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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (06/08 a 12/08/2022)

Chegamos a um fim de semana bastante aguardado pelos entusiastas do espaço: foi na madrugada de sexta (12) para sábado (13) que ocorreu o pico da chuva dos meteoros Perseidas. Caso você não tenha conseguido observá-los, não se preocupe: você terá mais algumas chances até o dia 24 de agosto, e o compilado de fotos astronômicas desta semana conta com um belo registro da chuva no ano passado. Outra imagem trouxe um meteoro "visitante", possivelmente vindo da chuva Delta Aquáridas.

As nebulosas também apareceram por aqui, com suas típicas cores e formas espetaculares — neste compilado, temos uma foto da Nebulosa da Águia que traz também os Pilares da Criação, densas colunas de poeira. Será que você conseguirá encontrá-los? Confira as fotos:

Sábado (06) — Lua Fobos

Fobos, uma das luas de Marte (Imagem: Reprodução/G. Neukum (FU Berlin) et al., Mars Express, DLR, ESA)
Fobos, uma das luas de Marte (Imagem: Reprodução/G. Neukum (FU Berlin) et al., Mars Express, DLR, ESA)

Que tal pegar um par de óculos 3D, daqueles com uma lente azul e outra vermelha, para observar a lua Fobos de uma forma diferente? Esta foto foi originalmente capturada pela câmera High Resolution Stereo Camera (HRSC), instalada na sonda europeia Mars Express. Ela estava a cerca de 200 km de Fobos, produzindo uma das fotos de mais alta resolução já obtidas dela.

O que temos aqui é um anáglifo tridimensional, gerado a partir da combinação de vários "canais" de imagem da câmera HRSC. O resultado é esta visão diferente do lado da lua voltado para Marte, marcado por uma série de crateras: algumas têm materiais escuros em seu interior, enquanto outras têm regolito que desliza pelas paredes delas.

Fobos parece estar se aproximando de Marte lentamente. Na época da foto, ela estava a cerca de cinco quilômetros à frente de sua posição orbital prevista, o que sugere que estava seguindo em espiral em direção a Marte. Por isso, em alguns milhões de anos ela pode acabar destroçada pela gravidade do planeta, formando um anel ao redor do nosso vizinho. Outra possibilidade é que ela se choque contra a superfície marciana.

Domingo (07) — Meteoro e Andrômeda

Foto da galáxia Andrômeda feita perto do pico da chuva de meteoros Perseidas (Imagem: Reprodução/Fritz Helmut Hemmerich)
Foto da galáxia Andrômeda feita perto do pico da chuva de meteoros Perseidas (Imagem: Reprodução/Fritz Helmut Hemmerich)

Esta foto nos mostra bem o que pode acontecer quando um astrofotógrafo decide fotografar algum objeto no céu na véspera do pico de uma chuva de meteoros. A imagem foi capturada em uma noite de 2016 — não numa noite qualquer, mas sim pertinho do pico da chuva de meteoros Perseidas naquele ano. Só que, se analisarmos a orientação da foto, é possível que o meteoro não tenha vindo desta chuva.

Para o fotógrafo, o rastro esverdeado não pertence a um meteoro Perseidas, mas sim a um da chuva Delta Aquáridas, que pareceu ter aparecido "atrasado". Ambos os eventos ocorrem em épocas próximas no ano, e o melhor jeito de diferenciá-los é observando o radiante (a direção de onde os meteoros parecem vir): a chuva Perseus tem radiante na constelação Perseus, e a Delta Aquáridas, na constelação Aquário.

Já ao fundo, está a galáxia Andrômeda. Também chamada "Messier 31", Andrômeda fica a cerca de 2,5 milhões de anos-luz de nós e é considerada o objeto mais distante visível a olho nu. Em cerca de quatro bilhões de anos-luz, ela deverá colidir com a Via Láctea, e o processo deverá dar origem a uma galáxia maior e com forma bem diferente da que ambas têm hoje.

Segunda-feira (08) — Nebulosa Laguna

Gases e nuvens de poeira escura na Nebulosa da Laguna (Imagem: Reprodução/Sameer Dhar)
Gases e nuvens de poeira escura na Nebulosa da Laguna (Imagem: Reprodução/Sameer Dhar)

Que tal um realizar "mergulho cósmico" nesta foto da Nebulosa Laguna? Formado por gases interestelares brilhantes e grandes nuvens de poeira escura, este objeto fica em direção à constelação Sagitário e é uma região de formação estelar localizada a cerca de 5.200 anos-luz da Terra. Se as condições de observação estiverem adequadas, ela pode ser visível a olho nu, com brilho fraco.

Outra característica interessante desta nebulosa é que ela tem, em seu interior, várias estrelas massivas, cuja radiação ultravioleta ioniza o gás e faz com que emita luz — os tons avermelhados da foto vêm dos átomos de hidrogênio ionziado. Já à direita do centro da foto, está uma região compacta e brilhante, com formato que lembra o de uma ampulheta. Ela foi esculpida pela radiação de uma estrela jovem massiva.

Essas estrelas fazem parte do aglomerado estelar NGC 6530, formado no interior da nebulosa há alguns milhões de anos. Este é um aglomerado estelar aberto, ou seja, é formado por alguns milhares de estrelas que nasceram de uma única nuvem molecular, e têm idade parecida. Como foram removidas digitalmente, elas não aparecem nesta foto.

Terça-feira (09) — Até mais e obrigado, Terra!

