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Disrupção e Longevidade no Século XXI

·7 minuto de leitura

Estamos no início de uma década que vai nortear este século. Não podemos dizer que os vinte primeiros anos foram disruptivos ou transformadores. No entanto, através da democratização progressiva da Internet, demos o primeiro passo para a reinvenção e ressignificação da vida, do profissional, do trabalho, da sociedade e da economia por meio da tecnologia.

As três frentes disruptivas desta década são: social, corporativa e tecnológica.

Na abordagem da frente social, faz-se obrigatória a análise de valores e mentalidade do indivíduo, da preparação do profissional e sua predisposição a aprender em contraste aos métodos convencionais de ensino.

Nos âmbitos corporativo e tecnológico o foco incide na aplicação de tecnologias exponenciais, no processo de reformulação da teoria de valor e seu impacto na economia, na sociedade e nas cidades.

A transformação no trabalho e a vivência do mindset de longevidade são manifestações de disrupção social. Quanto à disrupção corporativa, a mesma ocorre com o crescimento e monetização de pequenas, médias e grandes empresas que hoje abraçam o fenômeno global dos rising billions. Esta é uma oportunidade única – quem quer crescer 10x encontra aqui a escala e o mercado que permitem o leapfrog a partir da aplicação de tecnologias exponenciais.

Este é o início da disrupção tecnológica que, conforme tenho mencionado em keynotes, é a quarta revolução industrial.

Disrupção Social, o Advento do Profissional T

Tal como mencionei no relatório anual de análises e cenários futuros da Singularity University Brazil – xTech Views 2021, a disrupção individual se faz necessária na formação do profissional T. Este skilll set não é passível de ser adquirido via educação tradicional.

Hoje existem modelos de gestão, como ocorre nas Organizações Orgânicas (O2), que instrumentam o processo de tomada de decisão em sistemas de autoridade distribuída – Holocracia – ao invés de hierarquia corporativa.

O mercado demanda profissionais que tenham conhecimento profundo em uma área, enquanto visualizam o todo (por isso a analogia com os traços da letra T). A capacidade de conectar os pontos é um exercício tático intelectual que exige conhecimento, experiência, preparação, inteligência emocional, antifragilidade e, acima de tudo, versatilidade multidisciplinar. Ou seja, aptidão para disseminar o conhecimento gerando tração colaborativa e assim projetar essa liderança na empresa de cima para baixo e de baixo para cima. É necessário direcionar a especificidade de um diploma verticalizado com a pluralidade horizontal da missão corporativa, valores, produto e mercado.

Pessoas versáteis trazem segurança estratégica. As empresas entenderam que o maior ativo da economia digital são as pessoas. O mercado mudou e, com isso, surgem as oportunidades. Mundo afora vê-se que qualquer empresa que procura gerar valor precisa de agilidade, assertividade e desburocratização. Espera-se que a tomada de decisão seja baseada em análises multidisciplinares enriquecidas pela competência única do profissional T em elaborar uma leitura tridimensional do plano de negócios.

Este é o tipo de profissional que será cada vez mais valorizado e que poderá literalmente escolher os projetos dos quais deseja participar. É preciso dialogar com o mercado dos rising billions – 3 bilhões de pessoas que estão entrando agora no mundo virtual em todo o planeta - procurando alavancar o MTP (propósito transformador massivo, na tradução da sigla em inglês) em causas justas. O moonshot dessas empresas é tão grande quanto a ambição dos envolvidos. Elas jogam o jogo infinito e sabem que mais importante do que ganhar ou perder é se manter no jogo. Resultados binários (tudo ou nada) não dialogam com a economia exponencial. As oportunidades de crescimento são incomparáveis e cada vez mais distantes dos ilustres casos de estudo que analisamos nos MBAs das renomadas escolas de gestão.

As organizações exponenciais (ExO) não buscam crescimento de 5% ou 10% ao ano, mas sim de 10x ano após ano. A grande diferença é que as ExOs crescem a passos largos com menos pessoas, investimentos modestos, modelos de negócio ambiciosos e causas mais justas. Elas querem impactar a economia, a sociedade e o planeta. Estes princípios dão sustento à cultura do stakeholder capitalism.

O futuro promete para os profissionais T – o perfil é escasso e a demanda de mercado é crescente. Entendo que os mesmos poderão abraçar diversos projetos com diferentes empresas, ao invés de permanecerem limitados a um contrato CLT.


Os dias da consultoria tradicional virão? 

-Não. 

