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10 negros que marcaram o ramo da tecnologia

Nathan Vieira

Nesta quarta-feira (20), é celebrado no país o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista, e é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Com isso em mente, é válido recordar que, no ano passado, um estudo chamado Save Our Cities: Powering The Digital Revolution (do State of Black America) mostrou uma série de avaliações sobre a sociedade americana em relação à etnia e uma análise sobre a liderança em torno da igualdade racial na América, e apontou que apenas 5,8% do negros no país tinham ocupação na indústria tech, contra 8,5% de trabalhadores brancos.

Além disso, 8,2% de todos os diplomas concedidos a pessoas negras nos Estados Unidos entre 2015 e 2016 foram de áreas STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática), considerados essenciais para atuação em mercados digitais. Em comparação, o mesmo dado foi de 12,8% para pessoas brancas. Por sua vez, em termos de universidades, em média, uma instituição majoritariamente negra recebe 10,2% menos apoio federal por estudante do que uma não reconhecida historicamente como negra e gasta apenas 7,9% do montante que uma instituição não-negra gasta, de acordo com o estudo em questão.

Em paralelo a isso, um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Instituto Ethos em 2016 aponta que apenas 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por negros. Das 500 companhias estudadas, apenas 3,9% têm alguma forma de ação afirmativa para aumentar a presença de pessoas negras. Além disso, o estudo também traz à tona que a proporção geral de negros no mercado de trabalho ainda é muito inferior à de brancos: em cargos de supervisão, os brancos são 72,2% contra 25,9% de negros, enquanto nos cargos de gerência, os negros são apenas 6,3%, ante 90,1% de brancos. Levando tudo isso em consideração, a data é oportuna para enaltecer pessoas negras que marcaram a tecnologia.

Conheça alguns nomes!

Gerald A. Lawson

Pausar uma partida de videogame pode ser uma tarefa muito simples e banal atualmente, mas isso não existia nos primeiros consoles. Se hoje em dia os gamers de plantão apertam o “pause” sem a preocupação de perder o jogo, podem agradecer ao engenheiro eletrônico norte-americano Gerald A. Lawson (que atendia também por Jerry Lawson). A invenção mais importante de Lawson, no entanto, foi o Fairchild Channel F, um sistema de videogame baseado em cartucho. Apesar de sua indiscutível importância para a indústria do videogame, Lawson acabou não ficando verdadeiramente conhecido. Ele também era um dos pouquíssimos negros do ramo, em um período (década de 1970) em que o racismo era muito mais presente na sociedade. Sendo assim, o engenheiro precisou enfrentar muitas barreiras. Lawson fundou sua própria empresa, a VideoSoft, que produzia cartuchos para o Atari 2600. Sua morte aconteceu em 2011.

Enedina Alves Marques

A curitibana Enedina Alves Marques (1913 - 1981) entrou para a história simplesmente por ter sido a primeira mulher a se formar em engenharia no estado e a primeira engenheira negra do Brasil, ao conquistar o diploma na Universidade Federal do Paraná, em 1945. Em 2006, foi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá.

Janice Wilkins

Ex-vice-presidente de finanças e diretora de auditoria interna da Intel Corporation, Janice Wilkins passou 29 anos na empresa em questão em diversas funções operacionais e de finanças corporativas, incluindo Chefe de Recursos Humanos dos Estados Unidos e Vice-Presidente de Finanças. Além disso, foi responsável pela auditoria interna global da Intel, supervisionando as equipes de operações de investigação, ética e conformidade. Antes de sua longa carreira em tecnologia, Wilkins passou algum tempo nos setores de petróleo e gás, transporte marítimo, bancário e imobiliário.

Hadiyah-Nicole Green

A física norte-americana Hadiyah-Nicole Green, que atua como professora na Universidade de Tuskegee, nos Estados Unidos, conseguiu ter um impacto decisivo no mundo das pesquisas sobre o câncer. Acontece que em janeiro, Hadiyah-Nicole conquistou uma bolsa no valor de US$ 1,1 milhão (o equivalente a R$ 4,4 milhões), para que pudesse desenvolver um tratamento revolucionário que usa nanopartículas ativadas a laser no tratamento da doença.

