença e a tão falada aposentadoria. Esses, no entanto, são assuntos para nossas próximas conversas.