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Dez bairros da periferia de São Paulo concentram mais mortes de negros por Covid-19

Enquanto o Grajaú registrou 184 mortes de pessoas negras pelo novo coronavírus, Moema não registrou nenhuma em quase cinco meses de pandemia; subnotificação racial dos infectados também é alta na maior cidade do país. Foto: Victor Moriyama/Getty Images

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

O relatório do Inquérito Sorológico da Prefeitura de São Paulo, divulgado na primeira quinzena de julho, mostrou pela primeira vez a distribuição das mortes por Covid-19, o novo coronavírus, com informações raciais nos 96 distritos da cidade. Ao todo, foram registradas 13.580 mortes entre março e julho. São 8.183 de brancos, 4.626 de negros, 305 amarelos, 10 indígenas e outras 456 sem identificação de raça/cor. Percentualmente, as mortes de negros representam 35,3% e a de brancos 62,35%.

Entre março e 7 de julho de 2020, 4.626 negros morreram em decorrência do contágio da Covid-19 na cidade de São Paulo.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, disponibilizados ao Alma Preta, dez bairros das periferias concentram a maioria das mortes de pessoas negras. O Grajaú, na Zona Sul, é o bairro onde morreram mais negros; foram 184 em quase cinco meses de pandemia.

O balanço também aponta 177 mortes de pessoas negras no Jardim Ângela, bairro também da Zona Sul; 156 mortes em Sapopemba, na Zona Leste; 153 na Brasilândia, na Zona Norte; e 134 no Capão Redondo, na Zona Sul

No mesmo período, em Moema, bairro rico e também na Zona Sul, não houve um único registro de negro que morreu por contaminação do novo coronavírus. Perdizes, bairro rico da Zona Oeste, registrou uma morte de negro em decorrência da contaminação pelo vírus.

Infográficos mostram que mortes de negros pela Covid-19 se concentram nas periferias, enquanto os bairros ricos e mais centrais registraram um número baixo de mortes desse grupo racial.

Subnotificação racial

O Inquérito Sorológico da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo também traz dados sobre a prevalência da Covid-19 na população, de acordo com os registros confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Existe, no entanto, um percentual alto de casos sem a identificação de raça/cor dos pacientes.

De março a julho, a pasta constatou 31.424 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave na capital paulista. A divisão por cor e raça é: branca, 11.219 casos; negra, 7.564 casos; amarela, 465 casos; e indígena, 29 casos. 

Do total, 7.412 registros não têm informação racial e outros 4.735 casos foram registrados como “raça/cor: ignorado”. São 12.147 casos de Covid-19 registrados sem perfil racial, ou seja, a gestão municipal não tem como saber a raça/cor de 38,6% dos infectados pelo novo coronavírus na maior cidade do país.

O Alma Preta questionou a Prefeitura de São Paulo sobre a falta de dados mais precisos sobre a raça/cor das pessoas infectadas pela Covid-19. A reportagem também perguntou se nas próximas fases de divulgação dos contaminados pelo novo coronavírus haverá uma orientação para a melhoria da coleta dos dados raciais. Até a publicação deste texto, a pasta não respondeu aos questionamentos.