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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (23/05 a 29/05/2020)

Daniele Cavalcante

A NASA tem um site chamado Astronomy Picture of the Day (APOD), no qual destaca uma imagem astronômica por dia. Geralmente, é uma foto de algum objeto cósmico - galáxias, estrelas, cometas, nebulosas, entre outros -, com a explicação de um astrônomo profissional sobre ela.

Nesta semana, as imagens selecionadas são particularmente espetaculares. Boa parte delas mostra objetos cósmicos, como nebulosas e o centro da Via Láctea, em contraste com cenas incríveis da natureza terrestre, como o topo do Himalaia ou o fungo fantasma com seu brilho esverdeado intenso. Outras revelam como o planeta Terra parece minúsculo quando visto em outros cantos do Sistema Solar.

Confira o compilado das imagens astronômicas destacadas pela NASA desta semana, com algumas explicações e curiosidades.

Sábado (23/05) - Fungo fantasma

Foto: Gill Fry

Esta fotografia de Gill Fry destaca não apenas as estrelas do céu noturno, como também satélites que passam sobre a Reserva de Wannon Falls, no sudoeste de Victoria, Austrália. Além da árvore pitoresca no centro da composição, a Grande Nuvem de Magalhães, galáxia satélite de nossa Via Láctea, faz um belíssimo papel de “cereja do bolo”.

Logo abaixo, em primeiro plano, está o omphalotus nidiformis, conhecido como "fungo fantasma", justamente pela sua bioluminescência. Ele é geralmente encontrado em árvores mortas ou moribundas no sul da Austrália, e se trata de um fungo saprófita e parasita. E, bem, brilha em verde opaco no escuro, embora a imagem da câmera digital tenha capturado uma cor mais brilhante.

Duas imagens foram combinadas para criar a cena. Uma focada nas estrelas distantes e na Grande Nuvem de Magalhães, que fica a cerca de 160.000 anos-luz de distância. Outra focada no primeiro plano e no fungo. Os riscos no céu provavelmente são satélites que cruzavam a órbita planetária enquanto o obturador da câmera estava aberto para captar mais luz das estrelas e da nebulosa.

Domingo (24/04) - O “Grand Canyon” marciano

Imagem: NASA

Esta imagem não é nova, mas merece aparecer como destaque. Essa faixa que atravessa o planeta Marte é o Valles Marineris (Vales de Mariner em latim, nome dado em referência ao orbitador Mariner 9, que esteve por lá entre 1971 e 1972, descobriu essa estrutura na superfície). Trata-se de um sistema que percorre a superfície marciana a leste da região de Tharsis. Medindo mais de 3.000 km de extensão, 600 km de largura e até 8 km de profundidade, é o maior desfiladeiro do Sistema Solar - bem, há uma única exceção, se considerarmos o vale submarino profundo que corre os 16.000 km de extensão da Dorsal meso-atlântica. O famoso Grand Canyon, por sua vez, tem 800 quilômetros de comprimento, 30 quilômetros de largura e 1,8 quilômetros de profundidade.

A origem do Valles Marineris ainda é desconhecida, mas uma das principais hipóteses defende que ele começou como uma rachadura tectônica bilhões de anos atrás, enquanto o planeta esfriava. Isso teria acontecido quando a crosta se elevou a oeste na região de Tharsis, tendo sido depois alargado por forças eólicas erosivas. Em outras partes, o Valles Marineris parece ter alguns canais que podem ter sido formados por água ou dióxido de carbono.

Essa imagem foi criada a partir de mais de 100 fotos de Marte tiradas pelas sondas Viking lançadas na década de 1970.

Segunda-feira (25/05) - A Montanha Mística

Imagem: NASA/ESA/Judy Schmidt

A Montanha Mística é o termo usado para nomear uma região da Nebulosa Carina, e esta é uma de suas imagens mais famosas, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble. Apesar do nome, se parece uma espécie de monstro cósmico em pé e com as patas erguidas. Dentro da “cabeça” dele, há uma estrela que está destruindo lentamente o monstro.

Na verdade, trata-se de uma série de pilares de gás e poeira, com vários anos-luz de extensão. A estrela destruidora não é visível aos olhos nessa imagem por causa da poeira interestelar, mas ela está lá, explodindo ao ejetar gás que colide com nuvens de gás próximas a velocidades de milhares de km/s - um processo que gera algo conhecido como objeto de Herbig-Haro.

