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Dia Nacional da Ciência | Incentivando a atividade científica no Brasil

·6 minuto de leitura

Nesta quinta-feira (8), comemora-se o Dia Nacional da Ciência, mesma data em que é celebrado o Dia Nacional do Pesquisador Científico. Ambas homenageiam a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu em 8 de julho de 1948. Desde então a entidade é um dos pilares que sustentam a atividade científica em nosso país.

"A ciência é o grande antídoto do veneno do entusiasmo e da superstição" — Adam Smith

O objetivo desta data é chamar atenção para o que o Brasil produz em termos de pesquisa científica, estimulando jovens a se interessarem por ciência e também levando o que nosso país produz nesta área para a sociedade em geral.

É fato que, apesar de o Brasil contar com grandes cientistas em diversas áreas e, assim, contribuir significativamente para com o desenvolvimento científico mundial, tanto o Governo quanto a iniciativa privada ainda investem pouco em ciência em comparação com outras nações. Nosso país está, hoje, no 62º lugar do Índice Global de Inovação, entre 131 países — na América Latina, o líder é o Chile —, sendo que, em 2011, estávamos no 47º lugar do ranking. Isso significa que, em 2020, o Brasil obteve sua pior colocação em uma década.

Mas justamente para elevar o Brasil nesse cenário foi que o Congresso Nacional estabeleceu a data em 2001, como um primeiro passo oficial para promover nossa ciência.

Definição de ciência

(Imagem: Reprodução/chenspec/Pixabay)
(Imagem: Reprodução/chenspec/Pixabay)

A palavra "ciência" tem raiz no latim "scientia", que significa "conhecimento". Por isso é correto dizer que você "tomou ciência" quando tomou conhecimento de alguma coisa que aconteceu, de um fato.

No sentido mais específico da palavra, a ciência é aquele tipo de conhecimento que busca compreender verdades ou leis naturais para explicar o funcionamento das coisas e do universo em geral. É por isso que cientistas fazem observações, verificações, medições, análises e classificações, procurando entender os fatos e traduzi-los para uma linguagem estatística. E é aí que entra o método científico.

"Existem muitas hipóteses em ciência que estão erradas. Isso é perfeitamente aceitável, eles são a abertura para achar as que estão certas" — Carl Sagan

O que é o método científico

O método científico é, basicamente, um conjunto de regras para se realizar uma experiência, com o objetivo de produzir um novo conhecimento, além de corrigir conhecimentos pré-existentes. Essas regras são necessárias justamente para coibir a subjetividade, direcionando a pesquisa para a produção de conhecimentos válidos — em suma, científicos.

Existem variados tipos de métodos científicos, na verdade, seguindo diferentes linhas de procedimento. Então, o pesquisador pode tomar diferentes caminhos para realizar um trabalho verdadeiramente preciso, como os abaixo:

  • Experimental: este tipo engloba os métodos hipotético-dedutivo, de observação e medição

  • Dialético: este tipo considera o constante movimento dos fenômenos históricos e sociais

  • Empírico-analítico: este aqui se baseia na lógica empírica, diferenciando elementos de um fenômeno e revendo cada um deles individualmente

  • Histórico: tipo que relaciona o objeto ou fenômeno estudado às etapas pelas quais eles passam, em uma ordem cronológica

(Imagem: Reprodução/Thebiologyprimer/Domínio Público)
(Imagem: Reprodução/Thebiologyprimer/Domínio Público)

Normalmente, o método científico segue algumas etapas básicas para que o planejamento da pesquisa seja orientado. Não é algo mandatório, mas o comum é a seguinte ordem: observação, elaboração do problema, levantamento de hipóteses, experimentação, análise dos resultados e conclusão.

