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Dissolvido pela polícia, protesto de artistas em Cuba continua gerando apoio

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Cubanos que vivem em Barcelona, Espanha, se solidarizam com Movimento San Isidro de Havana, um coletivo de artistas, universitários e jornalistas que exige que o governo cubano liberte um de seus membros

Cerca de duzentos jovens artistas exigem nesta sexta-feira (27) "um diálogo" em frente ao Ministério da Cultura cubano, em Havana, após a dissolução de uma manifestação de 10 dias do Movimento San Isidro (MSI) pela polícia, que alegou risco de contágio epidemiológico.

Uma representante dos manifestantes espera ser recebida pelo vice-ministro Fernando Rojas, após mais de seis horas de espera em frente à sede da pasta. O grupo quer apresentar cinco demandas, anteriormente acordadas em plena via pública pelos jovens, que fizeram uma votação.

"Por um lado, não temos muita confiança, mas por outro, sentimos que é uma obrigação. Eles são funcionários públicos deste país e isso se tornou uma situação política", disse à AFP Michel Matos, ativista muito próximo ao MSI.

Ao amanhecer, a polícia invadiu as instalações do Movimento San Isidro, no centro histórico de Havana, e despejou 14 jovens que lideravam um protesto havia 10 dias, seis deles em greve de fome.

As autoridades afirmaram que a ação foi motivada pelo perigo de propagação da covid-19, já que um dos presentes violou o protocolo de segurança ao chegar ao país vindo do México e dos Estados Unidos.

Segundo Tania Bruguera, uma conhecida e subversiva artista plástica, os artistas estão "cansados" da "má política que existe, em que a repressão é a solução para todos os problemas". Ela disse que estão "à procura de uma resposta".

Membros do MSI exigem a libertação de um integrante do grupo, o rapper Denis Solís, preso no dia 9 de novembro e condenado a oito meses de prisão por "desacato" à autoridade.

Após a operação na sede, os 14 integrantes do grupo foram submetidos a testes diagnósticos PCR e voltaram para suas casas, pois a sede do MSI foi fechada pelas autoridades, relataram ativistas nas redes sociais.

Dois deles se recusaram a voltar para casa e foram presos novamente: Luis Manuel Otero Alcántara, 32, artista plástico, e Anamely Ramos, 35, cujo paradeiro é desconhecido.

A lista de demandas a serem apresentadas inclui informações confiáveis sobre a localização de Otero e Ramos; a libertação de Solis; o fim do "assédio" a artistas; "transparência institucional (do Ministério da Cultura) diante desse tipo de eventos", e a discussão pública do polêmico decreto 349, que obriga os artistas a se associarem a uma instituição estatal.

O secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos, Michael Kozak, escreveu em sua conta no Twitter nesta sexta que "a comunidade internacional exige que o regime respeite os direitos humanos em Cuba".

Em nota, a Anistia Internacional pediu a libertação de Otero e Ramos, chamando-os de "prisioneiros de consciência".

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