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Dia da Consciência Negra tem manifestações contra racismo pelo país; marchas também pedem justiça pela morte no Carrefour

João de Mari
·3 minuto de leitura
A demonstrator holds a sign that reads in Portuguese "I can't breath" during a protest against racism and hate crimes during a Black Lives Matter demonstration in Rio de Janeiro, Brazil, Sunday, June 7, 2020. (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Um manifestante segura uma placa durante um protesto contra o racismo e crimes de ódio durante uma manifestação Black Lives Matter no Rio de Janeiro, em junho de 2020 (Foto: Photo/Silvia Izquierdo)

No dia em que se celebra a Consciência Negra, movimentos negros organizaram manifestações contra o racismo por todo país. Diversos ativistas incluíram na pauta dos atos desta sexta-feira (20) o pedido de justiça após João Alberto Silveira Freitas ter sido espancado por dois seguranças brancos até a morte em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS).

Em São Paulo, acontece a 17ª Marcha da Consciência Negra com concentração a partir das 16h no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista. A manifestação foi convocada por organizações do movimento negro, entidades sindicais e os demais movimentos sociais e tem o tema “Vidas negras importam”.

De acordo com organizadores, a marcha visa denunciar a violência que atinge majoritariamente a população negra. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que 8 a cada 10 pessoas mortas em ações policiais são negras.

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No entanto, a coordenação da marcha afirma que devido aos “acontecimentos de ontem que culminaram o assassinato de João Alberto em uma loja do Carrefour em Porto Alegre”, o ato caminhará em “direção ao Carrefour!”, diz publicação em uma rede social.

Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, há manifestações marcadas para ocorrer em frente a unidade do supermercado onde João Alberto foi morto. “Que a injustiça não apenas te entristeça, mas te radicalize. #VidasNegrasImportam”, escreveu no Twitter a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Uma usuária do Twitter publicou, às 11h de hoje, que já estava em frente a unidade do Carrefour onde João Alberto foi morto. “Estamos protestando agora no Carrefour de Porto Alegre por Beto. Queremos justiça! #CarrefourAssassino”, disse.

Em Brasília, há registros de protestos no Carrefour da 402 Sul contra o assassinato de João Alberto em uma loja da rede em Porto Alegre. Um grupo de manifestantes entrou no supermercado com placas de de personalidades negras como Luiz Gama, figura-chave no movimento abolicionista brasileiro, e o cantor Milton Nascimento. “Vidas negras importam!”, dizem.

Não é só violência

Mas as pautas não se resumem em denunciar a violência sofrida pelas pessoas negras. No Rio de Janeiro, há atos que destacam a história dos negros e a luta por igualdade dentro da sociedade.

Pela manhã, uma série de manifestações tiveram início no Monumento Zumbi dos Palmares, no Centro do Rio. A programação no local irá se estender até às 14h, segundo organizadores.

A programação no monumento começou com uma alvorada e foi seguida por uma homenagem aos ancestrais e às pessoas vítimas da Covid-19.

Um dos idealizadores do evento Negro Ogum salientou, em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, sobre a importância da data não só neste dia 20 de novembro.

“O Dia da Consciência Negra é extremamente emblemático, mas hoje não estamos festejando. Nós estamos aqui hoje homenageando, celebrando a memória dos nossos ancestrais, principalmente os nossos irmãos e irmãs que num ano tão doente, tão ruim, se foram. O racismo é a pior doença que existe. Nós queremos hoje uma vacina para curar o coronavírus, mas a vacina para acabar com o racismo, com a intolerância religiosa, ela está dentro de nós, basta nós olharmos e fazermos”, concluiu.

Há ainda manifestações marcadas para acontecer em todas as regiões do Brasil. Segundo os organizadores, os participantes devem usar máscaras de proteção individual e as pessoas do grupo de risco para o coronavírus devem ficar em casa.