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Disputa Azerbaijão-Armênia levanta temor de escalada de conflito

Zulfugar Agayev e Sara Khojoyan
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Os confrontos entre as forças do Azerbaijão e da Armênia que envolvem um território disputado ameaçaram se expandir pelo terceiro dia, o que aumenta os temores de que o conflito possa atrair a Rússia e a Turquia.

Na terça-feira, o Ministério da Defesa em Baku acusou a Armênia de bombardear o território do Azerbaijão ao longo da fronteira e prometeu retaliar. A Armênia rejeitou a alegação como “absolutamente falsa” e acusou o Azerbaijão de usar drones em seu território.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, apoiou a campanha militar de seu aliado Azerbaijão em torno do território de Nagorno-Karabakh em discurso na segunda-feira em Istambul, dizendo que as negociações internacionais “não conseguiram resolver este problema por 30 anos”. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, exortou ambos os lados a cessar o combate imediatamente e a retomar as negociações de paz.

Os confrontos na região do Cáucaso, na fronteira com a Rússia e com a Turquia, aumentam as tensões entre eles sobre conflitos por procuração na Síria e na Líbia. Apesar de décadas de mediação dos Estados Unidos, Rússia e França para resolver o conflito, confrontos têm se repetido desde que os armênios assumiram o controle de Nagorno-Karabakh e sete distritos vizinhos do Azerbaijão em uma guerra após o colapso da União Soviética em 1991.

A Rússia tem uma base militar na Armênia e as duas nações firmaram um pacto de defesa, embora o acordo cubra apenas ataques ao território do estado armênio. O Azerbaijão sediou exercícios militares conjuntos em grande escala com forças turcas no mês passado.

Embora conflitos anteriores tenham durado apenas alguns dias, a escala do confronto atual envolvendo tanques, aeronaves e artilharia parece ser a maior desde que a Rússia intermediou um cessar-fogo em 1994 para interromper a guerra que matou cerca de 30 mil e deslocou mais de um milhão de pessoas. Os dois lados nunca assinaram um acordo de paz.

A crise voltou a pressionar a lira turca e o rublo russo em meio a preocupações de que as duas potências possam se envolver no conflito. A lira caiu para um recorde de baixa, e o banco central da Rússia aumentou as vendas de moeda estrangeira até o fim do ano, quando o rublo é negociado perto da menor cotação em seis meses.

A região possui importantes projetos de energia e transporte que conectam a Ásia Central à Europa, passando pela Rússia. Esses projetos incluem o Southern Gas Corridor, apoiado pelos EUA, e um oleoduto operado pela BP que se estende a menos de 50 quilômetros da zona de conflito e tem capacidade para exportar até 1,2 milhão de barris diários de Baku a Ceyhan, na Turquia.

O oleoduto não foi alvo de conflitos anteriores, mas pode ser vulnerável a qualquer mudança no confronto entre as forças armênias e azerbaijanas.

Apelos de calma

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, pediu o cessar-fogo imediato em conversas por telefone na segunda-feira com o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, e com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, em comunicado na terça-feira.

Em um apelo evidente à Rússia e à Turquia, o porta-voz disse que “os vizinhos dos países devem contribuir para uma solução pacífica”.

China, Estados Unidos e União Europeia também pediram o fim dos combates. O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá na terça-feira em sessão a portas fechadas para discutir a crise a pedido de países europeus, segundo a agência de notícias AFP, que citou diplomatas não identificados.

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