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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (23/01 a 29/01/2021)

Daniele Cavalcante
·6 minuto de leitura

As imagens em destaque dessa semana estão bastante coloridas! É que a NASA selecionou para seu site Astronomy Picture of the Day (APOD) apenas galáxias e nebulosas, incluindo fotografias do céu profundo que compõem cenários perfeitos com a paisagem terrestre. Se você ainda não conhece galáxias menos convencionais, como as floculentas ou espirais não-barradas, este é um ótimo momento para conferir curiosidades sobre essas formações fabulosas do universo.

Sem delongas, eis as imagens da semana.

Sábado (23/01) — Supernova

(Imagem: Reprodução/NASA/CXC/SAO/STScI)
(Imagem: Reprodução/NASA/CXC/SAO/STScI)

Esta é a Cassiopeia A (Cas A), um remanescente de supernova localizado a cerca de 11 mil anos-luz de distância da Terra. Essa nuvem colorida é o material resultante da explosão de uma estrela, e hoje a região tem o equivalente a dez anos-luz de comprimento.

As estrelas massivas vivem ciclos semelhantes a estes, que terminam em uma explosão que funciona mais ou menos como uma espécie de reciclagem cósmica. É que quando as estrelas — que nascem a partir de uma nuvem de gás e poeira — explodem em uma supernova como esta, emitem uma nova nuvem de gás enriquecido pelo espaço interestelar, onde a formação de novas estrelas pode reiniciar o ciclo.

A luz da explosão que criou este remanescente de supernova foi visto vista pela primeira vez aqui na Terra há cerca de 350 anos, mas levou 11.000 anos para que essa mesma luz chegasse até nós. Esta imagem é composta por dados de raios-X e imagens ópticas do Chandra X-ray Observatory e do telescópio Hubble. As cores adotadas pelo processamento da imagem indicam os elementos presentes na nuvem: silício em vermelho, enxofre em amarelo, cálcio em verde e ferro em roxo.

Domingo (24/01) — NGC 2841

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Subaru/Roberto Colombari)
(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Subaru/Roberto Colombari)

A NGC 2841 é uma galáxia espiral não barrada localizada a 46 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação Ursa Maior. É bastante conhecida, já que foi descoberta em 1788 pelo astrônomo alemão William Herschel, tendo sido descrita na ocasião como “muito brilhante”. Nela, há uma grande população de estrelas azuis, ou seja, muito jovens. Ela também é uma das galáxias mais massivas dentre as já catalogadas pelos astrônomos, provavelmente com um bulbo muito massivo no centro.

Diferente de galáxias espirais que estamos mais acostumados a ver, como a própria Via Láctea, este é um exemplar de galáxia floculenta. Isso significa que seus braços são irregulares e descontínuos, semelhante a um aglomerado de flocos aglutinados, ou um amontoado de pedaços fofinhos de algodão. Ainda assim, podemos ver nitidamente a formação espiral. Outras características morfológicas da NGC 2841 é que seus braços são bastante fechados. Com um diâmetro de mais de 150 mil anos-luz, a NGC 2841 é maior que a nossa Via Láctea.

Segunda-feira (25/01) — A cruz e o vulcão

(Imagem: Reprodução/Tomáš Slovinský)
(Imagem: Reprodução/Tomáš Slovinský)

O Cruzeiro do Sul, ou simplesmente Crux, é uma das maravilhas celestes que brindam o hemisfério sul do planeta, com uma visualização privilegiada das estrelas Alpha (ou Acrux), Beta, Gamma, Delta e Epsilon Crucis. A fama não é à toa. Trata-se de uma das constelações mais facilmente reconhecíveis, já que as suas quatro estrelas principais são muito brilhantes no céu noturno. Já era conhecida pelos gregos antigos e foi amplamente utilizada por navegadores — e ainda é nos dias de hoje.

Dentro dos limites da constelação, há 49 estrelas, algumas delas brilhantes, outras mais tênues. Epsilon Crucis, por exemplo, é uma estrela gigante alaranjada de magnitude 3,6 (bastante visível no céu; quanto menor o número, mais brilho aparente a estrela tem), localizada a 228 anos-luz da Terra. Já a Iota Crucis, uma binária a 125 anos-luz de distância, é formada por duas estrelas — uma gigante alaranjada de magnitude 4,6 (um pouco menos brilhante que a Epsilon) e outra com magnitude 9,5 (bem menos brilhante).

