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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (07/11 a 13/11/2020)

Daniele Cavalcante
·6 minuto de leitura

A compilação das imagens destacadas pela NASA nesta semana agradará aos admiradores de nebulosas. Apenas duas estão retratadas abaixo, mas são dois exemplares espetaculares dessa categoria de objetos cósmicos. O principal destaque é a Nebulosa da Tarantula, que abriga aglomerados e muitas interações interessantes.

Também há um aglomerado de galáxias, o tipo de estrutura que nos dá uma boa noção de quão pequenos somos no universo. Para quem prefere os fenômenos cósmicos que podem ser vistos da Terra, a aurora retratada nos fiordes da Noruega está fabulosa. Além disso, você sabe quais cores a Lua pode ter no céu noturno? É isso o que você descobre abaixo.

Sábado (07/11) — Aglomerado de Hércules

(Imagem: Reprodução/Howard Trottier)
(Imagem: Reprodução/Howard Trottier)

Quando olhamos para um aglomerado de galáxias como este, temos um pequeno vislumbre do quão imenso é o universo. Em cada uma dessas galáxias espirais, há um “berçário” de estrelas, onde gás e poeira dão origem a novos e incontáveis astros. O aglomerado de Hércules, também conhecido como Abell 2151, fica a 500 milhões de anos-luz de distância, e também conta com algumas galáxias elípticas, que carecem de gás e poeira e, portanto, possuem estrelas velhas.

Você pode reconhecer as galáxias de estrelas jovens e as de estrelas velhas através das cores — as primeiras serão sempre azuis, enquanto as segundas terão tonalidades amareladas. A imagem corresponde a mais de 4 milhões de anos-luz no espaço.

Domingo (08/11) — A lua mais escura

(Imagem: Reprodução/G. Neukum/Mars Express/DLR/ESA)
(Imagem: Reprodução/G. Neukum/Mars Express/DLR/ESA)

Fobos, a maior das duas luas de Marte, é também a lua mais escura de todo o Sistema Solar. Bem, se nos lembrarmos que luas não emitem brilho próprio, mas refletem a luz do Sol, fica fácil deduzir por que Fobos é assim: ela é feita de um material pouco reflexivo.

Astrônomos cogitam que Fobos é, na verdade, um asteroide composto por uma mistura de gelo e rocha escura, que foi capturado pela gravidade marciana. Ela é cheia de crateras, sendo a maior delas localizada na face que não vemos nesta imagem, do outro lado. Sua órbita é muito próxima do planeta, e está se aproximando cada vez mais. Provavelmente, um dia cairá na superfície de Marte, partindo-se em muitos pedaços.

Segunda-feira (09/11) — Aurora sobre o fiorde

(Imagem: Reprodução/Max Rive)
(Imagem: Reprodução/Max Rive)

Essa imagem impressionante é o resultado de uma composição de três exposições separadas, capturadas no início de 2014. Levou três dias para que o fotógrafo e a pessoa no topo do monte encontrassem uma aurora, mas valeu a pena o esforço!

O cenário escolhido é o fiorde Austnesfjorden, que fica no norte da Noruega. As auroras são o resultado da interação dos ventos solares com o campo magnético da Terra.

Terça-feira (10/11) — Alma

(Imagem: Reprodução/Jason Guenzel)
(Imagem: Reprodução/Jason Guenzel)

A Nebulosa da Alma é formada por nuvens de poeira escuras e cristas de gás brilhante. Na verdade, vários aglomerados estão incorporados nesta nebulosa, como o CR 34, 632, e 634. Com cerca de 25 anos-luz de diâmetro, fica localizada na direção da constelação de Cassiopeia e é vizinha da Nebulosa do Coração. Juntas, ambas são conhecidas como "coração e alma". Apenas a Alma aparece nesta imagem.

Ela fica dentro do braço espiral de Perseus, na Via Láctea, a uma distância estimada de 6.500 anos-luz e, ali dentro, ocorre a formação de estrelas. O formato peculiar das nuvens é esculpido por ventos e pela radiação intensa das estrelas grandes e jovens que se formam por ali. Você não vê nenhuma delas, pois foram removidas da imagem para destacar o gás e a poeira, que ganharam um aspecto bem mais dramático.

