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Dias de Londres como centro de negociação podem estar contados

Silla Brush e Viren Vaghela
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Diante da abordagem do Brexit, Londres pode perder seu papel como centro indiscutível de negociação de ações da Europa e, com isso, bilhões de euros de transações diárias.

Mais da metade do volume negociado em Londres vem de ações de empresas da União Europeia, e que corre o risco de migrar para a UE sem um avanço nas negociações, de acordo com dados da Cboe Global Markets. Apesar da perda de prestígio da cidade, os maiores perdedores seriam os investidores, porque a negociação mais fragmentada resultará em preços mais baixos.

“É prejudicial para investidores no Reino Unido e na UE não dispor da melhor execução no mercado de maior liquidez”, disse Nausicaa Delfas, principal representante internacional da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, em entrevista.

As empresas com sede nos 27 países da União Europeia contribuem com mais da metade do valor de todas as ações negociadas no Reino Unido. Em agosto, essa média foi de 7,2 bilhões de euros (US$ 8,5 bilhões), ou cerca de 60% dos 12,5 bilhões de euros de ações que mudam de mãos diariamente, de acordo com a Cboe, cujos dados cobrem as negociações atualmente realizadas no Reino Unido pela CBOE Europe, Aquis Exchange, London Stock Exchange e instalações administradas por vários bancos.

A chave para manter o status quo é a chamada “equivalência”, pela qual a UE consideraria que as regulamentações do Reino Unido são tão sólidas quanto as do bloco; isso permitiria a operadores europeus comprar e vender ações nos mercados de Londres.

Aprender com os suíços

Isso está longe de ser uma certeza, como os suíços aprenderam. No ano passado, a UE retirou a equivalência da Suíça, efetivamente proibindo a negociação de títulos listados na UE no país. A Suíça retaliou proibindo a negociação de ações suíças em bolsas da UE. Embora o volume em Zurique tenha aumentado, os custos de negociação para ações de empresas suíças de média e pequena capitalização aumentaram cerca de 20% logo depois que a UE deixou de reconhecer a SIX Swiss Exchange, de acordo com a Virtu Financial.

A Cboe diz que está preparada para qualquer cenário, mas “não é o resultado que esperávamos”, disse David Howson, presidente da Cboe Europe, em comunicado. A maioria dos clientes da empresa está conectada à plataforma de negociação holandesa da Cboe e pronta para mudar, disse.

A LSE não quis comentar.

A Associação dos Mercados Financeiros da Europa (AFME, na sigla em inglês) o maior grupo de lobby da região para corretores e investidores no mercado de capitais, pressiona ambas as partes para chegarem a um acordo.

“Os investidores da UE não serão capazes de acessar grandes centros de liquidez para uma série de ações da UE” na ausência da equivalência, disse April Day, diretora-gerente e responsável por ações da AFME. Assim, os gestores de ativos “podem não ser capazes de executar negociações com o melhor preço disponível”.

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