Nesta fotografia do mês passado, a Crux está logo acima e à esquerda do vulcão em erupção. Ele é o Villarrica, um dos vulcões mais ativos em nosso Sistema Solar. Logo acima do vulcão, é possível notar uma mancha escura. Trata-se da nebulosa escura Saco de Carvão. A Nebulosa Carina também pode ser encontrada no canto superior esquerdo — a mancha de estrelas em tons cor-de-rosa.

Terça-feira (26/01) — NGC 1316

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Daniel Nobre)
(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Daniel Nobre)

Pode não parecer, mas isto é uma galáxia. Existe ali um emaranhado esquisito de estrelas, gás e poeira, algo que os astrônomos tiveram um certo trabalho para decifrar. Localizada a 60 milhões de anos-luz da Terra, a NGC 1316 é uma enorme galáxia elíptica com faixas de poeira escura, algo que normalmente é encontrado em galáxias espirais. A explicação é simples: ela se formou da colisão entre galáxias que se fundiram há alguns bilhões de anos.

Essa descoberta veio graças ao telescópio Hubble, que mostrou alguns detalhes importantes da NGC 1316. As faixas de poeira, por exemplo, indicam que uma ou mais das galáxias mescladas na colisão eram galáxias espirais. O resultado da fusão é esta imensa galáxia de 50 mil anos-luz de diâmetro. Ah, essa colisão talvez tenha alimentado o buraco negro supermassivo central, que tem uma massa estimada nda menos que 150 milhões de massas solares.

Quarta-feira (27/01) — Campos verticais

(Imagem: Reprodução/NRAO/NASA/ESA/Hubble/Jayanne English)
(Imagem: Reprodução/NRAO/NASA/ESA/Hubble/Jayanne English)

O que seriam essas ondulações azuis acima e abaixo da galáxia espiral NGC 5775? São os campos magnéticos. Como vimos nos destaques da NASA da semana anterior, as galáxias possuem um campo magnético, e os astrônomos seguem cada vez mais ampliando a compreensão de como eles se formam. Foi apenas recentemente que eles perceberam que esses campos podem se erguer verticalmente, se estendendo para fora do disco galáctico a uma distância de milhares de anos-luz.

Nessa imagem, montada com uma foto em luz visível do telescópio Hubble e com os filamentos construídos a partir de dados do observatório Very Large Array, podemos ver também as regiões gasosas rosa representando onde as estrelas nascem.

Quinta-feira (28/01) — M66

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Leo Shatz)
(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/Leo Shatz)

A Messier 66, também conhecida como NGC 3627, é uma galáxia espiral intermediária, ou seja, está em um meio termo entre galáxia barrada e não-barrada. Ela é parte de um pequeno grupo de galáxias conhecido como Trigêmeos de Leão, ou Trio do Leão, sendo as demais integrantes a M65 e a NGC 3628. Localizada a 35 milhões de anos-luz de distância, a galáxia é semelhante à Via Láctea em tamanho — tem 100 mil anos-luz de diâmetro.

Esta imagem fabulosa é um close-up feito pelo Hubble, abrangendo uma região de “apenas” 30 mil anos-luz de largura ao redor do núcleo galáctico. A Messier 66 também é destaque por sua população de supernovas. Só em 2018, cinco delas foram observadas.

Sexta-feira (29/01) — Cena noturna

(Imagem: Reprodução/Liron Gertsman)
(Imagem: Reprodução/Liron Gertsman)

Esta cena noturna que merece um pôster na parede do seu quarto foi capturada no dia 21 de janeiro. A dupla de montanhas fica ao norte de Vancouver, no Canadá, e é conhecida como The Lions. O fotógrafo incluiu um céu rico em estrelas, tais como a Deneb, alfa da constelação de Cygnus, o Cisne. Em destaque, estão as nebulosas NGC 7000 e IC 5070, também conhecida como Nebulosa Pelicano, e elas ficam a aproximadamente 1.500 anos-luz de distância. Esse brilho vermelho corresponde ao hidrogênio, mas não seríamos capazes de enxergar esses objetos a olho nu. Apenas uma composição de exposições fotográficas consecutivas é capaz de criar uma imagem como esta!

Fonte: Canaltech

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