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Diversidade de gêneros ainda 'engatinha' nas startups do Brasil

·4 min de leitura
Milene Rosenthal, cofundadora, psicóloga e responsável técnica da startup de psicologia Telavita
Milene Rosenthal, cofundadora, psicóloga e responsável técnica da startup de psicologia Telavita
  • 11,7% das startups fundadas por mulheres contam com deficientes em seus quadros

  • Áreas como tecnologia e mercado financeiro ainda são vistas como 'para homens'

  • Mulheres seguem se aventurando mais no varejo e no setor de estética

Recentes estudos sobre o ecossistema de startups no Brasil assustaram. Ainda que o mercado de inovação esteja atingindo bons números de investimentos e com boas histórias de unicórnios, há um fator que ainda está longe de atingir bons patamares: o da diversidade. Hoje, apenas 4,7% das startups foram fundadas exclusivamente por mulheres, de acordo com um estudo da Distrito Dataminer, em parceria com a B2Mamy e Endeavor.

E não é só isso. De acordo com o mesmo estudo, mais de 90% delas possuem somente homens em seus quadros de fundação. No entanto, o que mais chama atenção são os investimentos recebidos: somente 0,04% dos aportes realizados em 2020 foram destinados às startups fundadas exclusivamente por mulheres. Sobre a fundação de startups, o número é restrito mesmo quando aumentamos para co-fundadoras: só 5,1% tem fundação mista.

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“O resultado nos surpreendeu. Embora soubéssemos da desigualdade óbvia observada nos ambientes de inovação, a diferença é ainda mais alarmante do que se esperava”, escreveu Lilian Natal, líder do Distrito para startups, no estudo sobre a presença feminina no ecossistema de inovação. “O mais irônico é que, apesar de todas dificuldades delas, dados mostram que startups com mulheres [sócias] tendem a ter resultados 25% melhores”.

Além disso, vale dizer que a diversidade geral também aumenta com mulheres no comando. Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), 11,7% das startups fundadas por mulheres contam com deficientes em seus quadros e só 5,7% nas fundadas por homens. O mesmo acontece com pessoas acima dos 50 anos: 39,5% das startups fundadas por mulheres contam com pessoas nessa faixa. Fundadas por homens, só 29,6%.

Driblando a falta de diversidade

Milene Rosenthal, cofundadora, psicóloga e responsável técnica da startup de psicologia Telavita, faz parte dessa pequena porcentagem de startups fundadas por mulheres. A executiva está notando um aumento na participação das mulheres entre startups, principalmente no recebimento de aportes que vem crescendo nos últimos anos. E Rosenthal, neste setor desde 2012, confirma os pontos positivos da presença feminina.

“Startups fundadas por mulheres recebem menos investimentos, mas faturam mais do que as empresas fundadas por homens”, diz ela, citando uma pesquisa da The Boston Consulting Group (BGC), mas indo além também nos benefícios da imagem de uma empresa diversa. “Acredito que esse bom resultado se deve ao incentivo da diversidade que ajuda a ampliar a visão do negócio tornando a empresa mais estratégica e competitiva”.

 Ingrid Barth é vice-presidente da Associação Brasileira de Startups
Ingrid Barth é vice-presidente da Associação Brasileira de Startups

No entanto, mais do que essa falta de diversidade estrutural, há preconceito no dia a dia do ecossistema de inovação. “Uma vez cheguei numa reunião e meu sócio não estava comigo. A empresa queria reagendar porque só estava eu na reunião”, conta a co-fundadora do ReclameAqui e CEO e fundadora do Instituto Cliente Feliz, Gisele Paula. Ela ainda conta que a reunião aconteceu e que, no fim, o cliente acabou elogiando o resultado do encontro.

“Reuniões com investidores também tem muito disso. Muitos fundos, compostos por homens, numa mesa de negociação, direcionam a conversa apenas para os homens e as mulheres precisam pedir para falar. Embora esse mundo das startups pregue a diversidade, ainda está longe de ter equidade na prática”, continuou Gisele de Paula. Ela também compartilha que já foi assediada durante uma reunião de negócios com um grupo italiano.

Enfim, Ingrid Barth, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), chama a atenção para um “encapsulamento” das empreendedoras. “Levantamentos mostram que mulheres ainda se aventuram mais por segmentos voltados ao varejo, alimentação ou estética. Mas não precisa ser assim. Quando combinamos que empreendedorismo, mercado financeiro e tecnologia é coisa de homem? Não é”, diz ela.

Caminhos e futuro

E como melhorar essa questão? “Falta entender que o resultado financeiro virá da diversidade e representatividade, no individual e no todo. Quando há diversidade, há mais questionamento e maior riqueza aos produtos e serviços, pois há experiências e background distintos advindos de novos olhares e vieses”, diz Barth. “Precisamos formar lideranças e outras referências femininas para fortalecer o sentido de diversidade positiva”.

Gisele Paula, do ReclameAqui, chama a atenção para questões práticas. “Primeiramente, as mulheres precisam aceitar seu poder, dar espaço a sua luz, acreditarem mais em si mesmas”, diz. “O segundo passo é não aceitar menos do que você já é. Se você acredita no seu potencial e tem ciência dele, por que ficar à sombra? E terceiro, se conecte com outras mulheres que estão no mesmo estágio que você. Unidas podemos ir mais longe”.

Por fim, Milene Rosenthal chama a atenção para o futuro. “Ainda existe um longo caminho pela frente e vai demorar. A boa notícia é que estamos no caminho certo”, diz. “Nas empresas, a liderança por mulheres vem crescendo, pois junto a elas, os resultados aparecem efetivamente. E, na família, muitos homens já dividem as tarefas domésticas e o cuidado dos filhos. Apesar de estarmos longe do ideal, esse é um grande começo! A roda começou a girar. O apoio feminino mútuo será um grande diferencial nesse processo”.

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