Localizados a cerca de 7.500 anos-luz de distância na Nebulosa de Carina, os pilares são visualmente dominados por poeira escura, embora sejam compostos principalmente de gás hidrogênio claro. Em todos esses pilares, a luz e o vento energético de estrelas jovens e massivas estão evaporando e dispersando os “berçários” estelares em que se formaram. Por isso, dentro de alguns milhões de anos, a cabeça desse “monstro”, assim como a maior parte de seu corpo, terá sido completamente evaporada pelas estrelas internas e circundantes que ele próprio está gerando.

Terça-Feira (26/05) - A Via Láctea sobre o Himalaia

Foto: Tomas Havel

Acima das montanhas cobertas de neve do Himalaia, está a faixa central da nossa galáxia, a Via Láctea. Poucas coisas podem ser mais icônicas do que a mais alta cadeia montanhosa do mundo em contraste com o nosso centro galáctico. O ponto brilhante enorme logo acima do plano central é o planeta Júpiter, enquanto o ponto laranja mais brilhante no canto superior direito é a estrela Antares.

Para criar essa imagem, o astrofotógrafo Tomas Havel enfrentou temperaturas abaixo de zero a quase 4.000 metros de altitude. A imagem é um composto de oito exposições feitas com a mesma câmera e no mesmo local durante três horas, logo após o pôr do sol, em abril de 2019, próximo ao Lago Bimtang, no Nepal.

Quarta-feira (27/05) - Entre os anéis de Saturno

Imagem:  NASA/ESA/JPL-Caltech/SSI/Cassini Imaging Team/Kevin M. Gill

Se você pensou que esses pontos brilhantes entre os anéis de Saturno são luas daquele planeta, pense de novo. Na verdade, é a Terra e Lua. Há pouco mais de três anos, a sonda Cassini, que investigava Saturno de perto, conseguiu olhar em direção ao Sistema Solar interno. Lá, ela viu nosso planeta e nosso satélite natural a cerca de 1,4 bilhão de km de distância.

À direita da imagem está o chamado “anel A”, com a ampla Divisão Encke na extrema direita e o Keeler Gap - o espaço mais estreito, ao centro. Na extrema esquerda, no canto superior, encontra-se o “anel F” em sua constante mudança. Nesta perspectiva, a luz vista dos anéis de Saturno estava espalhada principalmente para a frente e, portanto, parecia contraluz.

Quinta-feira (28/05) - Estação Espacial Internacional

Foto: Helmut Schnieder

A Estação Espacial Internacional (ISS) fica visível no céu em muitas ocasiões e em diversas regiões do planeta. Nesta foto, ela passava sobre o lago Wulfsahl-Gusborn, no norte da Alemanha, logo após o pôr do Sol, em 25 de março. Ao ser fotografada, a ISS ainda recebia os últimos raios solares.

Logo à esquerda da trilha deixada pela passagem da ISS, está Orion, facilmente reconhecida pelos mais familiarizados com as constelações. À direita, Vênus assume seu papel de “estrela” mais brilhante da noite, logo acima do horizonte ocidental.

Essa cena foi criada com uma série de cinco exposições. Podemos afirmar isto mesmo que o fotógrafo não revele seu método, pois há um curto intervalo de tempo dentro da linha deixada pela ISS - pode contar, são cinco linhas separadas por um pequeno espaço, significando que houve uma pausa entre as diferentes fotografias de exposição prolongada.

Olhe atentamente outra vez e você também vai notar que o céu na parte superior é apenas um reflexo. Perceba como a parte de baixo, que parece ser o reflexo em um lago, é muito mais nítida. Ou seja, a imagem foi - propositalmente - invertida, para que o reflexo no lago fique em cima e o céu real embaixo.

Sexta-feira (29/05) - Vênus e Mercúrio

Foto: Marco Meniero

Pode parecer a Lua em meio aos galhos de um eucalipto, mas é o planeta Vênus em fase crescente, com Mercúrio do lado esquerdo. Os dois planetas estão perto do horizonte e compartilharam esse campo de visão na noite de 22 de maio, em Civitavecchia, Itália. A imagem foi capturada com a ajuda de um telescópio.

Vênus está se dirigindo para sua conjunção inferior, ou seja, ficará posicionado exatamente entre a Terra e o Sol em 3 de junho. Enquanto isso, Mercúrio está em uma fase mais parecida com a Lua Cheia, subindo no céu ocidental e atingindo sua distância angular máxima do Sol no dia 4 de junho. Ainda assim, foi possível contemplar essa aproximação dos dois planetas no céu noturno nos dias 21 e 22 deste mês.

Fonte: Canaltech