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Grajaú e Cidade Ademar lideram fila de espera de creches em São Paulo na pandemia; veja lista por bairros

Fiquem Sabendo
·6 minutos de leitura
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Sophia Lopes

Problema histórico na cidade de São Paulo, a fila de creches concentra hoje 24,3 mil crianças à espera de uma vaga. Os bairros da região Sul enfrentam o maior gargalo, com 10,8 mil lugares em falta. Grajaú e Cidade Ademar são os que mais sofrem com a escassez de creches, com 1.605 e 1.370 posições na fila. É o que mostra levantamento da Fiquem Sabendo, a partir de dados do sistema Escola On-line (EOL) enviados pela Secretaria Municipal de Educação via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Em geral, quanto mais central é o bairro, menor é a fila. Não há mais do que 155 famílias aguardando vaga nas creches do Centro. A menor delas é na Consolação, com apenas uma criança. Mesmo nos distritos que fazem parte da região Sul, mas que são mais centrais, o tamanho da fila cai bastante. Em Moema, por exemplo, são 62 posições.

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A maior demanda é pelo primeiro nível do berçário, em uma fila que acumula 14,8 mil pessoas. Grajaú e Jardim Ângela estão no topo dessa espera, com um total de 1.904 crianças de quatro meses até um ano e meio de idade.

Aprovado em 2015, o Plano Municipal de Educação de São Paulo estabelece que, até 2024, no mínimo 75% das solicitações de vagas para crianças de 0 a 3 anos sejam atendidas. O prazo coincide com o fim do mandato do prefeito eleito em novembro deste ano, conferindo a ele ou ela o desafio de amenizar essa dificuldade crônica na cidade.

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Com a pandemia, o cenário pode se agravar ainda mais devido ao cancelamento de matrículas em escolas particulares. A educação infantil é a etapa mais complicada de ser adaptada à modalidade virtual, e muitos pais têm optado por tirar as crianças da escola, como uma forma de reduzir as despesas em meio à crise. O receio é de uma demanda massiva por transferência de alunos para a rede pública, exigindo ainda mais de um sistema já sobrecarregado.

Passaporte para independência financeira feminina

As vagas nas creches não representam apenas o acesso à educação básica para as crianças, mas a possibilidade de autonomia financeira das mães, que muitas vezes dependem dessas instituições para ter com quem deixar seus filhos e poder sair para trabalhar.

A pandemia, entretanto, apresentou um novo desafio para as famílias, deixando as mães sem saída. Mesmo as que conseguem vagas para suas crianças sofrem com a dificuldade de conciliar a vida doméstica com os compromissos de trabalho, já que a retomada das atividades econômicas definida pelo Plano São Paulo não foi acompanhada de reabertura das creches e escolas.

Ana Luiza Neves de Holanda Barbosa, professora do Ibmec e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do Grupo de Estudos em Economia da Família e do Gênero (GeFam), enxerga a falta de creches presenciais como um dos principais empecilhos para que mulheres possam trabalhar neste cenário. “A maioria das mulheres desempenha funções que exigem a presença, sem a possibilidade de trabalho remoto. Sem ter com quem deixar os filhos, como é que faz? Muitas delas tiveram que abrir mão do seu trabalho para cuidar deles.”

Um estudo realizado pela Catho que ouviu mais de 2,3 mil pessoas aponta que 30% das mulheres param de trabalhar fora para cuidar dos filhos, contra apenas 7% dos homens. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Outras Formas de Trabalho 2019, do IBGE, mediu a dimensão da desigualdade de gênero no chamado trabalho invisível: a realização de tarefas não remuneradas que envolvem a manutenção do lar. O levantamento mostra que, em média, as mulheres dedicam 10,4 horas por semana a mais do que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas.

Uma promessa de sustento

Além da baixa participação masculina nos cuidados com a casa e a família, as mães precisam vencer a barreira do preconceito no mercado de trabalho. Os empregadores, já calculando algum tipo de prejuízo, pensam duas vezes antes de contratar ou manter mulheres com filhos na folha de pagamento. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade são demitidas até dois anos após o afastamento.

Em meio a tantos obstáculos, o empreendedorismo se apresenta como uma promessa de sustento e de uma rotina mais flexível. A pesquisa “Empreendedoras e seus negócios” da Rede Mulher Empreendedora descobriu que de 55% das empreendedoras que são mães, 75% decidiram empreender após o nascimento dos filhos.

A jornalista Gabriela Anastácia, da baixada fluminense, é dona da agência de comunicação Gamarc e percebeu a aceitação do mercado diminuir após dar à luz seu filho Arthur, de 4 anos. “O mercado acaba sendo preconceituoso com algo que ele acredita que possa influenciar, mas gravidez não é impedimento, não é doença”, afirma a comunicadora, que chegou a perder clientes após se tornar mãe.

Impulsionada pela solidão que veio com a dificuldade de conciliar maternidade e carreira, Gabriela começou a compartilhar desabafos em uma rede social. O que funcionava quase como um diário, virou uma iniciativa de impacto social para democratizar o acesso à informação empreendedora para mulheres, principalmente as mães: o Papo de Empreendedora. “Foi a primeira vez que eu percebi que não estava sozinha, que muitas mulheres se sentem assim.”

Impulsionada pela solidão que veio com a dificuldade de conciliar maternidade e carreira, Gabriela começou a compartilhar desabafos em uma rede social. O que funcionava quase como um diário, virou uma iniciativa de impacto social para democratizar o acesso à educação empreendedora para mulheres, principalmente as mães: o Papo de Empreendedora. “Foi a primeira vez que eu percebi que não estava sozinha, que muitas mulheres se sentem assim.”

“Não é uma jornada nada romântica”, comenta Vivian Abukater, diretora executiva da Maternativa, uma startup de impacto social criada em 2015 para discutir maternidade no trabalho e apoiar a carreira de mulheres com filhos. “O empreendedorismo é a opção da falta de escolha para uma mulher que é mãe se manter na ativa profissionalmente. Nesse caso, o trabalho tem uma motivação de subsistência”, explica a ativista, que considera que alguns dos maiores obstáculos para a estruturação dessas pequenas empresas são a falta de apoio no ambiente familiar, a dificuldade de acesso a crédito e a necessidade constante de cuidar da casa e da família.

O resultado disso tudo é uma intensa sobrecarga mental que acomete as mulheres. “Elas fazem todo o trabalho de cuidado da nossa sociedade, que é invisibilizado, pouco reconhecido e não remunerado. E quem cuida de quem cuida?”