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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (20/08 a 26/08/2022)

Chegou o momento de conferir as fotos mais recentes destacadas no site Astronomy Picture of the Day! Esta seleção de imagens te levará para um passeio rumo a objetos distantes, como um pulsar nascido do colapso de uma estrela massiva, ou uma galáxia que passou por processos tão intensos que acabou com uma estrutura de formato intrigante, no mínimo.

Entre outras fotos curiosas, está uma imagem incrível da estação espacial chinesa passando em frente à Lua durante um trânsito, e outra com um meteoro da chuva das Perseidas brilhando no céu do litoral francês. Confira:

Sábado (20) — O cometa C/2017 K2

Cometa C/2017 K2 fotografado durante sua aproximação máxima do Sol (Imagem: Reprodução/Rolando Ligustri (CARA Project, CAST))
Cometa C/2017 K2 fotografado durante sua aproximação máxima do Sol (Imagem: Reprodução/Rolando Ligustri (CARA Project, CAST))

Aqui está o cometa C/2017 K2 (PanSTARRS), fotografado enquanto segue rumo ao periélio, nome dado à aproximação máxima do cometa em relação ao Sol, ao longo de sua órbita ao redor do nosso astro. A foto foi capturada em agosto, mas o cometa só deverá chegar ao periélio no dia 19 de dezembro. Depois, ele continuará permitindo boas observações por cerca de um mês, principalmente no hemisfério sul.

Os cometas são objetos formados principalmente por rocha e gelo, e ficam ativos quando são aquecidos pelo Sol: o calor começa a vaporizar o gelo do cometa e forma o coma, a atmosfera externa dele. Quem conseguir encontrá-lo no céu irá vê-lo como um objeto brilhante e enevoado, resultado de sua grande coma que se estende por mais de 120 mil quilômetros. Já a cauda do cometa, que pode ter 800 mil km de extensão, pode ser fotografada com a técnica da longa exposição.

Observações iniciais do K2 sugeriram que seu núcleo media entre 30 e 160 km, mas novos dados do telescópio Hubble mostraram que, na verdade, o núcleo dele tem 18 km ou menos. Ao que tudo indica, o K2 veio da Nuvem de Oort, uma região que fica a cerca de 50 mil unidades astronômicas do Sol, sendo que cada unidade equivale à distância média entre a Terra e nossa estrela.

Domingo (21) — Nebulosa do Caranguejo

A Nebulosa do Caranguejo aparece em dados do telescópio Chandra (azul e branco), Hubble (roxo) e Spitzer (rosa) (Imagem: Reprodução/NASA/Chandra (CXC)/Hubble (STScI), Spitzer (JPL-Caltech))
A Nebulosa do Caranguejo aparece em dados do telescópio Chandra (azul e branco), Hubble (roxo) e Spitzer (rosa) (Imagem: Reprodução/NASA/Chandra (CXC)/Hubble (STScI), Spitzer (JPL-Caltech))

A mistura de cores e formas desta foto faz parte do que há no coração da Nebulosa do Caranguejo, localizada a cerca de 6.500 anos-luz da Terra: no interior dela, está o Pulsar do Caranguejo, uma estrela de nêutrons que gira 30 vezes por segundo; ela tem tamanho parecido com o de uma cidade e aparece nesta foto como o ponto brilhante no centro do redemoinho gasoso, no centro da nebulosa.

O pulsar indica o fim de uma estrela mais massiva que o Sol: ele é formado pelo núcleo da estrela, que colapsou sobre si e explodiu. Este pulsar funciona como uma espécie de dínamo cósmico, que alimenta as emissões da nebulosa e empurra uma intensa onda de choque através dos materiais ali, acelerando o movimento dos elétrons.

Na foto, vemos uma composição de dados coletados por diferentes observatórios: em azul e branco estão os dados de raios X coletados pelo telescópio Chandra, enquanto os dados de luz visível, coletados pelo telescópio Hubble, aparecem em roxo; por fim, as áreas em rosa indicam as observações da luz infravermelha, realizadas pelo telescópio espacial Spitzer.

Segunda-feira (22) — Espiral das mudanças climáticas

O vídeo acima mostra as anomalias de temperatura registradas entre 1880 e 2021, com dados coletados pela Análise da Temperatura de Superfície, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais. Os dados mostram que, ao longo dos 120 anos, a temperatura global média subiu quase 1 °C.

O aquecimento global é observado desde o início do período pré-industrial, entre 1850 e 1900, e é consequência da atividade humana — aqui, vale destacar principalmente a queima dos combustíveis fósseis, que aumenta os níveis de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pela retenção de calor na atmosfera. Enquanto as atividades humanas causaram aumento de 1 °C desde o período pré-industrial, este número vem aumentando mais de 0,2 °C a cada década.

O aumento da temperatura vem causando efeitos perceptíveis, como a subida do nível dos mares, mudanças nos padrões de chuvas e derretimento do gelo nos polos. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a ação humana criou uma tendência de aquecimento que, provavelmente, continuará.

Terça-feira (23) — Meteoro, Via Láctea e o Mar Mediterrâneo

Meteoro da chuva dos Perseidas (Imagem: Reprodução/Julien Looten)
Meteoro da chuva dos Perseidas (Imagem: Reprodução/Julien Looten)

Já imaginou o planejamento que foi necessário para o astrofotógrafo conseguir registrar o brilho deste meteoro junto de tantos outros elementos em uma única foto? Para começar, saiba que ele precisou escolher uma noite durante o início da chuva dos meteoros Perseidas, ocorrida em agosto — mas note que ele não deu preferência a uma noite qualquer, e sim uma antes de a Lua cheia brilhar no céu e ofuscar o brilho dos meteoros.

