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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (19/09 a 25/09/2020)

Daniele Cavalcante
·8 minutos de leitura

As imagens selecionadas nesta semana pela NASA para o site Astronomy Picture Of The Day (APOD) são bastante didáticas. Elas mostram um pouco sobre o efeito paralaxe, que se refere à posição relativa dos objetos cósmicos à medida que o observador muda de posição. Para exemplificar, a NASA escolheu uma imagem que mostra a real distância entre as estrelas de uma constelação famosa, a Órion.

Também há imagens que revelam um pouco sobre outro efeito universal, o redshit, que faz com que a luz se desvie para o vermelho no espectro eletromagnético enquanto a fonte dessa mesma luz se afasta de nós. E por falar em fontes de luz, o Sol protagonizou o APOD duas vezes nesta semana, com fotografias incríveis que mostram ilusões de ótica da nossa atmosfera e a trajetória do Sol no céu ao longo dos meses.

Por fim, há galáxias, mundos distantes, e imagens que só foram possíveis após um trabalho muito cuidadoso dos fotógrafos.

Sábado (19/09) — Órion em paralaxe

(Imagem: Reprodução/Ronald Davison)
(Imagem: Reprodução/Ronald Davison)

Essa imagem da famosa constelação de Órion é bem didática em seu modo de demonstrar como as estrelas de uma constelação não estão necessariamente no mesmo plano entre si. É uma visualização 3D que nos coloca em um diferente ponto de vista, longe da Terra, e revela as posições relativas das estrelas brilhantes de Órion, incluindo a nebulosa brilhante.

Por exemplo, a estrela Alnilam faz parte da constelação, mas ela é a mais distante do nosso planeta. Entretanto, ela é altamente brilhante no céu — é uma das Três Marias, ou seja, faz parte do cinturão do caçador, figura que representa a constelação de Órion. A magnitude da Alnilam é de 1,7 e ela está a quase 2.000 anos-luz de distância, quase 3 vezes mais longe que as outras duas estrelas do cinturão. Além disso, ela é quase tão brilhante quanto a Bellatrix, que tem magnitude de 1,64 e está bem mais próxima da Terra.

Outra curiosidade é sobre o brilho real de cada estrela. Por exemplo, Rigel e Betelgeuse têm brilho aparente muito mais intensos, mas se estivessem todas na mesma distâncias, Alnilam seria a mais brilhante. Ou seja, ela tem a maior magnitude absoluta (quanto menor o número de magnitude, maior é o brilho do objeto).

Para criar este gráfico, foram usados dados do catálogo Hipparcos, criado na missão Hipparcos da Agência Espacial Europeia, que permitiu as informações de paralaxe de 118.218 estrelas. Paralaxe, em astronomia, é a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos, como exemplificado nesta imagem.

Domingo (20/09) — Redshift

(Imagem: Reprodução/VIMOS/VLT/ESO)
(Imagem: Reprodução/VIMOS/VLT/ESO)

Parece um mosaico sem sentido, mas a imagem acima mostra a luz de galáxias distantes dividida nos espectros da onda eletromagnética. Dentro dessa onda estão todas as cores visíveis, as não visíveis pelo olho humano, os raios-X, entre outras faixas que viajam na velocidade da luz. A distância para centenas de galáxias pode ser medida a partir de um único quadro.

Acontece que no universo a luz sofre os efeitos da expansão do universo junto da desaceleração do tempo. Quando a luz é dilatada no tempo, parece se deslocar em direção à extremidade vermelha do espectro eletromagnético, um fenômeno que os astrônomos chamam de redshift. Quando a luz se desloca para o vermelho, sabemos que a fonte (uma galáxia, por exemplo) está se afastando de nós. Assim, é possível usar a desaceleração cosmológica do tempo para medir distâncias colossais no universo.

Segunda-feira (21/09) — Ômega solar

(Imagem: Reprodução/Juan Antonio Sendra)
(Imagem: Reprodução/Juan Antonio Sendra)

Esse é aquele tipo de imagem rara por exigir do fotógrafo sorte e tempo — além de habilidade, claro. Por um mero acaso muito bem-vindo, o Sol ao fundo pareceu incomum nesta cena, pois seu formato aqui se assemelham à letra grega Ômega (Ω). Trata-se de uma ilusão criada pela refração da luz solar no ar quente logo acima da água. Os “pezinhos” da letra são uma imagem invertida da região do Sol logo acima.

Além disso, esses efeitos de ilusão dão a impressão de que os objetos como o Sol e a Lua são maiores quando estão perto do horizonte. Esta foto foi tirada sobre o Mar Mediterrâneo há pouco mais de duas semanas, perto de Valência, Espanha.

