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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (03/10 a 09/10/2020)

Daniele Cavalcante
·7 minutos de leitura

"Sabadou" com mais uma série de imagens especialmente selecionadas pela NASA para banquetear nossos olhos e nos trazer algumas informações super interessantes sobre nosso universo. Entre os destaques, algumas imagens de nebulosas curiosas, como a Nebulosa da Lula Gigante, e a famosíssima Nebulosa de Órion. Se você gosta da Lua, também vai apreciar uma foto bem detalhada do hemisfério norte, com a célebre cratera Plano, uma das mais clicadas pelos amantes do nosso satélite natural.

Você também confere abaixo uma sequência que mostra a aproximação de Marte durante os últimos dias, enquanto o planeta atingia a menor distância possível da Terra. Você aproveitou para conferir o brilho do Planeta Vermelho no céu enquanto ele parecia maior que de costume? Esperamos que sim, pois outra oportunidade como está só acontecerá em 2035!

A nossa compilação de imagens fecha com uma belíssima fotografia do Very large Array, o observatório que comemora 40 anos de contribuições inestimáveis para a ciência. Hoje acontece um evento online especial pra celebrar o VLA, e você pode participar. Quer saber como? Confira o link no final da coluna ;)

Sem mais delongas, vamos às imagens astronômicas da semana:

Sábado (03/10) — Um Sol tranquilo

(Imagem: Reprodução/Solar Dynamics Observatory/NASA)
(Imagem: Reprodução/Solar Dynamics Observatory/NASA)

Esta imagem belíssima do nosso Sol mostra exatamente como ele está atualmente: calmo. Não há muita atividade solar acontecendo por ali no momento. No final de setembro, cientistas da missão Solar Orbiter, uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e NASA, informaram que os primeiros dados da sonda revelam que o Sol está mesmo em um momento "tranquilo".

A informação veio com a coleta de dados pelos instrumentos Detector de Partículas Energéticas (EPD), Ondas de Plasma e Rádio (RPW) e Magnetômetro (MAG), todos a bordo da sonda. O cenário do Sol, entretanto, deverá mudar nos próximos anos com o aumento da atividade solar. O principal objetivo de estudos desse tipo é entender como funcionam os mecanismos que produzem maior atividade nos ciclos solares e resultam em tempestades que podem ser bastante prejudiciais para os instrumentos terrestres, tais como nossos satélites de comunicação.

Domingo (04/10) — Nebulosa de Órion

(Imagem: Reprodução/César Blanco González)
(Imagem: Reprodução/César Blanco González)

A Nebulosa de Órion já apareceu muitas vezes nas imagens em destaque da NASA, e provavelmente continuará aparecendo no futuro. E há um motivo para isso. Esta paisagem fabulosa, formada por um "berçário de estrelas" (isto é, onde estrelas nacem), tem formas tão peculiares que não cansam os olhos e estimulam nossa imaginação. Ela é formada por gás brilhante que envolve estrelas jovens e quentes na borda de uma imensa nuvem molecular interestelar.

Com cerca de 40 anos-luz de extensão, ela está localizada a 1.500 anos-luz de distância. Muitas das estruturas que parecem filamentos na imagem acima são na verdade ondas de choque, provocadas quando o material em movimento rápido encontra gás em movimento lento.

A Grande Nebulosa de Orion pode ser vista a olho nu logo abaixo e à esquerda do cinturão da constelação de Órion (conhecido no Brasil como As Três Marias). Ela fica no mesmo braço espiral da Via Láctea que o Sol, e por isso podemos vê-la com tanta facilidade.

Segunda-feira (05/10) — Galáxia Seyfert

(Imagem: Reprodução/ESA/Hubble/NASA/A. Riess)
(Imagem: Reprodução/ESA/Hubble/NASA/A. Riess)

Esta é a galáxia espiral NGC 5643, um disco giratório de estrelas e gás com braços espirais azuis ao seu redor, com poeira marrom emaranhada por toda parte. O núcleo desta galáxia é ativo, e brilha intensamente em ondas de rádio e raios-X. Algo muito poderoso ali está acontecendo.

Neste centro galáctico, onde foram encontrados jatos gêmeos, um brilho central incomum mostra que se trata de uma galáxia Seyfert, ou seja, uma espiral que possui núcleos extremamente pequeno e muito luminoso, contribuindo com metade da luminosidade total da galáxia na faixa visível do espectro eletromagnético. Portanto, é classificada como uma galáxia ativa.

A NGC 5643 é uma das galáxias Seyfert mais próximas, a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância. Há uma grande quantidade de gás brilhante caindo em um buraco negro massivo em seu centro, e ela mede cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro.