"A ausência da evidência não significa evidência da ausência" — Carl Sagan

A observação é a etapa em que se observa o objeto ou fenômeno para começar a elencar como eles se relacionam com a realidade (ou a natureza). Então, na etapa em que se elabora o problema, o pesquisador organiza questões sobre o que está sendo observado, reunindo perguntas essenciais cujas respostas guiarão o estudo. Depois, é a hora de levantar hipóteses, usando conhecimentos prévios para supor respostas aos problemas levantados — esta etapa é uma das mais críticas; afinal, hipóteses mal elaboradas comprometem as etapas subsequentes e, consequentemente, todo o resultado do estudo.

Já na etapa da experimentação, é a hora de realizar experimentos que confirmem as hipóteses levantadas, com a união de teoria e prática. A ideia aqui é responder todos os questionamentos para verificar todos os resultados levantados, o que chega ao passo seguinte, que é justamente o de análise de resultados. Aqui, o pesquisador checa se o material reunido é suficiente para explicar todos os problemas elaborados de acordo com as hipóteses iniciais. É justamente nesta etapa em que se decide se será necessário levantar novas hipóteses ou não.

Por fim, a conclusão: é aqui que o pesquisador, então, faz afirmações sobre o objeto ou fenômeno estudado, tudo embasado pelo progresso das etapas anteriores e sua coerência. As afirmações em questão são o que se chama de teorias. Então, somente quando as diferentes hipóteses e experimentos feitos no estudo trouxerem sempre o mesmo resultado, é que as teorias poderão ser consideradas como leis, cientificamente falando.

"A ciência é ensinada de uma maneira tão chata que é um milagre as pessoas desejarem ser cientistas" — Marcelo Gleiser

E não podemos esquecer que, quando falamos em "ciência", não estamos falando apenas das ciências exatas ou biológicas— as ciências humanas também existem e tratam do comportamento do ser humano na sociedade. Contudo, nas ciências humanas nem sempre são usados os mesmos métodos das demais ciências, mas ainda assim mantêm o rigor do caráter científico em suas pesquisas e observações.

A importância da divulgação científica

(Imagem: Reprodução/Joseph Mucira/Pixabay)
(Imagem: Reprodução/Joseph Mucira/Pixabay)

Com o boom das redes sociais e da internet como um todo, a divulgação científica tem tido bastante destaque. Por um lado, é uma coisa boa: muito mais pessoas, hoje, têm acesso a conhecimentos científicos que, antes, acabavam restritos aos meios acadêmicos. Por outro lado, a qualidade e veracidade de informações disseminadas em redes sociais é motivo de preocupação — ainda mais em uma época em que as pessoas não se dão ao trabalho de checar o que recebem em grupos de WhatsApp e demais plataformas. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que a ciência ganhou um palco bastante democrático para se espalhar por aí, também vê o crescimento de correntes de desinformação que, abraçadas pela população geral, se tornam perigosas — como é o caso do movimento antivacinas, por exemplo, ou da negação das mudanças climáticas.

Por isso a difusão científica por parte da mídia é tão importante: o jornalismo tem justamente o papel de fazer checagem de fatos e informações, buscando a fonte de tal conhecimento para validá-las. A divulgação científica é o que transforma o discurso técnico em uma linguagem "palatável" para o público geral, fazendo com que qualquer pessoa, mesmo a mais leiga, seja capaz de compreender o que está sendo divulgado.

E o Canaltech faz o seu papel: nossa editoria de ciência divulga, diariamente, as grandes notícias que impactam o meio científico, reunindo descobertas, estudos em andamento e tudo o que é importante para que os leitores fiquem por dentro do que está acontecendo no universo da ciência. Afinal, é vital que os pesquisadores dialoguem com a sociedade, mostrando suas pesquisas cujos resultados, muitas vezes, melhoram a vida das pessoas — e é preciso seriedade e comprometimento para levar essas informações ao público geral, ávido por inovações que mudam o mundo.

A ciência faz parte das nossas vidas de uma maneira mais íntima do que muitos imaginam, e ter acesso ao conhecimento científico é essencial para a construção de um mundo cada vez melhor.

*Esta matéria foi publicada em 08/07/2020, sendo atualizada e republicada em 08/07/2021

Fonte: Canaltech

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