Dezembro determinará vendas em volume, diz CervBrasil

O diretor da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), Paulo Macedo, afirmou que as vendas em volume e faturamento em 2012 dependerão dos resultados do mês de dezembro. De acordo com o executivo, com base em dados do Instituto Nielsen, as vendas da bebida recuaram 0,4% de janeiro a outubro ante o mesmo período do ano passado. Já a produção, conforme dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), cresceu 3,23% em 2012 até novembro, para 12,227 bilhões de litros.

"Acreditamos em um dezembro muito bom em vendas em volume e faturamento. Novembro já sinalizou vendas positivas e a tendência é de recuperação. Mas, mesmo assim, talvez tenhamos o crescimento em consumo de cerveja mais tímido dos últimos cinco anos, por conta da menor disponibilidade de renda do consumidor", disse o executivo, em encontro com jornalistas nesta terça-feira (11). Nos últimos cinco anos, a taxa média de crescimento do setor nacional de cervejas foi de 6,5% ao ano. Em 2010 ante 2009, houve queda de 1%, em função do aumento de preços com o repasse da alta da carga tributária. Nesses cinco anos, o avanço médio do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,3% ao ano.

Preços

Macedo também comentou que o aumento de preços efetuado em 2012 foi uma "mera reposição inflacionária do setor". Ele não citou o porcentual, mas a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou recentemente que até outubro houve um reajuste de 15% nos valores finais aos consumidores. "Para se ter uma ideia, 60% dos nossos custos são oriundos de matérias-primas importadas ou dolarizadas. Somente o impacto da variação cambial na inflação do setor foi de 18%", declarou.

Com relação à questão tributária, Macedo confessou que ainda existe a expectativa de não haver o aumento dos impostos federais previstos para abril e outubro do ano que vem. "Nossa crença é de que conseguiremos sensibilizar o governo e mostrar que criamos o ciclo virtuoso de investimentos. Mas se isso vai se concretizar ou não, depende do governo", disse. Os investimentos estimados pelo setor para 2012, reiterou o executivo, é de R$ 4 bilhões.

O governo decidiu aumentar a carga tributária do setor de cervejas em 25%, parceladamente, começando em abril, com um porcentual de 2,5%. "Hoje, no valor final de nossos produtos, a carga tributária (federal e estadual) é de 50,5%", ressaltou Macedo. A CervBrasil reúne as quatro maiores fabricantes do País - Ambev, Brasil Kirin (ex-Schincariol), Heineken e Petrópolis -, responsáveis por mais de 96% do volume de cerveja produzido no País.

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