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Dia do Trabalhador tem protesto contra Bolsonaro e live com Lula, Boulos e Ciro por vacina e auxílio

FERNANDA BRIGATTI
·3 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, 01.05.2021: ATO-BOLSONARO - Ato Fora Bolsonaro e em defesa dos empregos, no Dia do Trabalho, na Praça da Sé, centro de SP. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 01.05.2021: ATO-BOLSONARO - Ato Fora Bolsonaro e em defesa dos empregos, no Dia do Trabalho, na Praça da Sé, centro de SP. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo segundo ano seguido, a multidão de pessoas, bandeiras e balões deu lugar a transmissões via internet no 1º de maio das centrais sindicais. Devido à pandemia de Covid-19, também em 2021 o Dia do Trabalhador foi à distância.

Batizado de "1º de Maio Pela Vida", o ato foi promovido por CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), NCST (Nova Central), CSB, Pública e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).

Em São Paulo, o PCO (Partido da Causa Operária) convocou uma manifestação presencial na praça da Sé, na região central da capital, em protesto ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, participou do ato, que saiu em caminhada até o Theatro Municipal.

Na avenida Paulista, apoiadores do presidente protestaram contra medidas de controle da pandemia e criticaram STF (Supremo Tribunal Federal), prefeito e governadores que fazem oposição ao governo. Outras cidades tiveram manifestações similares, com pedidos de intervenção militar e declarações de apoio à Bolsonaro.

A live das centrais teve cerca de três horas de duração. O evento "uniu" no palanque virtual presidenciáveis como Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT) e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, ambos do PT, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), lideranças de movimentos sociais e artistas.

As principais bandeiras do Dia do Trabalhador deste ano foram a defesa da democracia, do emprego, vacina para todo e auxílio emergencial de R$ 600 para todos até o fim da pandemia. Durante a transmissão, foram feitas homenagens aos brasileiros mortos pela Covid-19.

Apresentações de artistas como Chico César, Johnny Hooker e Elza Soares também foram exibidas.

Sentado em um sofá no que parece ser a sala de sua casa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviou um vídeo no qual defendeu a reabertura da economia para garantir a geração de empregos e redução do desemprego.

"Desejo a todas as organizações que patrocinam esse 1º de maio que tenhamos um futuruo auspicioso, como mais trabalho e mais possibilidades de viver melhor."

A ex-presidente Dilma Rousseff classificou o momento pelo qual o Brasil passa como uma "catástrofe sanitária e social". Ao comparar a situação do país no dia 1º de maio de 2020 com este sábado, disse que as perdas são resultado do "comportamento genocida do governo".

"Há um ano, o Brasil tinha cerca de 6.000 mortes por Covid-19. Neste 1º de maio, são em torno de 400 mil morte. No 1º de maio de 2020, o Brasil batia recorde o desemprego, mas hoje superou e chegamos a 14 milhões de desemprego e a 32 milhões de subempregados."

O penúltimo discurso transmitido na live das centrais foi o do ex-presidente Lula, para quem o 1º de maio deste ano é um dia triste, "dia de luto pelas 400 mil vítimas da Covid-19, pelos 14 milhões de desempregados e pelos 19 milhões passando fome."

Lula criticou a redução do valor do auxílio emergencial e disse que o Brasil "andou para trás" nos últimos anos. "A economia brasileira encolheu e é hoje 7% menor do que era em 2014. Já estivemos entre as sete maiores economia do mundo. Hoje, descemos ladeira abaixo (sic), ocupando a 12º colocação."

O ex-presidente também usou o tempo para criticar a operação Lava Jato, que teria destruído setores estratégicos da economia, como a construção civil e a cadeira produtiva de petróleo e gás.

Além da live das maiores centrais, neste ano duas organizações de sindicatos decidiram fazer um evento online alternativo. CSP-Conlutas e Intersindicial decidiram não participar do 1º de maio com as demais organizações. Em nota, as entidades disseram considerar inaceitável a participação de políticos que "no dia a dia, são os algozes dos trabalhadores".

A transmissão do evento de CSP-Conlutas e Intersindical durou cerca de três horas. Eles defenderam bandeiras como a realização de um lockdown nacioal com garantia de emprego, direitos e salários, auxílio emergencial de R$ 600, vacinação para todos, subsídios aos pequenos .