Otis Boykin

O engenheiro eletrônico e inventor norte-americano Otis Boykin fez a diferença no setor da saúde, tendo em vista que foi responsável – e muito reconhecido – por aprimorar o marca-passo (aquele dispositivo de aplicação médica que tem o objetivo de regular os batimentos cardíacos), adicionando um controle eletrônico ao mecanismo, e é possível perceber que essa inovação salva vidas até hoje. Otis Boykin também é conhecido pelo fato de que, em 1961, patenteou um resistor elétrico capaz de suportar grandes mudanças de temperatura e pressão, peça que chegou até mesmo a ser utilizada pelo próprio Exército norte-americano. Ele morreu em 1982.

Patricia Bath

A oftalmologista norte-americana Patricia Bath foi a primeira mulher do Instituto de Olhos Jules Stein, e a primeira mulher a liderar um programa de pós-graduação em oftalmologia. Além disso, Patricia também foi a primeira mulher eleita para o quadro honorário do Centro Médico da UCLA, e a primeira pessoa negra a servir como residente em oftalmologia na Universidade de Nova York. A oftalmologista também fundou o Instituto Americano para a Prevenção da Cegueira, sem fins lucrativos, em Washington, D.C. A área da saúde lhe deve muito, já que a doutora foi responsável por criar o tratamento a laser para a catarata, procedimento revolucionário e bem menos doloroso aos pacientes. Sua atuação profissional foi fundamental para ampliar o oferecimento de serviços oftalmológicos para comunidades pobres. Patricia morreu em maio deste ano, aos 76 anos.

Jane Cooke Wright

Jane Cooke Wright (Nova Iorque, 30 de novembro de 1919 - Guttenberg, 19 de fevereiro de 2013), foi uma oncologista, pioneira no tratamento e pesquisa do câncer e cirurgiã, com grandes contribuições para a quimioterapia, sendo chamada inclusive de "mãe da quimioterapia". Ela deixou a sua marca na inovação por causa do desenvolvimento de técnicas de cultura de tecidos humanos em testes de efeitos colaterais de drogas em células cancerosas ao invés de utilizar cobaias, como ratos. Foi também pioneira no uso da droga Metotrexato no tratamento de câncer de mama e no uso de micose fungoide no tratamento de câncer de pele.

Phillip Emeagwali

O nigeriano Philip Emeagwali obteve um bacharelado em matemática e três outros diplomas: um doutorado em computação científica pela Universidade de Michigan e dois mestrados pela Universidade George Washington. Ele ficou conhecido na tecnologia por usar 65 mil processadores para inventar o computador mais rápido do mundo, que realiza 3,1 bilhões de cálculos por segundo. Ele foi eleito o 35º maior africano (e o maior cientista africano) de todos os tempos em uma pesquisa da revista New African. Seus registros foram citados em um discurso de Bill Clinton como um exemplo do que os nigerianos poderiam alcançar quando tivessem oportunidade.

Sonia Guimarães

A paulista Sonia Guimarães, que atualmente tem 62 anos, é a primeira negra brasileira doutora em física pela University of Manchester Institute of Science and Technology e compõe, há 24 anos, o corpo docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Ela atua na área de física aplicada, com ênfase em Propriedades Elétricas de Ligas Semicondutoras Crescidas Epitaxialmente, e já conduziu pesquisas sobre sensores de radiação infravermelha.

Mark Dean

O informático e inventor norte-americano conquistou espaço na indústria da tecnologia a partir do momento em que liderou a equipe que desenvolveu o Industry Standard Architecture (ISA), que permitiu a conexão entre computadores e periféricos (como a impressora), e a equipe de design que criou o primeiro chip processador de computador a giga-hertz. Além disso, Mark Dean detém três das nove patentes originais da IBM. Atualmente, está com 62 anos.

Fonte: Canaltech

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