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Disputa entre Lula e Bolsonaro impulsiona negócios nas eleições

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Eleições aumentam a procura por produtos voltados ao público de esquerda e direita, feitos por empresários que abraçam a parcialidade.

Na Golpe Store, loja de esquerda que funciona no Recife (PE), o pleito mais do que dobrou a média mensal de venda de camisas neste ano, que foi de 1.000 a 2.500.

Produtos da marca são estampados por temas e personagens ligados ao mesmo espectro político, incluindo os ex-presidentes Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) e a vereadora Marielle Franco (PSOL), morta em 2018.

Isabela Faria, 51, e Nara Aquino, 47, deram início ao negócio em 2018, após a prisão de Lula, que consideraram um golpe contra a democracia. Hoje, a Golpe Store conta com nove funcionários.

"Vemos as camisetas como um canal de comunicação. O nosso objetivo é que as pessoas usem porque passa uma mensagem que elas acreditam, para aproximar os pares ou abrir diálogo com pessoas diferentes", afirma Nara.

As sócias dizem que a procura também aumenta com eventos ligados à campanha eleitoral, como a visita do ex-presidente ao Recife em julho deste ano, que, segundo elas, triplicou a venda de camisas.

O engajamento de figuras de esquerda ajuda, e roupas da marca já foram usadas por Fernando Haddad (PT) na época em que foi candidato à Presidência em 2018, e pela socióloga Rosângela da Silva, a Janja, mulher de Lula.

Na Livraria Conservadora, loja virtual com sede em Brasília focada no público de direita, as eleições ajudam a impulsionar as vendas, que também cresceram no período anterior às manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), em 7 de Setembro.

O acervo da loja conta com cerca de cem livros, incluindo obras de ficção, como "1984", de George Orwell, e trabalhos do ideólogo da direita Olavo de Carvalho (1947-2022). Dono da loja, Emilio Kerber, 46, diz que a maior parte vem da editora Cedet, que publica livros sobre conservadorismo. A livraria vende 2.000 títulos por mês e tem três funcionários.

Kerber aposta ainda em publicidades em um portal líder em audiência entre veículos bolsonaristas, para alavancar as vendas. Ele diz que fundou a livraria porque o público de direita quer saber sobre conservadorismo a partir de fontes que não estejam no meio acadêmico.

"Percebi demanda por parte das pessoas com viés conservador para consumir produtos. São cristãos, preocupados com a família e com o patriotismo."

Professor de comunicação política da USP, Kleber Carrilho afirma que o marketing de produtos absorve temas ligados às paixões, um fenômeno que toma uma nova forma com as redes sociais dividindo pessoas em grupos que compartilham dos mesmos ideais.

Com isso, cresce a oferta de artigos para nichos cada vez mais específicos, como o público de direita e de esquerda.

O professor afirma ainda que os produtos podem se tornar uma estratégia para os partidos, por promoverem candidatos antes do início da campanha.

No bar Ursal, em Belo Horizonte (MG), nomes de políticos de esquerda viram títulos de opções do cardápio, como o prato "Deputada Duda Salabert", porção de batatas fritas que homenageia a vereadora do PDT-BH, e o drinque "Moscow Lula", adaptação de moscow mule. No período eleitoral, o bar também promove um palanque para candidatos de partidos de esquerda, que usam o espaço para apresentar suas propostas.

Ranara Feres, 35, proprietária, diz que o local foi criado em 2019 para receber pessoas de esquerda que buscavam ambientes próprios após a última eleição presidencial, que deram vitória a Bolsonaro. O bar atende hoje entre 1.500 e 2.000 pessoas por mês.

A DireitaStore, ecommerce que vende roupas e acessórios com temas associados ao discurso de Bolsonaro, também cria expectativas para o período das eleições.

A loja foi fundada em 2017 e pegou carona na popularidade do presidente nas eleições do ano seguinte, quando a procura pelos produtos aumentou em 700% dois meses antes do pleito, de acordo com Sousa. Hoje, ele trabalha em parceria com uma empresa terceirizada.

Segundo o professor Kleber Carrilho, empresários veem as restrições impostas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante a campanha como uma oportunidade de negócio, já que a legislação proíbe a distribuição de brindes, como acessórios e camisas.