Terça-feira (22/09) — A dança do Sol

(Imagem: Reprodução/Luca Vanzella)
(Imagem: Reprodução/Luca Vanzella)

Aqui, a imagem em timelapse mostra de modo esclarecedor como o Sol passa por lugares diferente do céu em seu movimento aparente ao longo dos dias. Dizemos que o movimento é “aparente” porque, na verdade, quem se move é a Terra, e como os movimentos de rotação e translação não são totalmente alinhados, nossa estrela cruza o seu diurno em pontos diferentes a cada dia.

Nessa composição, estamos vendo sete faixas do Sol percorrendo seu trajeto enquanto se põe no horizonte, um dia a cada mês, de dezembro de 2019 a junho de 2020. Estas sequências de imagens foram tiradas de Alberta, Canadá, e mostram a cidade de Edmonton em primeiro plano. A faixa do meio mostra o pôr do sol durante o equinócio de outono que ocorreu em março. Naquele lugar, o Sol percorreu ao longo desta mesma faixa central na última terça-feira, dia que tivemos o equinócio de primavera.

Quarta-feira (23/09) — ISS sobre Marte

(Imagem: Reprodução/Tom Glenn)
(Imagem: Reprodução/Tom Glenn)

Se fotografar a Estação Espacial Internacional (ISS) passando em frente ao Sol/Lua já é algo difícil, que exige bastante planejamento, tempo e paciência, imagine registrar o momento em que ela passa por frente Marte! Isso foi possível com a ajuda de um software online, que mostrou exatamente quando essa conjunção aconteceria.

O fotógrafo teve apenas alguns instantes para capturar a imagem da ISS enquanto ela passava por este pequeno pontinho no céu. Foi necessário ficar dentro de um trecho muito estreito de terra, que mede apenas 90 metros, onde a velocidade da estação seria de 7,4 km/s. Com uma câmera comum e um pequeno telescópio, foi possível se posicionar bem o suficiente para apontar os instrumentos rumo ao lugar certo e aproveitar uma janela de tempo de apenas um milissegundo.

Quinta-feira (24/09) — Encélado

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/LPG/CNRS/University of Nantes/Space Science Institute)
(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/LPG/CNRS/University of Nantes/Space Science Institute)

Durante sua missão, a Cassini sobrevoou Encélado147 vezes, sendo que se aproximou bastante da lua gelada 23 vezes, usando o instrumento Visual and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) para coletar dados em infravermelho. Com esse conjunto de dados, uma equipe de cientistas conseguiu criar um verdadeiro mosaico espectral da superfície da lua.

Os três canais infravermelho do VIMS foram representados cada um por uma cor diferente: vermelho, verde e azul —, que por sua vez foram sobrepostas através do Imaging Science Subsystem, um sistema composto por uma câmera digital grande angular e outra de ângulo estreito. As câmeras ficavam a bordo da Cassini e eram sensíveis aos comprimentos de onda visíveis da luz e a alguns comprimentos de onda infravermelho e ultravioleta. Cada câmera tinha vários filtros montados em rodas para selecionar os comprimentos de onda a serem mostrados nas imagens.

Assim, os cientistas conseguiram obter variações da superfície retratadas nas cores aplicadas nessas imagens. Isso pode ser observado em regiões conhecidas como Tiger Stripes no Polo Sul, que possui quatro grandes falhas tectônicas, que podem ser vistas nas linhas de intensa tonalidade vermelha. Já o tom avermelhado mais suave que vemos na primeira imagem, representa o gelo de água doce, que foi exposto recentemente. Essa técnica de mapeamento poderá ser usada em outras luas geladas para compará-las com Encélado.

Sexta-feira (25/09) — Andrômeda e a Lua

(Imagem: Reprodução/Adam Block/Tim Puckett)
(Imagem: Reprodução/Adam Block/Tim Puckett)

A Grande Galáxia Espiral em Andrômeda (também conhecida como M31), fica a meros 2,5 milhões de anos-luz de distância de nós, sendo a grande espiral mais próxima da Via Láctea. Você pode vê-la a olho nu se estiver olhando para um céu com as condições climáticas adequadas, mas ela se parecerá apenas uma pequena mancha pouco brilhante. Por isso, pode ser que não tenhamos noção de sua grandiosidade em termos de extensão.

Esta imagem é obviamente uma composição criada para nos dar uma melhor impressão do tamanho da galáxia em uma visão cósmica mais brilhante e familiar. Andrômeda está colocada em contraponto com a nossa Lua quase cheia, na mesma escala angular. Aqui, a Lua cobre cerca de 1/2 grau no céu, enquanto a galáxia tem várias vezes esse tamanho. É mais ou menos assim que veríamos o céu caso a luz chegasse até nós em bem melhores condições. A exposição de Andrômeda revelou outras duas galáxias satélites, a M32 e a M110.

Fonte: Canaltech

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