Terça-feira (06/10) — Aproximação de Marte

(Imagem: Reprodução/Jonathan T. Grayson)
(Imagem: Reprodução/Jonathan T. Grayson)

Se você olhou para o céu na última terça-feira (6), talvez tenha reparado no brilho vermelho intenso. Marte esteve mais brilhante nas últimas semanas que de costume, pois se aproximou bastante do nosso planeta, e no dia 6 Marte atingiu sua máxima aproximação com a Terra. Essa aproximação acontece uma vez a cada dois anos, mas dessa vez foi ainda mais especial porque o Planeta Vermelho chegou o mais perto possível de nós.

Acontece que devido à órbita altamente elíptica de Marte, as estações por lá são determinadas pela distância em que o planeta se distancia ou se aproxima do Sol, e não por causa da inclinação axial, como é o caso das estações do ano que temos aqui na Terra. Assim, o inverno marciano ocorre quando ele está mais longe do Sol, e o verão chega quando está mais perto. A cada 15 anos, Marte, Terra e Sol ficam alinhados exatamente no momento quando Marte está no verão, ou seja, quando ele está bem mais perto do Sol.

É por isso que a cada 15 anos nosso vizinho fica mais perto também da órbita terrestre e, portanto, aparece maior e mais brilhante no céu noturno. Tamanha aproximação entre os dois planetas só vai se repetir em 2035.

Quarta-feira (07/10) — Nebulosa da Lula Gigante

(Imagem: Reprodução/Yannick Akar)
(Imagem: Reprodução/Yannick Akar)

Pode não parecer nesta imagem, mas a nebulosa da Lula Gigante é muito grande e pode ser vista no céu noturno. Catalogada como Ou4, está dentro do objeto Sh2-129, também conhecido como Nebulosa do Morcego Voador. Ambas foram capturadas nesta cena em direção à constelação Cepheus, mas essa belíssima composição só foi possível com 55 horas de dados de imagem capturados por um telescópico.

Descoberta em 2011, a Nebulosa de Lula aparece aqui em grande contraste por causa da emissão que apresenta uma cor azul, revelando átomos de oxigênio duplamente ionizados. Embora esteja aparentemente cercada pela emissão de hidrogênio da nebulosa Sh2-129, que aparece em tons de vermelho, a verdadeira distância da Nebulosa da Lula são difíceis de determinar.

Quinta-feira (08/10) — Mare Frigoris

(Imagem: Reprodução/Matt Smith)
(Imagem: Reprodução/Matt Smith)

Mare Frigoris, ou Mar Frio, é uma região da Lua que fica no extremo norte do nosso satélite natural. Trata-se de um mar (termo usado para designar algumas formações morfológicas da nossa e de outras luas) com 1.446 km de diâmetro, localizado na borda externa da bacia Procellarum. Também está perto do Mare Imbrium e se estende em direção ao leste, onde está o Mare Serenitatis.

Também podemos encontrar na imagem alguns picos iluminados pelo Sol. São os Alpes lunares. Eles são cortados por uma linha reta, chamada Vale Alpino. Logo à esquerda dos Alpes, está uma grande cratera conhecida como Plato, uma das mais famosas e mais fotografadas crateras da Lua. Devido à sua posição mais para o norte, ela parece ter formato oval, mas Plato tem uma formação circular com um contorno regular.

Sexta-feira (09/10) — Very Large Array

(Imagem: Reprodução/Jeff Hellermann/NRAO/AUI/NSF)
(Imagem: Reprodução/Jeff Hellermann/NRAO/AUI/NSF)

Os instrumentos utilizados nas grandes descobertas sobre nosso universo também são formidáveis. Incríveis construções humanas capazes de detectar sinais emitidos por objetos cósmicos a dezenas de milhares de anos-luz de distância. Entre esses instrumentos, está o rádio observatório Very Large Array, especialista em captar sinais de rádio, que é um dos componentes do espectro eletromagnético. Ou seja, viaja junto com a luz visível universo afora e, eventualmente chega até nós.

Neste cenário, as 27 antenas se erguem no deserto do Novo México ao pôr da Lua e fazem um lindo contraste com o céu noturno estrelado. As antenas são montadas em pilares, mas podem ser transportadas em vias ferroviárias para alterar a configuração do VLA. Cada uma dessas antenas tem 25 metros de diâmetro, e a matriz na qual são organizadas pode chegar a até 35 km. Não é à toa que se chama "telescópio muito grande" (em tradução livre).

O VLA foi usado para descobrir coisas como a água de Mercúrio, microquasares em nossa galáxia, anéis de Einstein ao redor de galáxias distantes, e muito mais. Ele já foi usado em mais de 14.000 projetos de observação e contribuiu para mais de 500 dissertações de doutorado. A NASA decidiu destacá-lo porque hoje (10 de outubro) o National Radio Astronomy Observatory realizará uma celebração on-line dedicada aos 40 anos de atividade do VLA, apresentando tours virtuais e apresentações sobre o passado e o futuro desta maravilha da astronomia moderna.

Para participar, acesse a página oficial do evento.

Fonte: Canaltech

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