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Para diretor do BC, consumidor já sente sinais de melhoria na economia

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

Carlos Viana de Carvalho disse que há melhora no poder de compra da população. “As pessoas sentem no bolso quando saem para fazer compras no supermercado”      Beto Nociti/Banco Central

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana de Carvalho, considera que a população já começa a ver sinais de melhora na economia brasileira. Ao apresentar hoje (21), em Brasília, o Relatório Trimestral de Inflação, ele destacou a melhora no poder de compra. “Algo que as pessoas sentem no bolso quando saem para fazer compras no supermercado; [elas] sentem que o salário está com poder de compra melhor”, disse.

Acrescentou que as notícias sobre o mercado de trabalho também são melhores. “O dia a dia vai mostrar essa melhoria da economia permeando a vida das pessoas”, opinou. Ele também citou que o crédito para pessoas físicas já dá sinais de melhora, com redução do spread (diferença entre taxa de captação de dinheiro e a cobrada dos clientes nos empréstimos).

No Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central revisou a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, de 0,5% para 0,7% este ano. A estimativa para 2018 é de um crescimento maior da economia: 2,2%.

Sobre a redução do ritmo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, e encerramento gradual do ciclo já anunciado pelo BC, Viana disse que essa estratégia é condicional, ou seja, depende da “evolução da conjuntura econômica e dos fatores de risco”.

No balanço de riscos, o diretor destacou como mais relevantes os preços de alimentos e de componentes industriais muito abaixo do esperado e a “frustração” de reformas, como a da Previdência. “A gente segue comunicando a importância do fiscal, especialmente através da percepção de perspectivas para trajetória das contas públicas para prazos mais longos”, disse.

Descumprimento de meta

Carlos Viana de Carvalho disse ainda que, se a meta de inflação ficar abaixo do limite mínimo de 3%, o BC justificará o descumprimento “com serenidade”. Quando a meta de inflação não é cumprida, o BC tem fazer uma carta apontando os motivos para o descumprimento.

A projeção do BC para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é de 3,2% este ano. Segundo o Relatório de Inflação, o risco de a inflação ficar abaixo do limite inferior da meta é de 36%. A meta tem centro de 4,5% e limite superior de 6%.

China

Sobre o rebaixamento da nota de classificação de risco (rating soberano) da China pela agência S&P de AA- para A+, Viana disse que é uma país “muito relevante” para a economia brasileira. “Como qualquer novo desenvolvimento econômico, precisa ir analisando ao longo tempo para ver como isso impacta o cenário”.

Contas externas

No relatório, o BC revisou a projeção para o déficit em transações correntes (as compras e as vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do país com o mundo) de US$ 24 bilhões para US$ 16 bilhões (0,8% do PIB) este ano. Para 2018, é prevista “elevação moderada” do déficit em conta corrente para 1,4% do PIB.

“A redução do déficit deste ano, em boa medida, é explicada por um desempenho melhor da balança comercial. Para o ano que vem, o cenário é consistente com a ideia de retomada da atividade economia. Nesse ambiente de retomada, é de se esperar que o superávit comercial se reduza um pouco”, disse Viana.

A projeção para os Investimentos Diretos no País (IDP), recursos que vão para o setor produtivo, foi mantida em US$ 75 bilhões (3,6% do PIB), em 2017. O BC destacou que esse valor é “mais do que suficiente para o financiamento integral do déficit previsto para transações correntes”. Para 2018, a projeção para o IDP é US$ 80 bilhões.