Já o primeiro plano destaca o litoral de Le Dramont, na França, com a ilha d’Or ao fundo, quase alinhada com a faixa brilhante da Via Láctea no céu noturno. Nossa galáxia tem cerca de 13,6 bilhões de anos e, em seu interior, está com o buraco negro supermassivo Sagittarius A*, com cerca de 4 milhões de massas solares.

No fim das contas, o céu limpo e o bom tempo colaboraram com a ideia do astrofotógrafo, que produziu uma sequência com várias fotos para reduzir os efeitos da poluição luminosa vinda das cidades do litoral francês. Depois, ele “empilhou” as imagens que capturou, registrando o máximo de informações possíveis e chegando ao resultado que você vê acima.

Quarta-feira (24) — Galáxia da Roda do Carro

A Galáxia da Roda de Carro fica em direção à constelação Sculptor, o Escultor (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, CSA, STScI, Webb ERO Production Team)
A Galáxia da Roda de Carro fica em direção à constelação Sculptor, o Escultor (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, CSA, STScI, Webb ERO Production Team)

A cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra fica uma galáxia com um passado interessante: devido ao seu formato, ela é mais conhecida como “Galáxia da Roda do Carro” e foi formada como resultado de uma colisão entre uma grande galáxia do tipo espiral e outra menor, que não aparece na foto. Como você deve ter percebido, o evento afetou principalmente a forma dela, que acabou com um anel brilhante e mais interno e um externo, colorido.

Estes dois anéis se expandem para fora, se afastando do centro da colisão, como se fossem as ondas na superfície de um lago após você jogar uma pedrinha ali. O anel externo se expandiu por mais de 400 milhões de anos e é dominado por processos de formação estelar e supernovas. Por ter características tão únicas, os astrônomos a chamam de "galáxia anel", destacando sua estrutura bem menos comum que as das galáxias espirais.

Claro, outros telescópios já investigaram a Galáxia da Roda do Carro, mas muito dela estava escondido por poeira. Esta foto foi feita pelo telescópio espacial James Webb, cujos instrumentos de alta precisão revelaram o comportamento do buraco negro no centro da "roda". Com o Webb, os cientistas conseguiram observar também estrelas individuais e regiões de formação estelar, ajudando a entender melhor o que aconteceu nela.

Quinta-feira (25) — Estação espacial Tiangong e a Lua

Trânsito da estação espacial chinesa fotografado na Austrália (Imagem: Reprodução/Lucy Yunxi Hu)
Trânsito da estação espacial chinesa fotografado na Austrália (Imagem: Reprodução/Lucy Yunxi Hu)

A Lua costuma render fotos incríveis por si só, mas, neste caso, a imagem ficou ainda mais especial graças ao trânsito da estação espacial Tiangong, da China. A imagem foi feita a partir de uma série de quadros de vídeo e imagens estáticas feitas em Springrange, em Nova Gales do Sul, na Austrália — e pode não parecer, mas o trânsito pelo disco lunar durou menos de um segundo!

A estação espacial Tiangong orbita a Terra a cerca de 400 km de altitude. O novo laboratório orbital da China ainda está em construção, mas já conta com o módulo central Tianhe e o Wentian, e um último módulo, Mengtian, deverá ser lançado em breve. Futuramente, a China espera que a estação fique ocupada continuamente por três astronautas, abrigando experimentos próprios e de nações parceiras. A estação deverá operar por pelo menos uma década.

Já a Lua aparece na fase minguante, com parte das crateras e outras características do relevo do polo sul visíveis na foto. Repare que há algumas diferenças discretas nas cores da superfície lunar: elas vêm dos vários quadros empilhados pela astrofotógrafa. Além disso, as cores indicam variações na composição química da superfície da Lua.

Sexta-feira (26) — Aurora no polo sul

Aurora austral fotografada na Antártida (Imagem: Reprodução/ Aman Chokshi)
Aurora austral fotografada na Antártida (Imagem: Reprodução/ Aman Chokshi)

Talvez pareça que esta é uma foto de um planeta congelado e distante, mas não se engane: na verdade, é a Terra quem aparece aqui em um panorama digitalmente distorcido, feito do lado externo da estação Amundsen-Scott, na Antártida. A estação aparece na parte superior da globo, onde a luz da manhã começa a surgir após quase seis meses de noite.

Os tons de verde vêm de uma aurora austral, que iluminou o céu no dia da foto. As auroras austrais são semelhantes às boreais, com a diferença de que elas ocorrem no hemisfério sul. De resto, o processo que causa ambas é semelhante: elas vêm das interações entre as partículas solares eletricamente carregadas que, ao chegar à Terra, são redirecionadas aos polos pelo campo magnético do nosso planeta.

Depois, elas interagem com a atmosfera terrestre, emitindo luz em cores que variam de acordo com as moléculas e com a altitude em que o fenômeno ocorreu: as luzes avermelhadas vêm das moléculas de oxigênio a até 400 km de altitude, enquanto os tons de verde são originados das moléculas deste gás a altitudes menores, que começam em 100 km.

Fonte: Canaltech

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