Quarta-feira (11/11) — As cores da Lua

(Imagem: Reprodução/Marcella Giulia Pace)
(Imagem: Reprodução/Marcella Giulia Pace)

A cor da Lua vista na Terra pode mudar drasticamente, dependendo das condições atmosféricas e até mesmo da posição do satélite natural no céu noturno. Afinal, a Lua reflete até nós a luz do Sol, que atravessa nossa atmosfera e sofre algumas alterações — o mesmo tipo de fenômeno que torna o céu azul durante o dia, por exemplo.

Por isso, nosso satélite natural pode ganhar aspectos bem distintos. A imagem acima é uma coleção de fotos da Lua cheia, documentada por um astrofotógrafo ao longo de 10 anos em diferentes locais da Itália, e mostra como as cores podem ser diferentes. O vermelho ou amarelo, por exemplo, geralmente representam a lua que é vista perto do horizonte.

Quinta-feira (12/11) — Cometa no cinturão

(Imagem: Reprodução/Charles Bracken)
(Imagem: Reprodução/Charles Bracken)

O cometa C/2020 M3 (ATLAS) vem se aproximando da Terra e fará sua maior aproximação neste sábado (14). Não será tão brilhante quanto o C/2020 F3 NEOWISE, mas pode ser que ele seja bem observável através de um bom par de binóculos astronômicos ou telescópio. O melhor é que ele será fácil de se encontrar, pois estará próximo da constelação de Orion — para achá-la, basta procurar pelas populares Três Marias.

No momento, ele está na 13ª magnitude, quase tão difícil de se observar quanto Plutão, e não ficará muito melhor que isso. O melhor horário para observá-lo com equipamentos é durante a madrugada, quando o cometa estiver alto no céu, longe do horizonte. A Lua não estará presente para atrapalhar com sua luminosidade.

Na imagem acima, algumas exposições fotográficas foram registradas no dia 8 de novembro e combinadas para formar este cenário rico em cores e detalhes que você não consegue ver, mesmo com binóculos. O círculo verde e difuso é o coma do C/2020 M3, logo acima das três estrelas do cinturão de Orion. A Nebulosa de Órion e a Nebulosa Cabeça de Cavalo também apareceram na composição.

Sexta-feira (13/11) — Nebulosa da Tarântula 

(Imagem: Reprodução/Ignacio Diaz Bobillo)
(Imagem: Reprodução/Ignacio Diaz Bobillo)

Muita coisa está dentro desse cenário, que retrata a impressionante Nebulosa da Tarântula, também conhecida como 30 Doradus ou NGC 2070. É uma região colossal de gás e nuvens com mais de mil anos-luz de diâmetro. Significa que, para atravessar esse emaranhado colorido, você precisaria viajar por mil anos na velocidade da luz! Se a Nebulosa da Tarântula estivesse 1.500 anos-luz de distância mais perto, ocuparia metade do nosso céu.

Ela fica dentro da galáxia satélite que orbita a Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 180 mil anos-luz de distância. Se a imagem parece intimidadora, não é à toa: trata-se da maior e mais violenta região de formação de estrelas conhecida em todo o Grupo Local de galáxias.

Para esta imagem, foram usadas fotos obtidas com filtro de banda estreita para destacar a emissão de átomos de hidrogênio e oxigênio ionizados. Dentro da Tarântula há um interessante aglomerado de estrelas que emite muita radiação intensa, ventos estelares, e sinais de supernova. Esse aglomerado é catalogado como R136, responsável por produzir a maior parte da energia que faz com que a Nebulosa de Tarântula seja visível.

Ao redor da Tarântula estão outras regiões de formação de estrelas, com outros aglomerados de estrelas, filamentos e nuvens em forma de bolhas. Também está ali o local da supernova mais próxima de nós, a SN 1987A, à direita do centro. Essa foi a primeira supernova estudada com equipamentos modernos e, ao observá-la, os astrônomos puderam fortalecer ou eliminar as teorias sobre a expansão do universo.

Fonte: Canaltech

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