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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (25/07 a 31/07/2020)

Daniele Cavalcante
·7 minuto de leitura

Julho foi um mês bastante agitado para a exploração espacial e astronomia. Não bastasse a passagem histórica do cometa C/2020 F3 NEOWISE, que roubou o protagonismo do site Astronomy Picture of the Day (APOD) da NASA, durante as últimas semanas também tivemos o lançamento de três missões rumo a Marte.

O motivo de tanta nave indo para o Planeta Vermelho no mês de julho é simples: estamos em um período em que a Terra está mais próxima de Marte. Isso só voltará a acontecer em 2022, por isso as agências espaciais dos EUA, China e Emirados Árabes Unidos não perderam tempo e aproveitaram a oportunidade. Assim, Marte é o destaque da semana. A NASA nos brindou com fotos incríveis da missão chinesa Tianwen-1 e da sua própria, a Mars 2020. Também há uma fotografia bem nítida do Planeta Vermelho, feita por um astrofotógrafo. É que, por estar perto da Terra, o planeta vizinho também fica mais visível para os telescópios.

Mas o APOD também trouxe outras imagens incríveis, incluindo uma das mais fabulosas do cometa NEOWISE até então. Há também uma nebulosa - um elemento quase obrigatório todas as semanas nestes destaques) e um passeio no universo quando ele ainda era jovem.

Sábado (25/07) - O lançamento da Tianwen-1

Foto: Jeff Dai
Foto: Jeff Dai

No dia 23 de julho, a China lançou com sucesso sua missão Tianwen-1, levando a Marte uma sonda orbital, um módulo de pouso estacionário e um rover, que estudarão o Planeta Vermelho. A missão deve chegar a Marte em fevereiro de 2021, quando os três instrumentos trabalharão em conjunto para estudar a geologia marciana. A Tianwen-1 também tentará descobrir mais detalhes sobre o que se passa abaixo da superfície do planeta.

Esta foto ter sido selecionada pela NASA é interessante. Estados Unidos e China não são lá países muito cordiais um com o outro, mesmo quando o assunto é exploração espacial. Mas a NASA tem se mostrado disposta a negociar a colaboração com outras nações mais, digamos, fechadas. Seja como for, a tendência tem sido que as agências comemorem o sucesso dos programas espaciais, seja de quem for. Afinal, toda a comunidade científica ao redor do mundo sai ganhando.

Domingo (26/07) - Um passeio com o Hubble

Pode não parecer, mas esses objetos estão a muitos milhares de milhões de quilômetros de distância uns dos outros. Aliás, eles próprios são gigantescos. Neste vídeo, que mostra como seria viajar em altíssima velocidade dentro do campo de visão do Telescópio Espacial Hubble, estamos olhando para mais de 5 mil galáxias muito distantes - e, portanto, muito antigas.

Elas estão em um dos campos mais distantes de galáxias já imaginados: o Campo Ultra Profundo do Hubble (HUDF). O telescópio registrou essa imagem, de uma pequena região do espaço - quer dizer, pequena para nós, quando olhamos aqui da Terra - na constelação de Fornax. Ele observou a região no período de 3 de setembro de 2003 a 16 de janeiro de 2004 e forneceu a imagem mais profunda do universo capturada em luz visível até hoje, ilustrando o universo como ele era há 13 bilhões de anos.

Como leva muito tempo para atravessar o universo, a maioria das galáxias visíveis no vídeo em destaque está na forma que tinha quando o universo tinha apenas cerca de 400-800 milhões de anos. Ele ainda estava se formando e tinha formas incomuns quando comparadas às galáxias modernas. Por exemplo, ainda não existiam galáxias espirais maduras, como a Via Láctea ou a galáxia de Andrômeda.

No final do vídeo, voamos além das galáxias mais distantes do campo HUDF. Essa classe de galáxias de baixa luminosidade provavelmente continha estrelas energéticas que emitiam luz capazes de transformar grande parte da matéria normal restante no universo de um gás frio para um plasma ionizado quente.

Segunda-feira (27/07) - O cometa e a tempestade

Foto: Kevin Palmer
Foto: Kevin Palmer

Se o cometa C/2020 F3 NEOWISE ainda está aparecendo, continuaremos falando dele. Afinal, o evento cósmico tem rendido inúmeras fotos excepcionais - como esta. Este é o Steamboat Point, que marca o limite nordeste de Mission Bay, na Baía de São Francisco. Todos os dias, o pico das montanhas Bighorn é imponente, mas não tanto quando o objeto interplanetário que parece ameaçar a paisagem.

