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Dia do Ciclista: em 4 anos, malha cicloviária cresceu 133% no Brasil

·6 min de leitura
Several cyclists pass through a bike path in the Copacabana neighborhood (Rio de Janeiro, Brazil)
Ciclistas passeiam em ciclovia de Copacabana, no Rio de Janeiro

O artigo pode ser lido originalmente no Betway Insider

Talvez você tenha reparado que a cada dia que passa se torna mais comum avistar bicicletas nas ruas das principais capitais no Brasil. Se você mora em São Paulo, então, possivelmente já se deparou com o inusitado congestionamento de bikes em uma ciclovia.

Existem diversos fatores para que a bicicleta tenha se popularizado no Brasil nos últimos anos, como políticas públicas que pensem em mobilidade sustentável, a procura por saúde e a busca por esportes individuais ao ar livre. Um dos principais indicadores desta nova curiosidade do brasileiro é o aumento da malha cicloviária pelo país.

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Quando falamos em malha cicloviária, é importante entender que o termo contabiliza a junção das ciclovias (de circulação totalmente exclusiva dos ciclistas, segregada do asfalto) com as ciclofaixas (faixas delimitadas na própria pista, junto aos demais veículos). Nos últimos 4 anos, ela cresceu em 133% no Brasil - e as cinco principais cidades a terem uma vasta malha são o Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

“O automóvel ainda se sobressai a qualquer tipo de meio de locomoção, mas ele traz muitas respostas negativas, como por exemplo, o aumento de Co2”, explica Jhonatas Ferreira da Silva, urbanista autor da tese “Análise do Potencial Ciclável - O Caso de Brasília”, pela Universidade do Porto, em Portugal. “Para solucionar esse problema, é importante trazer modos não motorizados de locomoção e aí a bicicleta se apresenta como a melhor alternativa. Por isso, as políticas públicas têm cada vez mais sido voltadas para isso”, adiciona.

O urbanista também conta que a maior questão é a adesão da população a esse tipo de locomoção: “As cidades têm o incentivo à bicicleta como prioridade em seu planejamento porque hoje se apresenta como melhor alternativa. Mas a população ainda vê este modo de uma forma mais voltada para o lazer”.

Porém, para Guga Torres , proprietário da loja Spokes Bike Shop, o engajamento deste meio de transporte virá com o tempo: “Os governos continuarão a estimular o uso da bike como meio de transporte e as pessoas manterão o hábito de pedalar ao reconhecer os benefícios que ela traz para a saúde, para a interação com a cidade e para o meio-ambiente”.

Seja para ir ao trabalho ou para curtir o fim de semana, as opções de caminhos seguros e voltados para a bicicleta não param de crescer no país. A fim de entender como realmente está este crescimento de rotas de bike pelo Brasil (e qual o impacto disso na economia), nosso time de caça níquel online mapeou alguns dados importantes sobre o assunto. Confira o infográfico!

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

O impacto

Com maior incentivo e maior procura, o interesse crescente por bicicletas fez com que as bike shops vivessem um aumento crescente - afinal, além da própria magrela, existem acessórios, roupas e peças para turbinar a hora da pedalada. “As vendas aumentaram em todos os sentidos e segmentos”, diz Guga, que possui a loja do segmento há 9 anos.

“As pessoas tiraram as bikes das garagens para fazer manutenção, aumentando a venda de acessórios e peças. E o aumento do número de ciclistas impacta, por natureza, a demanda por mais acessórios, vestuário e produtos ligados ao universo do ciclismo”.

O diretor executivo da Aliança Bike, associação brasileira do setor de bicicletas, Daniel Guth, afirma que o setor de bicicletas tem sido resiliente às mudanças mundiais dos últimos dois anos: “a procura e as vendas continuam em alta, apesar das dificuldades do próprio mercado de bicicleta em atender a esta demanda”. De acordo com o executivo, o mercado passa por um grande desafio: o desabastecimento da cadeia de suprimentos, especialmente de componentes para montagem de bicicletas.

Porém, o obstáculo vem sendo superado com maestria. O primeiro semestre de 2021 viu o boom traduzido em números. Foram R$ 199,5 milhões de recursos envolvidos no comércio exterior (soma de exportação e importação), número 122% superior ao mesmo período do ano passado. É o maior volume desde o início da série histórica em 2010. Os dados são do Boletim Técnico Importação, Exportação e Distribuição de Bicicletas e Componentes, desenvolvido pela Aliança Bike com apoio do Itaú, com base em dados de fontes oficiais, como a COMEXSTAT, a SISCORI (Receita Federal) e a RAIS.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Entre os milhares de novos ciclistas no Brasil, está a estudante de engenharia química, Isabela Begnami, da cidade de Leme, em São Paulo. Ela já havia andado de bicicleta na infância - ainda de rodinhas, mas nunca chegou a tirá-las. “Ano passado percebi que se tornou uma febre, então aproveitei para aprender a andar de verdade - só aos 20 anos!”, divide.

A vontade de aprender veio por uma procura de uma vida mais saudável, mas acabou virando um grande hobbie. “De dia de semana uso como forma de exercício e aos domingos curto como lazer, para explorar os arredores da minha cidade”. Assim como muitos, Isabela encontrou no pedal uma forma de conexão, com si mesma e a sua família, que costuma acompanhá-la nos passeios de fim de semana.

Para quem está entrando nesse mundo, como a estudante, muitas dúvidas podem surgir. As principais são: Como escolher a primeira bike? Quais são as diferenças entre cada modelo e como decidir o melhor para as suas necessidades? A procura por essas respostas foi tão grande que o Google indicou um aumento médio de 144% em termos ligados ao ciclismo. “Hoje o mercado possui muitas opções e preços e o cliente não precisa pagar pelo que não vai usar”, explica o dono da Spokes Bike Shop.

Para começar a respondê-las, o mais importante é ter em mente para qual finalidade você usará a bicicleta. No asfalto ou na terra? Para lazer ou locomoção? Para se divertir ou, quem sabe, entrar em competições? Em segundo, é importante ver o tamanho certo do quadro. Comprar uma bike maior ou menor do que a indicada trará lesões e desconforto ao ciclista, que logo desistirá da atividade. Por isso, é de máxima importância a ajuda de um profissional para fazer um “bike fit” e indicar o tamanho ideal.

Guga também dá mais dicas valiosas: “Observe a garantia dos quadros e o local onde a compra será feita, garantindo um bom respaldo caso aconteça algum problema. Muitas lojas oferecem revisões gratuitas depois de 30 dias da compra e isso é importante para ajustar freios e câmbios, por exemplo”. E o profissional também reforça: “Não esqueça dos acessórios para garantir a autossuficiência na bike e a segurança do ciclista! Não pedale sem capacete, iluminação noturna e uma bomba e câmera de ar - itens para uma manutenção rápida no pneu”, finaliza.

Quer conhecer um pouco sobre os tipos de bicicletas disponíveis no mercado? Criamos um infográfico informativo que irá lhe ajudar a tomar a decisão certa! Mas não esqueça de consultar um profissional.

(Foto: Divulgação)
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