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Diálogo raro! NASA e China trocam informações sobre suas espaçonaves em Marte

Daniele Cavalcante
·4 minuto de leitura

A Administração Espacial Nacional da China (CNSA) não é famosa por divulgar muitas informações sobre seus programas, mas recentemente trocou alguns dados com a NASA a respeito das missões em andamento da órbita de Marte. O objetivo, de acordo com NASA, é conhecer a órbita da espaçonave chinesa Tianwen-1 para evitar uma eventual colisão com os orbitadores estadunidenses.

Apesar de parecer uma troca simples de informações que visam a segurança de ambos os programas espaciais, a NASA não deu muita explicação sobre o assunto. O administrador da agência, Steve Jurczyk, revelou algumas conversas com a China durante uma reunião do Federal Aviation Administration’s Commercial Space Transportation Advisory Committee. Especificamente, ele respondeu à pergunta de um membro do comitê sobre como a NASA vê atividades espaciais chinesas.

Na resposta, Jurczyk disse que todo o conhecimento da NASA sobre o programa espacial da China se limita às informações que a CNSA disponibiliza publicamente. O motivo desse obscurantismo é uma emenda constitucional dos Estados Unidos que restringe as interações da organização com entidades chinesas. Não é que a troca de informações seja estritamente proibida, mas determina que a NASA obtenha aprovação do Congresso dos EUA para conversar com a agência estatal da China.

Conceito artístico da Tianwen-1 na órbita de Marte (Imagem: Reprodução/Reprodução/CASC)
Conceito artístico da Tianwen-1 na órbita de Marte (Imagem: Reprodução/Reprodução/CASC)

Uma vez que Jurczyk admitiu recentes diálogos com a CNSA, é certo que a NASA solicitou ao Congresso uma troca de informações. “Mais recentemente, tivemos uma troca [de informações] com eles sobre o fornecimento de seus dados orbitais, seus dados de efemérides, da missão orbital Tianwen-1 em Marte, para que pudéssemos fazer uma análise de conjunção ao redor de Marte com os orbitadores”, disse ele. Em astronomia, efeméride é uma tabela em que se registra regularmente a posição relativa de um astro ou objeto.

Além da CNSA, a NASA conversou com as agências espaciais de outras nações que mantém missões em Marte — Emirados Árabes Unidos, a Agência Espacial Europeia, e a Organização de Pesquisa Espacial da Índia. Em outro comunicado, a NASA afirma que houve uma troca de informações sobre as respectivas missões, ou seja, a agência estadunidense também parece ter fornecido dados orbitais sobre suas sondas no Planeta Vermelho. “Esta troca limitada de informações é consistente com as boas práticas habituais usadas para garantir uma comunicação eficaz entre os operadores de satélites e a segurança das espaçonaves em órbita”, declarou a NASA.

O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA tem um programa específico para esse setor da exploração espacial: o Multimission Automated Deepspace Conjunction Assessment Process (MADCAP). Esse programa visa avaliar as possíveis aproximações das naves na órbita marciana, a fim de evitar quaisquer riscos de acidentes. O mesmo é feito através de outro programa para lidar com as órbitas de sondas ao redor da Lua. Por enquanto, a NASA não mencionou nenhum perigo de colisão em Marte, mas as missões costumam utilizar órbitas semelhantes, o que aumenta as chances de aproximações.

Conceito artístico do rover chinês que deve pousar em Marte nos próximos meses (Imagem: Reprodução/CNSA)
Conceito artístico do rover chinês que deve pousar em Marte nos próximos meses (Imagem: Reprodução/CNSA)

Para que o MADCAP faça seu trabalho corretamente, é necessário que outras agências forneçam os dados orbitais à NASA. A última nação a cooperar com o programa foram os Emirados Árabes Unidos, que chegaram à órbita marciana em fevereiro. No entanto, a CNSA divulgou poucas informações públicas sobre a Tianwen-1, e não houve uma cooperação por parte da China até o momento em que a NASA conseguiu permissão do Congresso para um diálogo.

Essa necessidade de permissão do Congresso tem como objetivo a transparência das ações de órgãos como a NASA em relação à China. Através da solicitação para troca de informações, o FBI e outras agências de segurança nacional sabem quem está dialogando com a China. Assim, os EUA garantem que não ocorrerá contrabando de tecnologias ou de informações sensíveis à segurança nacional, por exemplo.

Há outros esforços para uma maior cooperação entre a NASA e a CNSA, como o convite da NASA para as nações colaborarem com o Programa Artemis, desde que as agências interessadas adotem uma política interna de transparência e divulgação de dados científicos e operacionais, a fim de evitar acidentes. Mas deve levar algum tempo até que os dois países possam fornecer colaboração mútua. Se por um lado a Emenda Wolf — o dispositivo estadunidense que limita o diálogo com a China — não contribui para um maior engajamento por parte da NASA, a CNSA não parece muito interessada em ser mais transparente.

Fonte: Canaltech

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