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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (26/12 a 01/01/2021)

Daniele Cavalcante
·6 minuto de leitura

Hora de dar as boas-vindas ao ano novo e adeus ao ano tão difícil que foi 2020. Poucas coisas aconteceram no mundo da astronomia na última semana do ano, tanto em termos de eventos quanto em exploração espacial (afinal, os cientistas e pesquisadores também merecem um descanso). Por isso, neste primeiro compilado de imagens do APOD (Astronomy Picture of the Day Archive), as imagens trazem de volta alguns dos fenômenos de dezembro, como o Eclipse Solar e a Grande Conjunção de Júpiter e Saturno.

Também há imagens de nebulosas coloridas, inclusive uma formação apelidada de Árvore de Natal. A famosa Nebulosa da Águia também "dá as caras", mas não do jeito que já estamos acostumados a vê-la. Por fim, há um belo panorama do Polo Sul Celeste.

Sábado (26/12) — Árvore de Natal

(Imagem: Reprodução/Miguel Claro)
(Imagem: Reprodução/Miguel Claro)

Na noite após as comemorações natalinas, a NASA publicou uma imagem sugestiva: o aglomerado estelar conhecido como “Árvore de Natal”. Trata-se da região conhecida como NGC 2264, onde há uma formação de estrelas que lembra uma árvore com enfeites azuis brilhantes. A paisagem colorida é formada por nuvens de gás hidrogênio e está localizada na constelação de Monoceros, o Unicórnio.

Também fazem parte dessa formação a Nebulosa Pele de Raposa (à esquerda do centro), e estrela variável S Monocerotis (a mais brilhante perto do centro, dentro da área azul), e a Nebulosa do Cone (à direita). Esta última é também conhecida como a Nebulosa de Jesus Cristo, devido à sua semelhança com a figura religiosa com as mãos em posição de oração.

Domingo (27/12) — Latte cósmico

(Imagem: Reprodução/Karl Glazebrook/Ivan Baldry)
(Imagem: Reprodução/Karl Glazebrook/Ivan Baldry)

Se misturássemos todas as cores do universo, como se o cosmos fosse um grande balde de tinta, o resultado seria a cor acima. Os cientistas determinaram isso ao calcular as estrelas mais comuns nas galáxias próximas e chegaram a este resultado, um tom de bege bem claro, que pode ser escrito em HTML ou em softwares de edição de imagens com o código # FFF8E7.

No total, os astrônomos usaram a luz de 200 mil galáxias e buscaram pela cor média emitida por elas. O espectro cósmico resultante contém emissão em todas as faixas do espectro eletromagnético (inclusive as invisíveis ao olho humano), mas, com a mistura de todas elas, podemos perceber apenas uma única tonalidade. Um concurso foi realizado para dar um nome a esta cor, e o vencedor foi "latte cósmico".

Segunda-feira (28/12) — Nebulosa da Águia

(Imagem: Reprodução/Nicolas Paladini)
(Imagem: Reprodução/Nicolas Paladini)

A Nebulosa da Águia ficou muito famosa quando uma parte dela foi fotografia pelo Telescópio Espacial Hubble, no início de abril de 1995. A imagem ficou conhecida como os "Pilares da Criação", e mostra colunas de gás estelar e poeira contida dentro da estrutura que vemos aqui. Há uma espécie de janela no centro de uma grande camada escura de poeira, e através dela vemos um berçário de estrelas.

Pilares altos e glóbulos redondos de poeira escura e gás molecular frio estão ali, na região de formação estelar, junto de várias estrelas azuis, ou seja, jovens, cuja luz e ventos estão queimando e empurrando os filamentos e paredes de gás e poeira que restaram. A Nebulosa da Águia fica a cerca de 6.500 anos-luz de distância, abrange cerca de 20 anos-luz, e tem uma magnitude aparente de 6. Isso significa que ela pode ser vista da Terra a olho nu, se você estiver em um local com céu bastante escuro, como em áreas rurais livres de poluição luminosa.

