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Diretores da Fundação Palmares se demitem por insatisfação com presidente

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
O presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, no gabinete da Presidência, em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, no gabinete da Presidência, em Brasília (Foto: Reprodução/ Twitter)

Diretores dos principais departamentos da Fundação Palmares entregaram os cargos na quinta-feira (11) por falta de diálogo e insatisfações com Sérgio Camargo, presidente da instituição. A lista inclui Ebnézer Maurilio Nogueira da Silva, diretor do Departamento de Promoção da Cultura Afro-brasileira; Raimundo Nonato de Souza Chaves, coordenador-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra; e Roberto Carlos Concentino Braz, coordenador-geral de gestão interna.

A entrega de cargos foi comunicada em uma carta, destinada a Sérgio Camargo.

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“A decisão extremada acontece após inúmeras tentativas de interlocução com a presidência, acerca da gestão do órgão, que envolve os compromissos acordados no ato da posse”, diz a carta de demissão.

“Tivemos nossas decisões indeferidas, ignoradas e muitas vezes presenciamos pessoas que não tinham prerrogativa de voto, por não comporem a diretoria, e mesmo assim participavam de reuniões e interferiam nas decisões, causando ingerência de forma generalizada”, acusam os diretores que saíram.

Os gestores estavam nas funções há cerca de um ano e foram escolhidos por Camargo por apresentarem perfis mais conservadores.

Para eles, os compromissos acordados no ato da posse, há um ano, foram prejudicados.

"Como diretores e coordenadores dos departamentos que compõem a instituição, fomos voto vencido mesmo sendo a maioria em decisões cruciais ao bom andamento de projetos, ações de mudança de sede e demais políticas públicas que poderiam ser entregues à população até este momento", diz o documento.

"Coerentes com nossos princípios morais e políticos, tomamos uma difícil decisão de desligamento de nossos cargos por não encontrarmos mais viabilidade de diálogo entre os diretores e o Presidente", concluíram.

Essas demissões representam a saída de praticamente todo o colegiado da Fundação Palmares.

Segundo a CNN, o estopim veio por divergências em relação à mudança da sede da instituição em Brasília. Com a justificativa de deixar de pagar R$ 2,3 milhões de aluguel por ano, Sérgio Camargo anunciou a transferência para um prédio público no fim de 2021.

Mas o novo espaço precisa de reformas e o projeto ainda não saiu do papel. Há mais de três meses servidores da Fundação permanecem num espaço provisório, porém o aluguel da sede original continua sendo cobrado.

A maioria dos diretores não concorda com a proposta apresentada pelo presidente, que não quis alterar o documento. Segundo os coordenadores, o projeto orçado em mais de R$ 700 mil foi elaborado a toque de caixa e não inclui todas as avarias do local.

O Tribunal de Contas da União já questionou a mudança, após representação da deputada federal Erika Kokay (PT-DF). O documento aponta que o local a ser ocupado tem infiltrações e falhas estruturais que podem prejudicar o acervo da Fundação Palmares. A instituição guarda fotografias, documentos históricos e obras de arte relacionadas à história do povo negro.

No Twitter, Sérgio Camargo escreveu que “os gestores que saíram serão substituídos nos próximos dias. A Fundação Palmares pertence ao Brasil e é mantida com recursos dos pagadores de impostos. Seu compromisso é com a satisfação do público, não dos gestores. O trabalho continua, sem qualquer alteração nas diretrizes”.