Já imaginou como seria ir embora do nosso planeta? Pois é, este vídeo te mostra como seria a experiência sem que você precise sair de casa. A sequência foi gravada detalhadamente pela sonda MESSENGER (sigla para “(Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging”), lançada pela NASA em 2004 para estudar Mercúrio.

A viagem até o planeta iria durar mais de seis anos e, para chegar ao seu destino, a sonda precisou realizar algumas manobras de assistência gravitacional no Sistema Solar interno para reduzir sua aceleração em relação a Mercúrio, aproveitando também para economizar combustível. Em uma dessas manobras, em 2005, ela precisou “voltar” para a Terra antes de seguir ao planeta — e, felizmente, a nave gravou o vídeo acima durante a visita.

Na sequência, a Terra aparece girando enquanto fica cada vez mais distante, em meio à escuridão do espaço, enquanto o lado diurno do nosso planeta brilhava tanto que ofuscou a luz das estrelas. O vídeo foi produzido com 358 quadros fotografados em mais de 24 horas: no início, a nave estava a aproximadamente 65 mil quilômetros de altitude, acima da América do Sul. Já na última foto, ela estava a mais de 435 mil km do nosso planeta.

Quarta-feira (10) — Nebulosa do Pacman

A nebulosa de emissão NGC 281 (Imagem: Reprodução/Douglas J. Struble (Future World Media))
A nebulosa de emissão NGC 281 (Imagem: Reprodução/Douglas J. Struble (Future World Media))

Esta é a nebulosa NGC 281, que também é conhecida pelo apelido simpático "Nebulosa do Pacman". Ela é uma nebulosa de emissão, um objeto formado por gases ionizados que emitem luz em diferentes comprimentos de onda. As nebulosas de emissão mais comuns são aquelas de nuvens de gás interestelar, cujos átomos neutros de hidrogênio são ionizados por estrelas do tipo O e B, extremamente quentes e luminosas.

Na imagem, vemos como as estrelas são capazes de criar "esculturas" de poeira grandes e complexas a partir das nuvens moleculares das quais nasceram. Para isso, elas usam duas "ferramentas": a luz altamente energética e ventos estelares altamente velozes. O calor gerado evapora a poeira molecular escura, fazendo com que o hidrogênio do ambiente seja disperso e emita luz vermelha.

Ao redor das estruturas de poeira interestelar da nebulosa, está o aglomerado estelar IC 1590, um novo aglomerado de estrelas quase completo. Já a nuvem de poeira no canto superior esquerdo da foto é um Glóbulo de Bok, uma pequena nuvem escura de gás e poeira que, normalmente, é condensada e forma novas estrelas. O nome remete a Bart Bok, astrônomo que descobriu e estudou estes objetos.

Quinta-feira (11) — Chuva de meteoros Perseidas

Chuva de meteoros Perseidas fotografada jujnto do telescópio MAGIC, na ilha La Palma (Imagem: Reprodução/ Urs Leutenegger)
Chuva de meteoros Perseidas fotografada jujnto do telescópio MAGIC, na ilha La Palma (Imagem: Reprodução/ Urs Leutenegger)

A estrutura acima pertence a um dos telescópios MAGIC (Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov), projetados especialmente para a observação de raios gama altamente energéticos, vindo de origens galácticas e extragalácticas. Perceba que os segmentos do espelho dele mostram um belo reflexo do plano da Via Láctea, repleto de estrelas diversas.

Já os rastros luminosos no céu vêm de meteoros da chuva Perseidas, formada por fragmentos do cometa Swift-Tuttle. A chuva começa durante a metade do mês de julho e dura aproximadamente até o final de agosto, e, às vezes, proporciona quantidades surpreendentes de meteoros — em 2016, ocorreram até 100 meteoros por hora!

Quem quiser observar os meteoros neste ano terá que ficar de olho em direção à constelação Perseu, já que é ali que fica o radiante da chuva; O melhor momento é a madrugada de 13 de agosto, a partir das 2h30. Desta vez, a previsão é de até 24 meteoros por hora durante o pico da chuva.

Sexta-feira (12) — Nebulosa da Águia

A Nebulosa da Águia pode ser observada com binóculos ou pequenos telescópios (Imagem: Reprodução/Charles Bonafilia)
A Nebulosa da Águia pode ser observada com binóculos ou pequenos telescópios (Imagem: Reprodução/Charles Bonafilia)

Um aglomerado estelar jovem, com cerca de dois milhões de anos, e nuvens de gás brilhante e poeira formam a M16, também conhecida como “Nebulosa da Águia”. O objeto aparece nesta foto bastante detalhada, com cores típicas das fotos do telescópio Hubble e algumas “esculturas cósmicas” descobertas pelo célebre observatório — uma delas são os chamados "Pilares da Criação", perto do centro da foto.

Eles fazem parte de uma região de formação estelar ativa na nebulosa, e recebem luz ultravioleta das estrelas jovens existentes por lá; os ventos dessas estrelas estão lentamente desgastando as torres de poeira. Pode não parecer, mas os Pilares da Criação são estruturas pequenas: eles medem aproximadamente cinco anos-luz, sendo que o restante da Nebulosa da Águia tem mais de 50 anos-luz de extensão.

A Nebulosa da Águia fica a cerca de 7 mil anos-luz da Terra em direção à constelação Serpens, a Serpente. Ela pode ser observada através de binóculos ou pequenos telescópios — mas, para observar os detalhes dos Pilares da Criação, é necessário usar um grande telescópio e ter as melhores condições de observação. O melhor mês para admirá-la é julho.

Fonte: Canaltech

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