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Terça-feira (29/12) — Sombra lunar sobre o globo

O vídeo acima foi gravado durante o eclipse solar total que ocorreu no dia 14 de dezembro de 2020. Um eclipse solar acontece quando a Lua passa em frente ao Sol, bloqueando a luz da nossa estrela. Como consequência, a sombra lunar se projeta sobre alguma região de nosso planeta, movimentando-se sobre nossa superfície de acordo com o movimento de ambos os corpos — Lua e Terra. É esta sombra que o vídeo mostra, percorrendo o globo da esquerda para a direita.

A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) compartilhou esse vídeo gravado pelo satélite GOES-16 no dia do eclipse. Podemos ver nitidamente a sombra da lua percorrendo o Oceano Pacífico e deixando partes do Chile e da Argentina no escuro. Uma boa parte do Oceano Atlântico também viu o dia virar noite durante o evento.

Aqui no Brasil, pudemos ver um eclipse parcial, com a Lua cobrindo apenas uma parte do Sol. Isso ocorre porque nosso satélite natural não é muito grande. Por isso, a sombra que ele projeta sobre o planeta cobre apenas algumas áreas. O próximo eclipse solar será anular e ocorrerá no dia 10 de junho de 2021, mas será visível apenas em partes da Rússia, Groenlândia e norte do Canadá. O norte da Ásia, Europa e Estados Unidos verão um eclipse parcial.

Quarta-feira (30/12) — Grande Conjunção

Ainda recapitulando os grandes eventos do fim de ano, este vídeo mostra a Grande Conjunção de Júpiter e Saturno em timelapse. As imagens foram obtidas em uma série de exposições na Tailândia e mostram os dois planetas gigantes em duas sequências. A primeira é mais aproximada e corresponde a cinco dias, revelando algumas das luas de Júpiter e suas faixas coloridas. A segunda sequência de vídeo corresponde a 9 dias.

Esse evento acontece uma vez a cada 20 anos. Mas, dessa vez, pudemos contemplar uma aproximação ainda maior entre os dois planetas — a última vez em que eles estiveram tão próximos no céu foi há 400 anos, num fenômeno que, popularmente, muitos chamam de "Estrela de Natal". Desde o dia 16 de dezembro e até o dia 25, foi possível ver os planetas separados por menos do que o diâmetro de uma Lua cheia, mas a aproximação máxima ocorreu mesmo no dia 21.

Quinta-feira (31/12) —Retornando da Lua

(Imagem: Reprodução/Zhuoxiao Wang)
(Imagem: Reprodução/Zhuoxiao Wang)

Esta é a trilha de uma bola de fogo que cruzou o céu perto de Zhangye e da fronteira com a Mongólia Interior, nas primeiras horas de 17 de dezembro. Orion está perto do centro e a linha separa as duas estrelas da constelação de Gêmeos, Castor e Pólux. Parece um meteoro, mas tudo indica que se trata, na verdade, da cápsula de retorno da missão chinesa Chang'e 5.

Essa cápsula entrou em nossa atmosfera naquela mesma noite, horário e região, trazendo cerca de 2 kg de amostras da Lua. A missão tem como objetivo analisar esse material para saber mais sobre região de Mons Rumker, do Oceanus Procellarum, uma grande área lunar. Lançada em 23 de novembro, Chang'e 5 é a primeira a trazer algo de nosso satélite natural desde 1976.

Sexta-feira (01/01) — Polo Sul Celeste

(Imagem: Reprodução/Petr Horalek/Josef Kujal)
(Imagem: Reprodução/Petr Horalek/Josef Kujal)

Este panorama estende-se por cerca de 60 graus no céu profundo do Polo Sul Celeste. No topo da imagem estão as estrelas e nebulosas sobrepostas à faixa da Via Láctea. A grande estrela amarelada no lado superior esquerdo é a Gamma Crucis, que forma o topo do Cruzeiro do Sul. A Nebulosa Coalsack está logo abaixo do braço esquerdo da cruz dessa constelação. A estrela Eta Carinae e a Grande Nebulosa Carina estão próximas da borda direita. Na parte inferior estão a Grande e Pequena Nuvem de Magalhães, galáxias satélites da Via Láctea.

Fonte: Canaltech

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