A consultoria atual é o modelo analógico do que o profissional T poderá entregar no mundo da abundância digital. Sistemas de gestão e governança corporativa serão progressivamente mais horizontais, pautados por modelos de holocracia, com tomadas de decisão colaborativas e autônomas, fomentando accountabillity, ownership e cultura de resultado.

Disrupção Tecnológica e Corporativa 

Depois da máquina a vapor, produção em série e automação – respectivamente, primeira, segunda e terceira revoluções industriais - a integração de tecnologias exponenciais na cadeia de geração de valor produtivo pode ser considerada como a quarta revolução industrial, tamanha é a sua dimensão disruptiva. Como exemplos de inovação tecnológica, podemos ressaltar: machine learning, IoT, cloud computing, inteligência artificial, 5G, digital twins, fog & edge computing, quantum computing e o RPA inteligente (automação inteligente de processos robóticos).

A quarta revolução industrial provocará fortes impactos no ambiente corporativo e no desenvolvimento econômico, social e humano – assim como nas comunidades e cidades. A ciência de materiais e produtos será apenas uma das áreas que passará por ressignificação, onde o desafio será desenhar bens que, além de poderem ser reciclados, ofereçam reaproveitamento durante a sua vida útil. Isto é possível pelos avanços dos processos de reengenharia e reaproveitamento destes ativos, o que aumenta o seu valor agregado. Em paralelo, produtos smart & friendly reduzem a emissão de gás carbônico. O que se traduz num ganho-ganho para todos.

Para se ter uma referência, segundo o relatório de 2020 da Coalizão das Nações Unidas sobre resíduos, o Brasil lidera a produção de lixo eletrônico na América Latina e é o sétimo país do ranking mundial ficando atrás da China, Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha e Reino Unido com 1,5 milhão de toneladas ao ano.

A solução não é reciclar. É fabricar componentes que possam ter a vida útil estendida caracterizando o preceito de uma economia digital e circular.

A chegada do 5G, por exemplo, ofertará possibilidades para a geração de modelos de negócios que dependam de inteligência artificial. As latências são incomparáveis com as gerações anteriores. As redes inteligentes mesh, viabilizadas por ecossistemas cloud, fog ou edge computing oferecem a democratização de acesso e provisão de serviços que ainda hoje não são de todos, mas que já se mostram eficientes com os rising billions.

O fato a ser destacado é que as tecnologias exponenciais possibilitam a confecção e integração de produtos e serviços que favorecem as experiências e geração de valor no mundo digital e virtual - que proporciona redução de custos e maximização de resultados.

O grande desafio está em calibrar as ofertas de acordo com os valores ESG (ambiente, sociedade e governança na tradução da sigla em inglês) e entrar cada vez mais no universo do stakeholder capitalism.

Longevidade no Século XXI

Claramente, a pandemia reforça o foco em saúde (física, mental e espiritual) e amplia a preocupação com a qualidade de vida. As pessoas estão vivendo mais e se reinventando profissionalmente quando se aposentariam outrora.

A forma de pensar a vida está em transformação. Até muito pouco tempo atrás, as pessoas estudavam por 20 anos, trabalhavam por 40 e se aposentavam com 60/65 anos. No mundo de hoje, milhares de profissionais se redescobrem no fim deste ciclo.

O mundo oferece uma abundância de oportunidades que favorecem o profissional T. Para isso, é preciso incorporar o mindset que provoque motivação e força para se reinventar. Esta capacidade transformadora interfere no lifestyle, ou seja, a vida que o profissional quer para si e para a família.

Longevity mindset foca neste grupo – nos que recomeçam precisamente quando gerações anteriores saíam do mercado. Este é um período desafiador, no entanto, gratificante para estas pessoas, já que o reposicionamento as preenche e devolve equilíbrio. É aqui que o espírito empreendedor do profissional T, somado ao seu investimento em life learning, permite fechar o círculo, colher os dividendos e encontrar o tão desejado life balance. Quem passa por esta transformação tem vontade de aprender sempre e inspira quem o rodeia.

Não existem cursos estruturados para pessoas que desejam permanecer trabalhando ativamente após os 65 anos. Esse movimento acontece porque o profissional assumiu uma responsabilidade com ele mesmo de ser multidisciplinar, buscar desafios e gerar valor agregado, agindo fora da zona de conforto ao longo de toda a carreira.

No século XXI este fenômeno será comum porque existem oportunidades e tecnologias que facilitam a jornada da humanidade na perseguição da longevidade e life balance. A disrupção pessoal é essencial porque envelhecer só faz sentido com bem-estar.

Fonte: Canaltech

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