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Dinheiro roubado pelo Pix é difícil de ser recuperado, afirma desembargadora

·3 minuto de leitura

Cuidado extra com os golpes realizados pelo PIX. Conforme declaração dada pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo(TJ-SP), Ivana David Bariero, em entrevista ao UOL News, o dinheiro perdido em golpes realizados na plataforma é bem difícil de ser recuperado.

A desembargadora comentou que a plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central foi feita de tal forma que acabou criando uma grande dificuldade de rastrear valores transferidos para contas de terceiros (ou seja, laranjas) em bancos digitais

A magistrada afirma que os golpistas se organizaram de forma muito rápida, já adotando o Pix como ferramenta importante para os crimes. Ainda em entrevista ao UOL News, a desembargadora recomendou os mesmos passos de segurança que o Banco Central divulga:

  • Diminuir o limite da transferência; 

  • Avisar a instituição sobre transferências;

  • Caso seja vítima do crime, realizar o boletim de ocorrência.

O boletim de ocorrência, além de permitir que a vítima possa exigir o ressarcimento do valor roubado para os bancos, também permite que as autoridades de segurança tenham conhecimento sobre as áreas mais visadas por criminosos, para assim aumentar o patrulhamento desses locais.

Golpes com Pix em alta

Bariero, ainda em entrevista para o UOL News, também comentou que as investigações sobre os golpes do Pix apontam que os criminosos estão organizados por “células”, com uma parte responsável por andar pelos bairros e estudar o comportamento das vítimas em potencial, outra sendo responsável pela abordagem e roubo e uma última agindo nas contas digitais em nomes de laranja.

Em setembro, a Justiça de São Paulo fez as primeiras condenações em casos envolvendo golpes do Pix. Em 17 de setembro, quatro criminosos receberam penas que variaram de dez a 46 anos de prisão em regime fechado. Os quatro condenados faziam parte das chamadas “quadrilhas do Pix”, grupos de criminosos que realizam os delitos com o sistema de transferência instantânea do Banco Central.

Desde que os golpes começaram a ser relatados, o Banco Central vem tomando medidas para tentar evitar os crimes. No final de agosto, após constantes pedidos de instituições financeiras, a instituição anunciou um conjunto de medidas para tornar o uso do PIX mais seguro:

  • Limite de R$ 1000 para soma das operações realizadas via Pix no período noturno (das 20 horas às 6 horas), incluindo transferências dos tipos: intrabancárias, PIX, cartões de débito e liquidação de TEDs;

  • Oferecer aos clientes a possibilidade de reduzir ou aumentar os seus limites do sistema Pix para os períodos diurno e noturno. A redução tem efeito imediato, enquanto que o aumento levará de 24 a 48 horas para ser efetivado;

  • Disponibilização funcionalidade que permite cadastrar previamente contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos;

  • Prazo mínimo de 24h para que o cadastramento prévio de contas por canal digital produza efeitos, impedindo o cadastramento imediato em situação de risco;

  • Prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação de pedido de aumento de limites de transações com meios de pagamento feitos por canal digital, (TED, DOC, transferências intrabancárias, Pix, boleto, e cartão de débito);

  • Permitir que usuários do Pix possam reter uma transação por 30 minutos durante o dia ou por 60 minutos durante a noite para a análise de risco da operação; 

  • Exigir histórico comportamental e de crédito para que empresas possam antecipar recebíveis de cartões com pagamento no mesmo dia.

Porém, mesmo com essas mudanças, os casos continuam em alta, fazendo com que na última quinta, dia 16, o Procon-SP pedisse ao Banco Central que as transferências via Pix tivessem seus valores limitados a R$ 500 por mês. O Banco Central, até o fechamento desta matéria, ainda está estudando a proposta.

Fonte: Canaltech

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