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Digitalização de igrejas é aposta da startup inChurch

·6 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No princípio era o encontro de um grupo de jovens da igreja Sara Nossa Terra, onde estavam Sydney de Menezes e Pedro Franco, hoje com 41 e 37 anos, respectivamente. Ali começou a amizade entre os dois empreendedores que hoje comandam uma das maiores startups do segmento cristão do país: a inChurch, que oferece soluções para igrejas evangélicas que querem se digitalizar.

São 30 mil igrejas atendidas pela empresa em 23 países. Em 2020, ano da pandemia que gerou uma chuva de liquidez no setor de tecnologia, a empresa teve um crescimento de 115% no número de clientes. No primeiro semestre de 2021, o aumento foi de 40%.

Os empreendedores afirmam que há casos de igrejas que foram de mil membros para 3.000 após firmar parceria com a empresa durante a pandemia. "Algumas deixaram de ser locais, apesar de estarem localizadas geograficamente, e começaram a expandir o trabalho", afirma Pedro.

Até o final deste ano, a expectativa é alcançar 2 milhões de usuários.

A startup não nasceu para atuar com igrejas, mas foi nelas que os empresários viram uma oportunidade de mercado. "Quantas vezes a gente não está ali, dentro da igreja, com um cara do nosso lado pedindo para Deus um emprego, e mesmo sendo da comunidade, não descobre", Sydney questionou Pedro em meados de 2013.

Nasceu dessa conversa a InRadar, um guia de bairro para os tempos de smartphone. O seu ativo era a ferramenta de filtros por grupo social, a maioria relacionado a religião. Os usuários poderiam procurar por serviços diversos e dar preferência a empreendedores evangélicos, católicos ou judeus, além de negócios sustentáveis ou de luxo.

Desde 2017, porém, o CNPJ da InRadar atende por InChurch. "Foi um momento em que acontecia uma mudança cultural muito grande: a inserção do smartphone na grande massa", afirma Pedro. A dupla via que muitas igrejas ainda se organizavam com planilhas e papel, e que a operação antiquada impactava os fiéis.

Aquilo foi a faísca para Sydney, que desde cedo tentava modernizar essa instituição. Aos 17 anos, ele inaugurou as festas com DJ na Igreja de Cristo em Palmas, no Tocantins. "Os pastores ficaram malucos", afirma ele, que é neto e sobrinho de pastores e irmão de bispo.

A trajetória da fé de Pedro é diferente. Filho de Wilton Franco, criador do humorístico global "Os Trapalhões", e da atriz Ana Paula Mendes, Pedro tornou-se evangélico na adolescência, por meio da irmã, que um dia convidou a família para ir a um culto pela primeira vez —no início, por curiosidade. "Eu gostava de beber, gostava de noitada, e comecei a perder a vontade, comecei a ir para a igreja. Tudo mudou", diz. Hoje, a sua vida está estruturada na igreja, onde conheceu a sua esposa.

"Eu nunca ouvi alguém falar: 'saí da igreja porque Deus não me ama'. O cara sai da igreja porque o pastor não deu um abraço, porque ficou doente e não recebeu uma ligação, porque faltou um cuidado. E a gente identificou aí uma oportunidade", conta Pedro.

Naquele início, a resposta a esse problema foi a digitalização. "A gente viu o aplicativo como uma ferramenta que poderia resolver essas dores", afirma. "Acabamos pivotando do que a gente vinha fazendo."

Hoje a empresa oferece uma miríade de serviços. No cerne, segundo eles, está a aproximação do fiel à igreja —e, de quebra, o engajamento dos religiosos na instituição atendida.

Para ter a igreja que frequenta no celular, o fiel deve acessar a loja virtual de aplicativos e baixar o correspondente à sua instituição, desenvolvido pela inChurch juntamente com o site. Lá dentro, o usuário escolhe a unidade e passa a receber notificações, sugestões de leitura, podcasts, vídeos e cultos online. Ela ainda fica sabendo de eventos, nos quais pode se inscrever pela plataforma. É, em resumo, uma espécie de canal de notícias da igreja.

"A igreja se torna híbrida. Ela não é só física nem só online, assim como qualquer organização", resume Pedro.

Também é híbrido o dízimo: é possível fazer transferência pelo aplicativo e por uma maquininha da inChurch. De cursos pagos a doações para missões em outros países, a igreja fica apta a receber por mais esse canal.

"O cara que vende balinha na rua está aceitando Pix. Aí eu chego na igreja e não posso ter nada?", questiona Pedro ao referir-se às críticas sobre a ferramenta. Os recursos já são direcionados para um objetivo —como uma missão em Angola ou uma ação de caridade—, o que aumentaria a transparência, segundo ele. A prestação de contas aos fiéis, no final do mês ou do ano, é uma opção da igreja.

Apesar de se colocarem como uma startup como outra qualquer, de ambições globais e aportes milionários, eles não dizem se a empresa já lucra ou opera no prejuízo. O valor transacionado tampouco é público. "Vão criticar qualquer tipo de doação para a igreja", justifica Sydney.

O último aporte, em dezembro 2020, levantou R$ 5 milhões. A Smart Money Ventures liderou a rodada com a benção de César Bertini, que foi o entusiasta do investimento junto a seus pares. "Eu sou evangélico, então conheço um pouco do mercado", diz ele, que é presbiteriano. A plataforma Eduzz também investiu e deve ajudar a empresa no mercado de influenciadores evangélicos.

Bertini diz que sempre teve vontade de ter o setor no seu portfólio, e conheceu a startup quando um colega, também evangélico, ingressou na empresa.

O investidor anjo da inChurch também cruzou o caminho dos fundadores graças a contatos da comunidade. "A gente estava em um evento da igreja e fomos apresentados a uma pessoa. Quando ela viu o projeto, falou que tinha a pessoa certa para a gente", lembra Sydney.

No dia seguinte, eles conheceram Pedro Moll, diretor da Rede D’Or. O empresário, que fez o aporte inicial de R$ 3 milhões no negócio em 2018, não respondeu ao pedido de entrevista feito pela reportagem.

"No mercado de investimento, a inChurch está no que a gente chama de passion economy", explica César Bertini. "O que move as empresas que fornecem soluções para determinadas comunidades é a paixão que as pessoas têm pela marca."

Negócios a parte, ele também vê sentido, como evangélico, em investir na inChurch. "A minha igreja está usando o aplicativo", diz ele. Se não professasse essa fé, porém, diz que ainda aplicaria no negócio. "São mais 50 investidores que colocam o dinheiro comigo e com o meu sócio, e nem 20% são evangélicos."

No primeiro semestre de 2022, a UninChurch, braço de cursos sobre religião da startup, vai ganhar uma sede em Orlando, na Flórida (EUA). A ideia é ser uma vitrine para o mundo em uma etapa de internacionalização —hoje eles atendem pontualmente igrejas em outros países, mas não têm operações fora do Brasil.

"No ano que vem a gente tem uma nova rodada de investimento na inChurch, com um outro fundo entrando, a um valuation maior. É isso que a gente espera. O quanto isso vai ser? Não conseguimos definir. Esperamos ser o máximo possível, sempre", resume Bertini.

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