Tudo parece ainda mais incrível visto com uma tempestade elétrica ao fundo. Essa combinação perfeita foi uma rara oportunidade aproveitada por um astrofotógrafo determinado, que passou uma noite sem dormir capturando mais de 1400 imagens dessa conjunção. O cometa NEOWISE agora nos dá adeus e começa sua longa jornada de volta ao Sistema Solar externo. Seu retorno será apenas em cerca de 6700 anos.

Terça-feira (28/07) - Dragões de Ara

Imagem: Ariel L. Cappelletti
Imagem: Ariel L. Cappelletti

Esta é a nebulosa de emissão NGC 6188, com suas dezenas de anos-luz de comprimento. Conhecida como A Grande Parede de Ara, ou os Dragões de Lura de Ara, ela fica perto da borda de uma nuvem molecular grande e escura, na constelação do sul de Ara, a cerca de 4.000 anos-luz de distância da Terra.

Ali, uma série de estrelas jovens nasceram há apenas alguns milhões de anos - praticamente ontem, no calendário cósmico. Elas alimentam o brilho da nebulosa com seus ventos estelares e radiação ultravioleta intensa.

A imagem é resultado de 10 horas de luz capturada em um telescópio em Córdoba, na Argentina, e suas cores foram adicionadas posteriormente com a paleta Hubble, para destacar a emissão de átomos de enxofre, hidrogênio e oxigênio em tons de vermelho, verde e azul.

Quarta-feira (29/07) - Os gigantes de gás

Imagem: : Jean-Luc Dauvergne
Imagem: : Jean-Luc Dauvergne

Embora o cometa NEOWISE tenha roubado a atenção de todos, Júpiter e Saturno também continuam atraindo os olhares telescópicos. Não é à toa - os planetas são imponentes, e nessa imagem aparecem com toda sua glória, fotografados na noite de 22 de julho, de uma varanda em Paris.

Os mundos gasosos estavam de frente ao Sol e em seus pontos orbitais mais próximos do planeta Terra. O seja, uma oportunidade de ouro para registrar toda a majestade dos titãs planetários. Se você tem um telescópio, vale a pena acompanhar os dois no final de 2020: em 21 de dezembro, poderemos testemunhar a grande conjunção de Júpiter e Saturno, que acontece uma vez a cada 20 anos.

Quinta-feira (30/07) - Marte

Foto: Luc Debeck
Foto: Luc Debeck

E o assunto da semana é mesmo Marte. No dia do lançamento da missão Mars 2020, em que a NASA enviou o rover Perseverance ao Planeta Vermelho, a agência publicou esta imagem.

Marte parece bastante nítido aqui, graças ao telescópio "caseiro". A foto foi capturada em 23 de julho, em Hoegaarden, Bélgica, e mostra a calota polar sul do Planeta Vermelho banhada pela luz do Sol na parte superior. É que a vista invertida nesta imagem está invertida, portanto, o polo norte está para baixo. O elemento escuro conhecido como Syrtis Major se estende em direção à borda direita (leste).

É neste elemento escuro que fica a cratera Jezero, o local de pouso do Perseverance. Os interessados em observar o planeta terão uma ótima oportunidade em breve, pois a vista telescópica vai melhorar ainda mais à medida que a Terra alcança Marte, fazendo com que nosso vizinho pareça ainda mais brilhante.

Sexta-feira (31/07) - Lançamento da Mars 2020

Foto: John Kraus
Foto: John Kraus

E deu tudo certo com o lançamento da Mars 2020, na última quinta-feira (30). Para celebrar, a NASA escolheu uma imagem nada menos que espetacular do momento em que o foguete Atlas V subia rumo à órbita terrestre, deixando para trás seu rastro. Foi o terceiro lançamento de uma missão ao planeta Vermelho apenas no mês de julho.

O Perseverance, um robô do tamanho de um carro, está a caminho da cratera Jezero em busca de sinais de vida antiga em Marte, e deverá chegar por lá em fevereiro de 2021. Também está a bordo o pequeno helicóptero Ingenuity.

Fonte: Canaltech

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