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Divergências e volatilidade de títulos pesam em programas do Fed

Craig Torres e Liz McCormick
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Jerome Powell não quer falar sobre reduzir as enormes compras de ativos pelo Federal Reserve - pelo menos por enquanto-, mas é apenas questão de tempo antes que a discussão seja retomada, o que não seria algo ruim, na opinião de especialistas.

O presidente do Fed disse a repórteres em 27 de janeiro que “o foco na saída é prematuro”, um claro apelo aos colegas para que se concentrem nos danos econômicos pela frente, em vez da previsão de recuperação.

Ainda assim, o maior mercado de títulos do mundo tenta calcular quando o banco central dos EUA pode alterar as compras de ativos, em meio a previsões otimistas de que a ajuda fiscal e a distribuição de vacinas impulsionarão a economia ainda neste ano. O esforço de Powell para unificar o tom - depois que algumas autoridades cogitaram a possibilidade de uma retirada gradual dos estímulos em 2021 - corre o risco de silenciar outras opiniões dentro do banco central que poderiam ajudar a garantir que o presidente do Fed adote a política adequada.

“Há essa dificuldade e tensão em como as autoridades do Fed esperam que isso aconteça”, diz Matthew Luzzetti, economista-chefe do Deutsche Bank Securities.

O presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, disse na sexta-feira que espera “debates muito entusiasmados” sobre reduzir as compras de ativos, embora não tenha comentado sobre prazos específicos.

Incerteza

Falar em reduzir as compras de ativos agora traz o risco de elevar os custos de financiamento quando o Fed tenta estimular a economia. Mas reprimir opiniões diversas pode resultar em uma política pior mais tarde. Os pontos de inflexão econômica são difíceis de ver, a incerteza é alta e, nesses momentos, uma mistura de opiniões é importante para uma boa formulação de políticas.

“Em algum momento, fará sentido que eles discutam isso, e acredito que teremos diversidade de pontos de vista, mesmo entre os membros do conselho”, disse Luzzetti.

Powell já fazia parte do Fed em 2013, quando os planos de reduzir os estímulos assustaram o mercado de títulos, abalaram os mercados acionários globais e aumentaram os juros dos empréstimos imobiliários nos EUA, deixando memórias dolorosas entre autoridades monetárias dos EUA.

Além disso, o Fed acabou de divulgar sua orientação futura em dezembro, segundo a qual as autoridades precisam ver “um progresso substancial” na inflação e no mercado de trabalho antes de reduzir os US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos. Powell também destacou na semana passada os mais de 9 milhões de americanos que ainda estão desempregados e disse que isso significa que o Fed está longe de sua meta de emprego.

Mas bancos de Wall Street têm elevado as previsões de crescimento para 2021, e alguns projetam a taxa de desemprego em menos de 5% no final do ano. Se isso acontecer, pode ser difícil argumentar que não se trata de um “progresso substancial”, e autoridades do Fed que estão atualmente abertas a uma redução antecipada das compras de ativos podem se tornar líderes de consenso.

“Eles estão em um terreno desconhecido e inexplorado”, disse Nathan Sheets, economista-chefe do PGIM Fixed Income. “Isso exigirá alguns julgamentos bastante difíceis, e realmente acho que vários formuladores de políticas verão as coisas de forma diferente.”

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